Uma mensagem de Leão XIV abriu o Seminário-Oficina sobre a proteção de menores e adultos vulneráveis no Vaticano, destinado aos funcionários da Santa Sé. Uma iniciativa organizada pelo Departamento do Trabalho da Sé Apostólica (Ulsa), em conjunto com a Direção de Saúde e Higiene do Governatorato. Houve muitas reflexões sobre a vulnerabilidade nos locais de trabalho, além de diversas iniciativas e propostas sugeridas, fruto da escuta, do diálogo e do debate.
Benedetta Capelli – Vatican News O incentivo para encarar o evento como “um momento de crescimento integral” vem diretamente do Papa Leão, que enviou uma mensagem datada de 24 de setembro, assinada pelo secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin, e dirigida a mons.
Marco Sprizzi, presidente do Departamento do Trabalho da Sé Apostólica.
Foi justamente a Ulsa, em conjunto com o Governatorato da Cidade do Vaticano e graças à assessoria da Pontifícia Comissão para a Proteção de Menores, que organizou “Revelasti ea parvulis.
Tu revelaste essas coisas aos pequenos”, o Seminário-Oficina sobre a tutela de menores e adultos vulneráveis no Vaticano, realizado em 9 de outubro, no salão São Pio X, na Via della Conciliazione, 5.
A iniciativa, destinada aos funcionários da Santa Sé, contou com a participação de mais de 90 funcionários.
Ao enviar a sua saudação, o Pontífice expressa o desejo de que “o evento promova a cultura da proteção nos ambientes da atividade cotidiana, bem como nos ambientes digitais” e convida a viver o dia de aperfeiçoamento como um crescimento “para uma contribuição individual cada vez mais generosa, com vistas a um ambiente no qual todos encontrem acolhimento, respeito e confiança”.
Leão XIV, ao concluir a mensagem, confia cada trabalhador e as respectivas famílias a Maria, Mãe da Igreja, concedendo sua bênção.
O trabalho em modalidade “sinodal” Após a leitura da mensagem do Papa por Sprizzi, cada facilitador – um especialista encarregado de acompanhar o debate dos seis grupos – expôs, em uma breve introdução, as principais linhas do tema designado.
São muitas as facetas e as formas de abordar as vulnerabilidades, desde o local de trabalho até o ambiente digital; desde o conhecimento de práticas e normas para proteger a fragilidade até as assimetrias relacionais.
Escuta, empatia e relação com o outro são palavras que ressoaram repetidamente no salão São Pio X.
Para Daniela Chieffo, psicóloga e facilitadora do grupo “Menores: Ambiente Seguro”, a vulnerabilidade é “uma queimadura”, uma ferida que pode até evoluir para doenças de natureza orgânica.
Por isso, é necessário reconhecer os fatores de risco, ativar os fatores de proteção e envolver a comunidade no processo de acompanhamento. [ Photo Embed: Um dos momentos do Seminário-Oficina da Ulsa] É fundamental conhecer também o impacto da Inteligência Artificial sobre as vulnerabilidades, um tema central da palestra de Margherita Daverio, professora de Filosofia do Direito na Lumsa.
A professora destacou a questão da criação de perfis, dos dados pessoais, mas também o risco de desqualificação devido à confiança excessiva na IA, com o risco de uma dependência do mundo digital.
Outro ponto abordado diz respeito à transformação da interação comunicativa, que nas redes sociais se torna uma comunicação voltada para um olhar público “indefinido”.
A advogada Floriana Gigli, do serviço de acompanhamento da Direção de Saúde e Higiene do Estado da Cidade do Vaticano, ilustrou as importantes normas vigentes na Santa Sé, centradas no interesse superior da criança e no fortalecimento dos direitos da pessoa. “Limites claros protegem” O evento “Assimetrias relacionais” contou com a moderação de Stefano Mattei, diretor de Políticas e do Relatório Anual da Pontifícia Comissão para a Proteção de Menores.
O objetivo foi oferecer um quadro comum para o reconhecimento das assimetrias no próprio serviço.
Os papéis servem para dar ordem, explicou ele; muitas vezes, a assimetria é frutífera, não se trata de abuso, mas é preciso estar atento, pois a prevenção se baseia na relação saudável que se estabelece.
As vulnerabilidades no ambiente de trabalho foram o foco da intervenção de Paolo Santoro, médico do trabalho — da Diretoria de Saúde e Higiene —, que destacou suas diversas formas: permanentes, como as deficiências; temporárias, como a gravidez ou uma doença prolongada; e situacionais, por exemplo, no caso de um trabalhador em situação precária.
Por fim, o último grupo, conduzido por mons.
Luis Alì Herrera, secretário da Pontifícia Comissão para a Proteção de Menores, abordou a “Cultura do cuidado e a dimensão pastoral”.
O bispo destacou a necessidade de limites para um serviço autêntico, seguro e livre.
Em seguida, citou os “limites relacionais” extraídos da teoria da terapia familiar estrutural de Salvador Minuchin, psiquiatra e psicoterapeuta argentino. “Os limites claros – destacou ele – protegem”, pois são uma “configuração saudável”, mas isso não exclui a empatia entre as partes, que se baseia no respeito aos papéis e aos limites.
A presença que acolhe Ao longo da manhã, cada grupo teve a oportunidade de abordar e aprofundar o tema que lhe foi atribuído, em um clima de diálogo e debate construtivo, para depois oferecer aos outros círculos algumas orientações gerais e diversas perguntas surgidas a partir da escuta.
Essas perguntas foram posteriormente encaminhadas a cada grupo e, ao final do dia de formação, deram origem a propostas e ideias interessantes.
Foi dada ênfase especial à atitude a ser adotada na presença de um menor em dificuldade, a fim de inspirar confiança e suscitar uma abertura.
Até mesmo a linguagem corporal, por exemplo, pode ser uma ferramenta: um olhar acolhedor, de fato, pode gerar empatia e levar a uma mudança de perspectiva. “Multivitamínico educacional” – esse foi o termo usado por um dos grupos –: quais são os ingredientes para um relacionamento saudável?
A “lista de compras” é longa: desde saber dar aos filhos as ferramentas para lidar com as frustrações até o direito ao ócio, que estimula a criatividade; a presença e a escuta por parte do adulto, que, no caso dos adolescentes, se traduz no respeito ao silêncio do jovem e aos seus espaços; fundamental, ainda, a certeza do papel dos pais.
As medidas sugeridas Com relação à vulnerabilidade dos adultos no ambiente de trabalho, discutiu-se sobre os procedimentos a serem adotados para uma escuta direta e construtiva em situações de desconforto.
Uma escuta sem julgamento e com o objetivo de mudar o que causa sofrimento.
Em relação aos casos de abuso, foram indicados os procedimentos a serem seguidos em caso de crime, ou seja, a denúncia ao Promotor de Justiça; já no caso de assédio, sugeriu-se a criação de um ponto de contato ou de um centro de acolhimento para quem sinta ter sofrido tal situação.
No campo das vulnerabilidades digitais, outro ponto a ser considerado é o do diálogo intergeracional, um sistema de troca de informações entre diferentes gerações em um clima de comunidade.
Paolo Santoro também ilustrou as consequências do chamado “tecnostress”, a dependência do mundo digital que condiciona o cotidiano profissional e gera ansiedade diante de problemas repentinos.
O intercâmbio entre funcionários jovens e mais velhos – proposto várias vezes – pode ser o caminho para superar as distâncias, mas é necessário sempre se referir ao magistério pontifício e, em particular, à Magnifica humanitas, que coloca o homem de volta no centro de um mundo digitalizado.
Justamente com base na encíclica do Papa Leão, mons.
Sprizzi anunciou uma iniciativa formativa para março.
Levar adiante A manhã foi encerrada com a recitação de uma oração escrita por mons.
Luis Alì Herrera, que nos convida a levar “conosco o que ouvimos: na maneira como falaremos com o próximo que encontrarmos, na maneira como ocuparemos nosso lugar, sem tirar o espaço dos outros, reconhecendo o lugar daqueles que trabalham ao nosso lado”.
Uma oração que uniu ainda mais os mais de 90 participantes do seminário, visto como uma ocasião bem-vinda e construtiva de crescimento e encontro; uma forma de trocar ideias e se conhecer pessoalmente em um clima de grande serenidade.
Mons.
Marco Sprizzi, ao apresentar a iniciativa à mídia vaticana, havia destacado a intenção de “retransmitir o acervo de conhecimentos, reflexões e percepções úteis para a vida profissional no Vaticano, mas também para a vida em família e na sociedade”.
Um objetivo, sem dúvida, alcançado.