200 anos de relações entre Brasil e Santa Sé com lançamento de livro em Roma - Vatican News via Acervo Católico

  • Home
  • -
  • Notícias
  • -
  • 200 anos de relações entre Brasil e Santa Sé com lançamento de livro em Roma - Vatican News via Acervo Católico
200 anos de relações entre Brasil e Santa Sé com lançamento de livro em Roma - Vatican News via Acervo Católico
Fonte: VATICANO

No âmbito da programação cultural do Bicentenário das Relações Diplomáticas ente o Brasil e a Santa Sé, na terça-feira (14/04) foi realizado o lançamento do livro "Chiesa e Stato in Brasile: Religione, politica e società nella Repubblica (1889-1945)", do pesquisador Jair Santos. O evento contou com discussão temática entre professores universitários italianos, moderada pelo jornalista Guglielmo Gallone (L’Osservatore Romano).

Vatican News A Embaixada do Brasil junto à Santa Sé, no âmbito da programação cultural do Bicentenário das Relações Diplomáticas, promoveu na terça-feira (14/04), no Palácio Caetani, o lançamento do livro "Chiesa e Stato in Brasile: Religione, politica e società nella Repubblica (1889-1945)" ("Igreja e Estado no Brasil: Religião, política e sociedade na República (1889-1945)" na tradução livre", do historiador Jair Santos, pesquisador da École française de Rome. Após as saudações institucionais do embaixador Everton Vieira Vargas, seguiram-se as intervenções dos professores Luigi Guarnieri Calò Carducci (Universidade Roma Tre), Gianni La Bella (Universidade de Modena e Reggio Emilia) e Gabriele Rigano (Universidade Roma Tre), moderadas por Guglielmo Gallone (jornal vaticano L’Osservatore Romano). O encontro ofereceu uma ampla perspectiva sobre a relação entre religião e política no Brasil contemporâneo, a partir de uma pesquisa histórica que tem suas raízes entre os séculos XIX e XX, mas que, nas palavras dos palestrantes, abre caminho para questões ainda atuais. Nesse contexto, insere-se a reflexão do autor, que resgata o sentido da obra com um olhar ao mesmo tempo pessoal e histórico: «a publicação do primeiro livro é sempre um momento especial – explica Santos – é como uma passagem: o trabalho não pertence mais apenas à comunidade acadêmica, mas é também submetido ao julgamento de um público mais amplo». Daí a passagem para o cerne do livro: «eu estava interessado em compreender de que maneira essa reação do mundo católico à secularização teve eco no contexto brasileiro». Além disso, esclarece o autor, «o objetivo do livro é aplicar ao caso do Brasil um quadro analítico elaborado pela historiografia italiana, que identifica nos acontecimentos político-religiosos da era contemporânea a origem de uma reação do mundo católico hostil à modernidade política». E é assim que surge um dos elementos mais originais da pesquisa: «no caso do Brasil – esclarece Santos – a separação entre Estado e Igreja, após a proclamação da República, deu origem a um acordo político-religioso que não derivava de um concordato, mas se baseava em interesses recíprocos. A Igreja assegurava ao Estado o consentimento dos católicos ao regime republicano; o Estado garantia à Igreja plena liberdade de ação de acordo com as diretrizes romanas. As autoridades civis e religiosas convergiam, além disso, em um tema central naquele período: a imigração, necessária tanto para o Estado quanto para a Igreja». As dinâmicas a partir do caso Brasil Nessa linha se inscreveram também as observações dos palestrantes. O professor La Bella insistiu no fato de que o fator religioso não pode ser compreendido sem se observar a forma como um Estado nasce: o caso brasileiro, desprovido de uma ruptura revolucionária, segue uma trajetória diferente daquela europeia, com consequências visíveis também na forma como a Igreja se relaciona com questões sociais como as migrações. Tanto La Bella quanto Rigano evocaram, além disso, o conceito de “romanização”, interpretando o volume como uma contribuição para a compreensão de como evoluiu a relação entre Roma e o mundo, ou seja, entre o centro e as Igrejas locais. Um aspecto também destacado pelo professor Carducci, que ampliou o quadro para o contexto americano, evidenciando semelhanças e diferenças entre os diversos países do continente e ressaltando o valor das fontes diplomáticas — em particular as do Vaticano — para reconstruir essas dinâmicas em profundidade. O contexto da imigração e a missão de Scalabrini É, porém, quando o discurso se volta para o presente que a obra de Santos revela toda a sua atualidade. «O tema da imigração — observa o autor — já era central no início do século XX e dividia a opinião pública exatamente como hoje». De um lado, no Brasil, o temor de que a chegada de imigrantes pudesse colocar em questão uma identidade nacional ainda frágil; do outro, na Itália, o debate sobre a regulamentação de um fenômeno que levava milhões de pessoas a partir. Nesse contexto, a figura de João Batista Scalabrini surge como um paradigma porque, prossegue Santos, «em vez de se perder em debates ideológicos para determinar se a imigração era um bem ou um mal, o bispo de Piacenza a considerou um fenômeno social inevitável, cujos resultados podiam ser positivos ou negativos, dependendo sobretudo da forma como era gerido pelas autoridades competentes». O novo panorama religioso no Brasil Ainda mais significativa é a referência à transformação do panorama religioso brasileiro. Nos últimos quarenta anos, destaca o professor Santos, «a adesão ao protestantismo cresceu de forma progressiva: segundo os censos oficiais, passou de 1% da população em 1945 para 6% em 1980, «até 27% atualmente». Um dado que muda a perspectiva: o catolicismo não recua tanto por efeito da secularização, mas sim pelo crescimento de um novo ator religioso, o protestantismo pentecostal de origem norte-americana, capaz também de se articular politicamente sem a necessidade de alianças com o mundo católico. Daí a consciência de estarmos diante de uma mudança estrutural, que afeta não apenas o Brasil, mas, de maneira mais geral, a forma como se redefinem as relações entre religião, sociedade e política. “Não cabe ao historiador fazer previsões – admite Jair Santos –, mas cabe à história esclarecer as causas”.

Ajude a manter o site no ar

Uma pequena doação garante que esse conteúdo continue disponível

Donate

Siga-nos

Acervo Católico

© 2024 - 2026 Acervo Católico. Todos os direitos reservados.