"A beleza da Pascom é fazer as pessoas se encontrarem", afirma prefeito Ruffini - Vatican News via Acervo Católico

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"A beleza da Pascom é fazer as pessoas se encontrarem", afirma prefeito Ruffini - Vatican News via Acervo Católico
Fonte: VATICANO

O prefeito do Dicastério para a Comunicação da Santa Sé está no Brasil para participar do 9º Encontro Nacional da Pascom no Santuário Nacional de Aparecida. Na abertura, Paolo Ruffini refletiu sobre o tema do evento “Evangelização em movimento: a dimensão pastoral da comunicação” e propôs novas formas de se colocar em caminho, sobretudo em tempos de IA. "Somos responsáveis" pela mudança, em fortalecer a rede da Igreja e das pessoas de bem, dando "atenção ao rosto e à voz da pessoa humana".

Andressa Collet - Vatican News O prefeito do Dicastério para a Comunicação, o jornalista Paolo Ruffini, participa do 9º Encontro Nacional da Pascom no Santuário Nacional de Aparecida/SP que, a partir desta sexta-feira (24/07), reúne cerca de 1500 comunicadores de 19 regionais que pertencem à CNBB, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. A presença da Santa Sé no Centro de Eventos Padre Vítor Coelho de Almeida reforça a importância da comunicação na missão evangelizadora da Igreja.  A conferência do prefeito foi realizada logo após a solenidade de abertura e direcionada ao tema do encontro, ou seja, “Evangelização em movimento: a dimensão pastoral da comunicação”, promovido durante três dias pela Comissão Episcopal para a Comunicação Social da CNBB. Na intervenção em português, Rufffini começou recordando a fonte da vocação de cada comunicador, chamado a ser "discípulo missionário em movimento, isto é, em caminho", que conduz "à substância comunional de nossa rede de comunicadores. Àquilo que nos torna uma rede que liberta, maior do que nossas funções individuais", porque a raiz é uma só: e é divina."O que comunicamos, mesmo quando narramos fatos, notícias; mesmo quando projetamos e usamos a tecnologia para isso; tem uma chave que nos transcende. E ilumina cada coisa", afirmou o jornalista, é o amor que não se faz "com retórica vazia, com slogans, com frases feitas. Não como uma empresa que raciocina em termos de quotas de mercado a conquistar e defender. Indiferente, talvez, à verdade e à dignidade das pessoas". Os diferentes movimentos da comunicação Com a velocidade dos tempos atuais, continuou o prefeito, há diferentes tipos de movimentos, dos importantes e essenciais àqueles sem sentido, por isso a necessidade de refletir sobre o presente, "nossa comunicação mais participativa, mais missionária. Sinal visível da comunhão que nos une. E da caridade que tudo explica". Ruffini, então, rezou com os pasconeiros a oração do Papa Francisco para o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2021, pedindo a Deus para ajudar a buscar o caminho da verdade sem pressa, com dedicação e honestidade. O Pontífice argentino, continuou analisando o prefeito, "advertiu várias vezes a não cair na tentação do movimento hiperativo e estéril de quem crê que a Igreja seja um produto de nossas análises, de nossos programas, acordos e decisões", da "própria autopromoção" como se "os comunicadores da Igreja fossem uma classe classe superior". O movimento da Igreja, enalteceu Ruffini, como o próprio desafio comunicativo, "se não é o de um povo em caminho, corre o risco de se perder". O jornalista, então, citou um documento sobre as armadilhas evidenciadas pelas redes sociais publicado pelo Dicastério para a Comunicação de título "Rumo a uma plena presença". Uma delas é recordar que esses serviços não são gratuitos, porque "estamos pagando com minutos de nossa atenção e bytes de nossos dados". Outra armadilha recai sobre a desinformação e a má informação através de fake news, por tornar-se "cada vez mais difícil verificar as fontes e a precisão das informações que circulam no meio digital". Nesse contexto, Ruffini ainda recorda sobre certos desvios impostos pela Inteligência Artificial em um "mundo artificial privado de verdadeira liberdade", tudo que forma "uma teia de aranha que nos prende. O contrário exato de uma rede de conhecimento e amor que liberta". Sem medo de mudar Por isso a importância da Pastoral da Comunicação de se fundamentar na formação para usar as mídias, "erguer o olhar", saber ensinar inclusive os grupos de discursos agressivos e pensar "em como podemos ser protagonistas ativos de um novo humanismo na era digital: "cabe a nós envolver nessa reflexão as jovens gerações; e também mundos externos ao eclesial: jornalistas, escritores, artistas, engenheiros da informática, economistas". Diante de um "clima cada vez mais polarizado e tóxico" que ameaça democracias e influencia o individualismo, o prefeito se uniu ao convite do Papa para "'desarmar a comunicação', desarmar as palavras, construir uma comunicação de diálogo e de paz": "Vivemos um tempo de grandes mudanças: a questão é se nos deixamos guiar pela corrente ou guiamos a mudança, se nos deixamos aprisionar pela rede ou lançamos as redes do outro lado. Para fazer isso, precisamos…. mudar de paradigma, não ter medo, aceitar o desafio. Ir além de todo tecnicismo que reduz a comunicação à conexão; o conhecimento a uma resposta fácil e superficial; a educação a uma «fábrica de resultados» imediatos, mas destinados a durar tão pouco tempo quanto o que foi necessário para obtê-los. Precisamos um modelo que eduque «à sede, ao desejo, ao sonho»." A questão "deveria preocupar quem tem no coração a liberdade de informação, a comunicação autêntica, o conhecimento e as relações", continuou Ruffini, para poder distinguir "entre a comunicação das máquinas e a comunicação humana", como Leão XIV alerta na encíclica Magnifica humanitas. É necessária uma ação "para repensar radicalmente o modo de governar essas tecnologias. Caso contrário, delegaremos a um oligopólio o poder de definir o que é verdadeiro, o que é ético, o que é dizível para bilhões de pessoas. Isso deveria nos assustar muito mais do que parece.  O mundo católico — está nos dizendo com força o Papa Leão — tem o dever de pensar também nisso", refletiu o jornalista. A beleza da Pascom e as alternativas de mudança O prefeito sugeriu, por exemplo, inserir um módulo sobre comunicação junto à Pastoral Juvenil, "para envolver os mais jovens no desafio". Ele citou novamente Magnifica humanitas sobre o uso da Inteligência Artificial, provocando a "educar-se a jejuar de IA". Ao contrário, se usarmos para experiências de beleza e oração, pode ser um recurso para o bem comum, podendo "passar do diagnóstico à terapia: abrindo caminho ao diálogo, ao encontro, ao sorriso, à carícia... Esta é a rede que queremos. Uma rede não feita para aprisionar, mas para libertar, para custodiar uma comunhão de pessoas livres. A própria Igreja é uma rede tecida pela comunhão eucarística, onde a união não se funda nos 'likes', mas na verdade, no 'amém', com o qual cada um adere ao Corpo de Cristo, acolhendo os outros". O desafio proposto por Ruffini, assim, foi dar atenção ao rosto e à voz da pessoa humana: "somos nós sua origem e seu fim; portanto, em última análise, também os primeiros responsáveis por como ela nos transforma. Somos nós os custódios da identidade e da mudança. Nunca poderíamos abdicar da tarefa, que cabe a cada um de nós, de escrever não só sua história pessoal, mas a do mundo que virá. Custodiando o próprio rosto e o dos outros. A própria voz e a dos outros". Além disso, a economia da comunicação é diretamente proporcional à verdade, à transparência das fontes, à qualidade da informação: "um conhecimento digno da nossa inteligência. Uma relação que não seja apenas cálculo" para "fortalecer nossa rede e oferecê-la ao mundo todo como um lugar seguro". Ao tratar das estratégias de marketing dentro do jornalismo, o prefeito alertou: "jamais, jamais podemos transformar o Evangelho em um produto a ser vendido, a Igreja em uma empresa, os fiéis em clientes, Jesus em uma marca. O marketing vive de troca. Jesus vive de dom. O marketing cria necessidades. Jesus responde às necessidades verdadeiras". A comunicação por pessoas de boa vontade "deve ser diferente, nunca padronizada. Mesmo quando escrevemos comunicados, devemos pensá-los como uma proposta de encontro. Como uma peça única. Cinzelada à mão. Que transforma os olhares, e com eles também as coisas, a história. Assim fazia Jesus". Uma comunicação fundada na doação de si, continuou Ruffini, tem poderes encorajadores que ajudam "a superar as narrativas estereotipadas e contribuir para sanar o ambiente polarizado". Novas narrativas podem "custodiar" a comunhão que une, os talentos e histórias, o bem e o belo, e ser instrumentos de inclusão e esperança. É preciso, assim, finalizou o prefeito do Dicastério para a Comunicação se direcionando às novas escolhas da Pascom, reencontrar um caminho que seja diferente daquele do "cálculo, do negócio, do marketing": "Hoje, mais do que nunca, é o momento para a Igreja saír de seus próprios muros, de não pensar de modo estático, mas dinâmico; é tempo de construir a comunhão através de todos os instrumentos da comunicação; de inventar projetos de colaboração... de trabalhar em comunhão com as equipes de comunicação que atuam nos diversos países e cidades; para tornar manifesta a unidade em que tudo existe. Para estarmos cada vez mais uns ao serviço dos outros. Para oferecer ao mundo um sistema de informação global baseado na pesquisa e no compartilhamento da verdade. Esta deveria ser nossa marca."

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