"Um cristão no corredor da morte": livro com prefácio do Papa Francisco

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"Um cristão no corredor da morte": livro com prefácio do Papa Francisco
Fonte: VATICANO

Lançado pela Livraria Editora Vaticana (LEV) em 2024, o testemunho de Dale Recinella sobre os 27 anos como capelão leigo na Flórida (EUA), chega agora ao público lusófono pela editora Paulinas.

Gabi Bonvechio - Vatican News Fruto dos anos de acompanhamento no corredor da morte da Flórida (EUA), a obra não se apresenta como um tratado jurídico, mas como o relato de uma experiência espiritual.

Segundo a da Livraria Editora Vaticana (LEV), trata-se da história de um homem que levou a sério as palavras de Cristo e trocou o mundo da finança pelo mundo do cárcere.

Após acolher o convite do seu pároco para "ver o mundo como Deus o vê", Recinella chegou à Florida State Prison para tornar-se acompanhante espiritual de um condenado à morte.

A partir desse dia, foram dezenas os reclusos destinados ao patíbulo que ele acompanhou até ao fim.

Ao longo do volume, cada encontro narrado surge como uma denúncia da barbárie que é a pena capital, mas sempre a partir do olhar cristão.

O autor não apresenta monstros, mas homens concretos, ainda capazes de amar, de pedir perdão e de se arrepender. Ao mesmo tempo, o livro narra a sua própria conversão: de um advogado que deixou Wall Street para servir nas prisões da Flórida, onde a misericórdia alcança os últimos.

O que diz o Papa Francisco no prefácio No prefácio, o Papa relevela que encontrou Dale Recinella numa audiência e passou a conhecê-lo melhor por meio dos artigos que escreveu para o L'Osservatore Romano.

O pontífice descreve o trabalho do capelão leigo como uma tarefa “dificílima, arriscada e árdua”, porque toca o mal em todas as suas dimensões: o mal irreparável causado às vítimas, o mal vivido pelo condenado que se sabe destinado a uma morte certa, e o mal que a própria prática da pena de morte instila na sociedade.

Francisco reitera que “a pena de morte não é de modo algum a solução” e que as execuções, “longe de fazer justiça, alimentam um sentimento de vingança que se transforma num veneno perigoso para o corpo das nossas sociedades civis”.

O Santo Padre destaca ainda o contributo da esposa do autor, Susan, e concluil, agradecendo comovido a missão de Recinella, recordando que, como Cristo na cruz acolheu um ladrão condenado, “nem mesmo o mais abjeto dos nossos pecados desfigura, aos olhos de Deus, a nossa identidade: permanecemos seus filhos”. [ Photo Embed: A assinatura do Papa Francisco no prefácio da obra] Sobre o autor Dale Recinella nasceu em 1951, nos Estados Unidos.

Formou-se em Direito na importante Universidade de Notre Dame (Indiana) e construiu uma carreira de sucesso como advogado tributarista em Wall Street, Miami e Tallahassee.Casado e pai de família, após duas experiências marcantes de encontro com a finitude da vida, começou a questionar-se: "Que quer Deus de mim?".

A resposta levou-o a uma conversão radical.

Com o apoio da esposa Susan, deixou a advocacia para dedicar-se integralmente aos últimos: primeiro moradores de rua, depois doentes de AIDS nos anos 80, reclusos comuns e, a partir de 1998, aos condenados do corredor da morte da Flórida.

Há quase três décadas, como capelão leigo, ele entra diariamente nas celas do corredor da morte, um dos mais severos dos Estados Unidos, para oferecer escuta, e acompanhamento humano até o momento da execução.O seu trabalho foi reconhecido em 2021 com prêmio Guardião da Vida, conferido pela Pontifícia Academia para a Vida.  

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