A três dias da chegada do Papa Leão XIV ao Uruguai, o clima que se respira na capital é de total normalidade. A Universidade Católica do Uruguai, se prepara para receber o Papa durante sua viagem apostólica ao país. Mídia Vaticana conversou com o reitor, padre Julio Fernández Techera.
Silvonei José e Sebastián Sansón Ferrari – enviados Montevidéu Há visitas que não apenas reúnem uma comunidade, mas também despertam a memória.
A chegada do Papa Leão XIV à Universidade Católica do Uruguai, neste sábado, 7 de novembro, durante sua viagem apostólica ao país, será uma delas.
Entre suas salas de aula e corredores, ressoa novamente a lembrança de São João Paulo II, que há quase quatro décadas cruzou pela primeira vez os portões desta instituição de ensino, quando a universidade mal começava a escrever sua história.
Hoje, com uma trajetória muito mais extensa e uma comunidade consolidada, a UCU se prepara para receber, pela segunda vez, um sucessor de Pedro.
Para o padre Julio Fernández Techera, seu reitor, o encontro tem um caráter de continuidade histórica, mas também de presente inesperado: uma alegria que chega ao final de dez anos de serviço e que ele sente como uma medalha de ouro para seu percurso à frente da instituição.
Uma memória que volta a se fazer presente Há, além disso, uma memória que permanece viva além dos muros da universidade.
Para aqueles que já têm uma longa trajetória de vida, a visita de São João Paulo II ao Uruguai também evoca aquela missa com grande afluência de fiéis celebrada na região de “Tres Cruces”, a poucos passos da sede da UCU.
Lá foi erguida a cruz que lembra a presença do pontífice polonês, em um ambiente que, com o passar dos anos, foi adquirindo novas características, com o terminal de ônibus e um importante shopping center.
A cruz permanece como um sinal visível daquele dia e como uma referência a uma memória compartilhada por várias gerações de uruguaios.
A primeira visita papal ocorreu quando a Universidade Católica tinha apenas três anos de existência.
Ainda não havia formandos e suas dimensões eram muito diferentes das atuais.
No entanto, a presença de João Paulo II representou um apoio decisivo para uma instituição que dava seus primeiros passos. “Foi muito importante o apoio que ele deu à fundação da universidade e o incentivo que essa visita representou”, lembra Fernández Techera. [ Photo Embed: O reitor, padre Julio Fernández Techera.] A expectativa no Uruguai diante da chegada do Papa Leão XIV O reitor também conhece essa história por experiência própria.
Há 38 anos, ele era estudante da UCU e estava no pátio — hoje transformado no terraço São João Paulo II — quando o pontífice polonês chegou para se encontrar com os jovens.
Uma cena que permanece em sua memória e que, de certa forma, voltará a ganhar vida com a chegada de Leão XIV.
A universidade que receberá Leão XIV, que no passado também atuou como professor, é, no entanto, uma instituição muito diferente daquela de 1988.
Hoje conta com cerca de 8.000 estudantes, três campos em diferentes pontos do país e cerca de 30 mil graduados. “É como um novo reconhecimento neste momento, uma universidade muito mais consolidada”, destaca o reitor, que define a ocasião como “um grande privilégio”.
Os preparativos começaram vários meses antes da visita ser oficializada.
No final de maio, surgiram as primeiras possibilidades de que a UCU fosse escolhida como sede do encontro do Papa com o mundo da educação.
Desde então, foi formada uma equipe de trabalho e tiveram início as tarefas de organização e adaptação dos espaços.
A confirmação chegou em setembro, embora, a essa altura, o entusiasmo já tivesse mobilizado boa parte da comunidade universitária.
O reitor recebeu a Midia Vaticana para uma conversa, mas a rotina habitual da universidade continuava com uma intensa agitação de preparativos.
Ao movimento cotidiano dos estudantes que saíam das aulas, na Aula Magna, realizavam-se testes no órgão; em outras áreas, avançava-se com a instalação de um vitral e a adaptação dos espaços.
Por momentos, até mesmo o som de uma furadeira se fazia ouvir em meio às conversas e à agitação do dia.
A visita do Papa começava a se tornar presente também dessa forma: nos detalhes, no trabalho silencioso e nos preparativos que iam transformando a universidade.
Padre Fernández Techera destaca especialmente a dedicação dos estudantes, professores e funcionários.
Ele reconhece, inclusive, que a exigência daqueles que participam dos preparativos superou a sua própria. “O que me chamou a atenção é que eles são mais exigentes do que eu”, comenta com um sorriso.
Por trás de cada detalhe, explica, está o desejo de receber o Santo Padre com o cuidado e a hospitalidade que uma visita dessa natureza merece. [ Photo Embed: UCU] Estudante brasileira A estudante brasileira de odontologia da Universidade Católica do Uruguai, Agustina Rodríguez, também conversou com a Mídia Vaticana recordando os preparativos e a importância da visita do Papa Leão XIV. “A notícia da visita – disse ela - foi recebida inicialmente como uma surpresa de grande proporção e uma alegria enorme para a comunidade".
Além da preparação espiritual, há uma logística detalhada por trás do evento, envolvendo estudantes, a pastoral e voluntários que vão participar e ajudar no momento. [ Photo Embed: Interior da UCU] Diálogo Inter-religioso e Inteligência Artificial O Papa, - disse a estudante - cuja encíclica "Magnifica humanitas" trata de fraternidade e amizade social, traz reflexões fundamentais sobre os desafios da inteligência artificial na educação.
A Universidade Católica - acrescentou - por ser um lugar que acolhe pessoas de outras religiões, destaca a convivência na diversidade e a importância de dar espaço a diferentes crenças.
Para Agustina, a viagem do Papa para além da capital representa uma oportunidade de inclusão, pois permite que pessoas que não têm a oportunidade de sair das suas cidades possam encontrar o Papa e escutar sua mensagem.
A visita a outras cidades do interior do Uruguai é vista como uma grande bênção, especialmente para estudantes que não são católicos, significando uma honra espiritual e cultural.
Atividades da Pastoral Universitária Falando sobre a pastoral universitária acrescentou que a mesma desempenha papéis diversos, abrangendo voluntariados em bairros carentes, apoio a idosos e atividades de formação para pessoas que frequentam a universidade e desejam receber os sacramentos.
Com a proximidade da visita papal, a expectativa é de renovação e união para toda a comunidade acadêmica.