“A comunicação deve fortalecer diálogo, participação democrática e bem comum”

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“A comunicação deve fortalecer diálogo, participação democrática e bem comum”
Fonte: VATICANO

Numa reflexão à volta do capítulo IV da Magnifica Humanitas (MH) do Papa Leão XIV e em declarações à Rádio Vaticano, Sílvia Afonso, Docente na Universidade Católica Moçambique (UCM), destacou o papel da comunicação na formação da opinião pública e do imaginário coletivo e que ela é chamada a fortalecer o diálogo, a participação democrática e o bem comum, sobretudo nesta época de transição para as tecnologias digitais e a inteligência artificial.

P.

Bernardo Suate – Cidade do Vaticano Sílvia Afonso, professora das Ciências da Comunicação na Universidade Católica de Moçambique (UCM) – Extensão de Maputo, em recente entrevista aos media do Vaticano reiterou que Leão XIV, especialmente num contexto marcado pela crescente influência da IA, reafirma a centralidade da pessoa humana e da sua dignidade e, com a MH, convida a uma reflexão ética sobre a necessidade de colocar essa dignidade no centro do desenvolvimento tecnológico.

Temos hoje, na verdade, observa a Docente de comunicações, dois tipos de analfabetos: os que não sabem ler nem escrever e os analfabetos digitais e, nesta perspectiva, a comunicação deixa de ser um mero instrumento de difusão de informação para assumir uma missão educativa, formativa e humanizadora.

Aliança educativa para a era digital Daí, a importância de uma aliança educativa para a era digital, com a cooperação entre a família, a escola, os meios de comunicação, a Igreja e as plataformas digitais, para promover uma cultura do discernimento, da verdade, da responsabilidade e da solidariedade, enfatiza Sílvia.

Comunicadores, instituições, líderes religiosos e cidadãos comprometidos são, por conseguinte, chamados à cooperação, cada qual segundo o seu nível e atribuições, a juntar esforços numa comunicação ética, crítica e orientada para o bem comum.

Num ambiente mediático caracterizado pela rapidez da informação, pela desinformação, pela manipolação algorítmica, fragmentação das audiências, torna-se indispensável formar cidadãos capazes de exercer um pensamento crítico e um uso ético das tecnologias digitais – sublinha ainda Sílvia Afonso, citando a Encíclica do Santo Padre.

A verdade um bem comum, não é propriedade de indivíduos, grupos ou plataformas Outro importante conceito ressaltado por Sílvia na sua leitura da Magnifica Humanitas è o da verdade como bem comum, o que implica reconhecer que a verdade não é propriedade de indivíduos, grupos ou plataformas, mas um património que sustenta a convivência humana, a confiança social e a busca do bem comum.

E, com exemplos, a professora ilustra o potencial e os perigos da IA para crianças, jovens e adultos, e de quanto é fundamental hoje usar todos os meios à disposiçã para reafirmar que a verdade não pode ser entendida apenas como exactidão factual, mas como um caminho para o encontro com Deus, com o próximo e consigo mesmo.

A terminar, uma sugestão concreta e prática para a “migração” da era analógica à era digital, da comunicação tradicional àquela na era da IA: “comunicar para aprender e educar a sociedade na era digital, ou seja, temos que aprender o novo modus vivendi da sociedade da informação“, concluiu dizendo a professora universitária. [ Audio Embed Oiça a entrevista com a Prof.

Sílvia Afonso, e partilhe]

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