Fundador das Oficinas de Oração e Vida, sacerdote capuchinho espanhol dedicou sua missão à evangelização e à oração contemplativa. A investigação diocesana reunirá testemunhos e escritos para examinar sua vida, suas virtudes e sua fama de santidade.
Jackson Erpen - Cidade do Vaticano A Arquidiocese de Guadalajara, no México, abriu oficialmente, em 6 de outubro de 2026, a fase diocesana da causa de beatificação e canonização de frei Ignacio Larrañaga Orbegozo, sacerdote capuchinho e fundador das Oficinas de Oração e Vida (TOV).
A iniciativa marca o início da investigação eclesiástica sobre a vida, as virtudes cristãs e a reputação de santidade do religioso, falecido em 2013. A cerimônia foi realizada na cúria arquidiocesana e presidida pelo bispo auxiliar de Guadalajara, dom Juan Manuel Muñoz Curiel, em representação do cardeal José Francisco Robles Ortega, arcebispo da cidade.
Durante o ato, foram lidos o nihil obstat do Dicastério para as Causas dos Santos, que confirma não haver impedimento à abertura do processo, e o decreto arquidiocesano que formalizou o início da causa.
A competência da Arquidiocese de Guadalajara para conduzir essa etapa está relacionada ao fato de Frei Ignacio ter falecido em seu território, em 28 de outubro de 2013, aos 85 anos, durante uma visita à região para participar de um encontro de formação. Um buscador incansável de Deus Durante a cerimônia, dom Juan Manuel Muñoz Curiel recordou frei Ignacio como um «incansável buscador de Deus» e um «místico do nosso tempo».
Segundo o bispo, o sacerdote soube transmitir a riqueza da espiritualidade contemplativa franciscana por meio de um método simples e acessível, ajudando pessoas de diferentes realidades a aprofundar sua relação com Deus.
O prelado ressaltou que a abertura da causa não significa simplesmente apresentar uma figura religiosa para ser admirada, mas recordar que a santidade é uma vocação de todos os batizados.
A trajetória de Frei Ignacio, com suas dificuldades, limitações e desafios apostólicos, é apresentada como testemunho de confiança em Deus e de entrega à missão evangelizadora.
Inspirando-se nesse legado, o bispo convidou os fiéis a sair da mediocridade espiritual e a abraçar com coragem o chamado à santidade.
A investigação, portanto, pretende examinar de maneira rigorosa uma vida que deixou marcas na espiritualidade católica, especialmente no campo da oração pessoal e comunitária. Testemunhas e escritos serão examinados Entre os primeiros atos processuais, o postulador diocesano da causa, monsenhor Óscar Sánchez Barba, apresentou uma lista inicial de 50 testemunhas provenientes de diferentes países, além de 47 livros e folhetos escritos por Frei Ignacio e outros documentos relacionados à sua vida e obra.
Um tribunal eclesiástico ouvirá as testemunhas e examinará a documentação reunida, procurando esclarecer as circunstâncias de sua vida, o exercício das virtudes cristãs e a extensão de sua fama de santidade.
Também poderão ser recebidos relatos e documentos úteis à investigação, conforme o edital publicado pela arquidiocese.
Concluída a fase diocesana, os resultados serão encaminhados ao Dicastério para as Causas dos Santos.
A partir do exame das provas, poderá ser elaborada a Positio, documentação que fundamentará a avaliação das virtudes do sacerdote.
Se o processo reconhecer que ele viveu as virtudes cristãs em grau heroico e o Papa autorizar o decreto correspondente, Frei Ignacio poderá receber o título de Venerável.
Para a beatificação, será necessário, ordinariamente, o reconhecimento de um milagre atribuído à sua intercessão. Uma vida dedicada à oração e à evangelização Ignacio Larrañaga nasceu em 4 de maio de 1928, em Azpeitia, no País Basco, Espanha.
Aos 12 anos, ingressou no seminário dos capuchinhos de Alsasua.
Fez sua primeira profissão religiosa em 1948 e foi ordenado sacerdote em 20 de dezembro de 1952.
Desde o início do ministério, orientou sua atividade pastoral para a evangelização e o aprofundamento da oração contemplativa.
Em 1959, chegou ao Chile, onde participou de missões populares e de diversas atividades pastorais.
A partir de 1970, desenvolveu um amplo trabalho de pregação e formação espiritual na América e na Europa.
Em 1974, iniciou no Brasil os Encontros de Experiência de Deus, voltados à descoberta e ao aprofundamento da relação pessoal com o Senhor.
Em 1984, em Santiago do Chile, deu início às Oficinas de Oração e Vida, que posteriormente se difundiram por países da América, Europa, Ásia e África.
A proposta buscava ensinar a rezar de maneira progressiva, favorecendo a intimidade com Deus e a integração da oração à vida cotidiana.
Em 2022, as Oficinas de Oração e Vida receberam da Santa Sé a aprovação como associação privada internacional de fiéis de direito pontifício.
Frei Ignacio também deixou uma extensa produção espiritual, com obras como Mostra-me o teu rosto, O irmão de Assis, O pobre de Nazaré e O silêncio de Maria.
Seus escritos e iniciativas de formação procuraram aproximar a experiência contemplativa da realidade concreta das pessoas, oferecendo caminhos de oração, confiança e amadurecimento na fé. A abertura da causa representa, assim, o começo de um caminho de discernimento da Igreja sobre o legado espiritual de Frei Ignacio Larrañaga.
Mais do que uma homenagem à sua memória, o processo busca verificar, à luz das normas eclesiásticas, se sua vida constitui um testemunho de santidade digno de ser proposto oficialmente aos fiéis como exemplo de seguimento de Cristo.