Moçambique. Apelos à paz e reconciliação nas celebrações de São Francisco de Assis

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Moçambique. Apelos à paz e reconciliação nas celebrações de São Francisco de Assis
Fonte: VATICANO

Que os líderes se deixem levar pelo espírito de paz e reconciliação, não sejam egoístas mas pensensem nas consequências que algumas atitudes podem criar para a sociedade e para o mundo, e que os nossos jovens não se deixem enganar pela ganância de quem quer que os queira recrutar ou aliciar, é o apelo de Mupacho Jonasse Félix, Animador da Comunidade São Francisco de Assis, em Lichinga (norte de Moçambique), por ocasião das celebrações do santo Padroeiro.

P.

Bernardo Suate – Cidade do Vaticano Mupacho Jonasse, leigo responsável (“Animador”) da Comunidade São Francisco de Assis, falava por ocasião das celebrações do “Santo de Assis” e Padroeiro daquela Comunidade, no domingo 4 de outubro, também Dia da Paz em Moçambique, em comemoração do Acordo Geral de Paz assinado em 1992, para pôr fim ao longo conflito entre o partido no governo e o movimento de resistência nacional. [ Photo Embed: Celebração da Eucaristia na festa do Padroeiro] Francisco, homem de reconciliação e paz “São Francisco de Assis foi, no seu tempo, homem de reconciliação e paz e, para nós, é fonte de inspiração para quaisquer iniciativas que levem ao diálogo, à superação de conflitos, à fraternidade universal, à comunhão entre povos e culturas”, sublinhou Mupacha aos microfones da Rádio Vaticano, exortando a fortificar a vivência da paz no mundo em que vivemos, marcado por conflitos aparentemente locais e distantes mas que acabam sendo globais.

E temos o caso da Província de Cabo Delgado (norte de Moçambique), observou o “Animador”, a braços com o terrorismo desde 2017: “vemos irmãs e irmãos nossos a deslocarem-se das suas terras de origem, a perderem os seus bens, a verem os familiares mortos, e não só, alguns até nem sabem onde os pais se encontram, ou o irmão, a mãe, e vivem agora dependentes da caridade de terceiros”, lamentou o responsável.

A Comunidade São Francisco de Assis, ligada à Paróquia da Sé Catedral na diocese de Lichinga, tem procurado levar uma mensagem de esperança a estes irmãos deslocados, e também criar movimentos de solidariedade, com apoios em alimentação e vestuário, no espírito do nosso Padroeiro, explicou Mupacha. ‘Embaixadores da Misericórdia’ para uma proximidade efectiva Isto, de facto, faz parte das iniciativas da Comunidade que, para consolidar a vivência do espírito de Francisco, lançou recentemente o movimento “Obras de Misericórdia” que, neste momento, já conta com cem (100) ‘embaixadores’ da Comunidade que, no dia a dia, tornam efectivas as 14 Obras de Misericórdia. “Este movimento, juntamente com outros membros da Comunidade São Francisco de Assis, tem-se juntado para realizar estas actividades ao longo de todo o ano, e não apenas no período das festividades”, assegura Mupacha Jonasse. [ Photo Embed: 'Embaixadores da Misericórdia' na Comunidade São Francisco de Assis] E, mais particularmente, sobre as celebrações do Padroeiro, Mupacha falou da novena com meditações sobre a mensagem de Francisco que precedeu os festejos, bem como obras de misericórdia especificas (incluindo visitas aos doentes nos hospitais, às viúvas e pobres em geral), procissões com a imagem do Santo, momentos de reflexão, liturgia solene e confraternização.

Com os jovens pela paz, sempre atentos às falsas promessas Outra actividade que envolve a Comunidade inteira, disse o Animador a terminar, é a promoção da mensagem (de diálogo, paz e reconciliação) do Padroeiro e da sua devoção.

São, neste sentido, fundamentais – explicou Mupacho Jonasse – os encontros e tantas outras iniciativas de promoção da paz juntamente com a Comunidade Santo Egídio e, sobretudo com o envolvimento de numerosos jovens (e não só os católicos da Comunidade), para torneios de futebol pela paz e tantas actividades culturais (teatro, canto, poesias …), tudo à volta do tema da paz e focalizando no carisma de Francisco.

A terminar, uma mensagem pensando nos líderes do mundo em geral, tantas vezes na origem de conflitos com consequências globais, mas também nos jovens em Moçambique, não raras vezes vítimas fáceis de quem os alicia ou quer recrutar para a violência: “sejam cautelosos, advertiu Mupacho, não se deixem enganar por falsas promessas, sejam antes construtores de um País em paz, onde as pessoas circulam e vivem em paz normalmente”. [ Photo Embed: Núncio Apostólico em Moçambique, D.

Luis Miguel M.

Cárdaba, e o Bispo de Lichinga, Dom Atanásio A.

Canira, visitam a Comunidade São Francisco de Assis] [ Audio Embed Oiça aqui a entrevista integral com Mupacho Jonasse Félix]

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