Pepetela - O Fiel da Geração da Utopia

Pepetela - O Fiel da Geração da Utopia
Fonte: VATICANO

Os 30 anos da CPLP, Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, foram assinalados no dia 10/10/26 com a X edição da Gala de Prémios Lusofonia. Foi no Casino Estoril, perto de Lisboa. Numerosos os premiados. De entre eles, o escritor angolano Pepetela. A ele dedicamos o programa “África em Clave Cultural: personagens e eventos” deste dia 15/10/26. Dele falam o poeta e editor Filinto Elísio e o professor Giorgio De Marchis da Cátedra Agostinho Neto na Universidade Roma Tre.

Dulce Araújo - Vatican News Pepetela - revela o próprio autor  - é o nome que lhe foi dado quando era combatente pela libertação de Angola, altura em que começou a escrever com base na experiência de vários combatentes.

Seguem-se, ao longo dos anos, as numerosas obras de que Artur Pestana é hoje autor, todas assinadas  com o pseudónimo Pepetela.

Esse percurso literário que reflete a vida e a sociedade angolanas, passa pela Geração da Utopia, à qual, segundo Filinto Elísio, Pepetela permanece fiél.  A seguir,  a crónica que este poeta e editor (Rosa de Porcelana Editora) escreve acerca do Pepetela sob o título:  "Pepetela – O fiel da geração da Utopia"  Crónica   "Realizou-se 10ª edição da Gala Prémios da Lusofonia no passado dia 10 de outubro de 2026, no Casino Estoril, integrada nas comemorações dos 30 anos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

O Prémio Excelência Lusófona (Homenagem) foi atribuído a Francisco Guterres (Timor-Leste).

Na categoria Teatro e Cinema, o prémio foi a Gorsy Edú (Guiné Equatorial); no Desporto, a João Saraiva - Madjer (Portugal); em Moda e Estilismo, a Cristina Martins GRANT (Guiné-Bissau); em Acão Empresarial, à Associação das Indústrias de Madeira e Mobiliário de Portugal (Portugal); em Música do Mundo, a Mayra Andrade (Cabo Verde); e em Literatura, a Artur Pestana dos Santos – Pepetela (Angola).

Na Comunicação Social, o contemplado foi Nuno Sardinha (Portugal); o Prémio Especial Lusofonia – Área de Cidadania, a Vera Duarte Pina (Cabo Verde); o Prémio Diplomacia Lusófona, a Gonçalo Mello Mourão (Brasil); o Prémio Especial Lusofonia, a Ilza Amado Vaz (São Tomé e Príncipe); e o Prémio Excelência Lusófona, a Ana Dias Lourenço (Angola).

O Prémio Excelência Lusófona, na Área dos Direitos Humanos, contemplou Graça Machel (Moçambique); o Prémio Especial Lusofonia, para Carolina Cerqueira (Angola); e o Prémio Carreira, para Manuel Pinto da Costa (São Tomé e Príncipe).

De entre os premiados, optamos por realçar o escritor angolano Pepetela, pseudónimo de Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos, conhecido internacionalmente por “aquele que escreveu o romance Mayombe (1979), sobre as vidas e os pensamentos de um grupo de guerrilheiros do MPLA durante a luta anticolonial e de libertação de Angola, país tornado independente em 11 de novembro de 1975.

Antes de Mayombe, Pepetela havia escrito, em 1972, As Aventuras de Ngunga e em 1978, Muana Puó.

Entretanto, escreveu vários romances, algumas peças de teatro e crónicas, uma obra que reflete a realidade e a utopia do povo angolano, bem como os seus dramas históricos e existenciais, alguns dos quais prevalecentes.

Pepetela nasceu em 19 de outubro de 1941, filho de pais portugueses nascidos em Angola, na cidade de Benguela.

Foi batizado como de Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos.

Fez os seus estudos primários na sua cidade natal e depois mudou-se para Lubango, a fim de frequentar o Liceu Diogo Cão.

Na sua juventude, um tio que era jornalista apresentou-lhe uma variedade de pensadores da esquerda e terá sido influenciado por um padre chamado Noronha, que também tinha ideais revolucionários.

Mais tarde, partia para Portugal para a formação universitária, em 1958, ao curso de engenharia no Instituto Superior, que mudou em 1960 para o curso de letras na Universidade de Lisboa.

Já em 1961, Pepetela faz a opção política que viria a mudar o rumo da sua vida e a marcar toda a sua obra, tornando-o um narrador de uma história de Angola que conhece.

Pepetela tornou-se militante do MPLA, em 1963.

Escreveu, em 1985, a sátira O Cão e os Caluandas e o romance Yaka, sobre a vida de uma família colonial na cidade de Benguela ao longo de um século, e, depois A Geração da Utopia (1992), em que se nota o seu desapontamento com os rumos da sociedade angolana pós a independência.

Os romances seguintes O Desejo de Kianda (1995) e Parábola do Cágado Velho (1997), consolidam a sua desilusão para com o sistema político.

Em A Gloriosa Família (1997), como outrora em Lueji (1990), assume sagas de uma Angola ainda colonial.

Nos anos 2000 critica a situação angolana, em textos satíricos, como os dos romances Jaime Bunda, Agente Secreto (2001), Jaime Bunda e a Morte do Americano (2003), Predadores (2005), O Planalto e a Estepe (2009), A Sul.

O Sombreiro (2011) e Sua Excelência de Corpo Presente (2018), que obteve o Prémio Correntes de Escrita, entre outros.

Em 1997, foi galardoado com o Prémio Camões, pelo conjunto da sua obra.

Pepetela abandonou a vida política, e o cargo de vice-ministro da educação e optou pela carreira de docente da Faculdade de Arquitetura da Universidade Agostinho Neto, em Luanda, onde reside." [ Audio Embed Oiça a crónica do Filinto Elísio sobre Pepetela] [ Photo Embed: O Professor Giorgio De Marchis num encontro sobre literaturas e culturas de expressão portuguesa ] Para o professor Giorgio De Marchis, a obra de Pepetela ultrapassa as fronteiras de Angola (cuja história acompanha) para se colocar como um dos mais importantes romancistas do universo lusófono.

A sua obra emblemática é, no olhar do Coordenador da Cátedra Agostinho Neto, a "Geração da Utopia", mas não se pode esquecer que Pepetela atravessa os 50 anos de literatura de Angola pós-independência, sem deixar de lado a era pré-colonial.

Assim sendo, ele é um autor de que os alunos da Cátedra Agostinho Neto não podem prescindir.

Aliás, ele já esteve uma vez a dialogar diretamente com eles, e Giorgio De Marchis espera que com as novas possibilidades de encontros on line (se não puder ser em presença) tenham de novo a possibilidade de dialogar com ele.

E talvez isso se venha a fazer no âmbito do Protocolo de Cooperação com a Academia Angolana de Letras que a Cátedra assinou há poucos meses e que trouxe a Roma diversas figuras da cultura e da sociedade angolanas.

Feliz que o Prémio Literatura da Lusofonia tenha sido atribuído a este escritor, De Marchis espera que ele continue a escrever, pois a sua escriata faz falta.  [ Audio Embed Oiça a entrevista com o professor Giorgio De Marchis] Aqui fica também a emissão que, para além da crónica e da entrevista, traz  também algumas palavras do próprio Pepetela tiradas do You Tube.  [ Audio Embed Oiça a emissão "África em Clave Cultural: personagens e eventos" ]

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