Primeiro briefing, na Sala de Imprensa da Santa Sé, desde o início do encontro de cúpula, convocado por Leão XIV por ocasião do 10º aniversário da Exortação apostólica do Papa Francisco. Após as sessões iniciais, destinadas a "conhecer-nos" e "ouvir-nos uns aos outros", o briefing de hoje oferece-nos uma visão geral inicial, com reflexões e partilha de experiências sobre temas da atualidade. No centro estão o fenômeno da migração, apoio às vítimas de abusos, aos jovens e casais.
Salvatore Cernuzio – Vatican News Por ocasião do X aniversário da Exortação “Amoris Laetitia” a perspectiva variada e universal, que o Papa Leão XIV quis transmitir no encontro de cúpula, encontra-se toda na mesa dos relatores, na Sala de Imprensa da Santa Sé, composta por um patriarca egípcio, um cardeal indiano, um bispo australiano, um especialista francês, um teólogo argentino e um casal das Filipinas.
Há três dias do início dos trabalhos, na Sala Paulo VI, líderes de Igrejas Orientais e presidentes de Conferências Episcopais, especialistas e casais encontram-se ao lado do Papa.
Alguns dos participantes ofereceram à imprensa internacional detalhes, reflexões e conteúdo, que emergiram deste evento de "escuta” e “diálogo": diálogo, entendido como partilha de experiências sobre temas de grande atualidade, a começar pela migração, que causou a separação de tantas famílias pelo mundo e transformou seu modo de viver e relacionamentos; depois, a tecnologia digital, que tem impacto sobre o modo de construirmos laços ou até como simplesmente nos sentamos à mesa para jantar; enfim, também o apoio a novos casais, após o casamento, a formação de sacerdotes, que ajudam os jovens a descobrir a beleza da vida matrimonial, sem "assustá-los" ou pressioná-los, e o apoio às vítimas de abusos. [ In Evidence ] Trabalho intenso Por fim, muitos temas, reflexões, experiências já vividas ou iniciativas e propostas em andamento.
Trata-se de um "trabalho intenso", como disse o sacerdote jesuíta, Padre Giacomo Costa, consultor da Secretaria Geral do Sínodo, ao abordar a metodologia adotada nos últimos dias, ou seja, uma metodologia já consolidada durante os últimos Sínodos e Consistórios, compostos por conversas, meditações, orações, testemunhos e experiências pastorais sobre os frutos da exortação pós-sinodal do Papa Francisco.
A oração, de modo particular, como explicou ainda o Padre Giacomo: “Trata-se de algo que, talvez, não seja notícia, mas é um momento fundamental para entrar no clima de um encontro enraizado na oração".
Primeiros passos e relatórios Após os "primeiros passos", ou seja, as primeiras quarenta e oito horas dedicadas a um mútuo "conhecimento", "escuta" e "confiança" - para muitos, é a primeira vez que participam de um evento como este -, o trabalho foi dividido em diversos grupos: na verdade, os grupos refletem a universalidade das Igrejas entre os participantes da China, Polônia, Itália, México e Ásia Central.
Cada grupo elaborou um relatório, compartilhado na sessão plenária. [ Read Also ] Foco sobre as migrações Durante a sessão matutina, os participantes deram uma "primeira visão geral": reflexões sobre "a beleza, os desafios e a fragilidade das famílias, que exige a atenção de nossas Igrejas", como explicou o Padre Giacomo Costa.
O foco principal referiu-se às mudanças, que ocorreram desde a publicação da “Amoris Laetitia” nos últimos dez anos, que não foram "novidades", mas sim "elementos de uma transformação crescente".
Em primeiro lugar, afirmou o sacerdote, o tema, "citado universalmente por todos os grupos", sobre o respeito à mobilidade humana, que "afeta nosso modo de viver as relações familiares": casais separados, avós que cuidam dos netos, desafios da paternidade/maternidade, dificuldades em manter os laços ou transmitir a fé e casamentos entre cônjuges de diferentes religiões.
Todas estas questões emergiram dos relatos de muitos dos participantes na Sala Paulo VI.
Por exemplo, segundo o Padre Giacomo Costa: "Foi ressaltado que jovens e adultos devem estar preparados para viver sua fé em outros países e outras comunidades, com base nas experiências familiares".
As dificuldades enfrentadas por famílias, que perdem suas redes de apoio e o enriquecimento que novas experiências e culturas proporcionam a muitas famílias.
Desafio da tecnologia digital A revolução da última década no mundo digital também esteve no centro de "muitas histórias e experiências".
Numerosas iniciativas "criativas", por parte das famílias, também estão sendo feitas: "criar novas maneiras de estarem juntos, como jantares, sem celulares, ou modos de manter contato durante as situações de migração".
Os vários tópicos do encontro também abordaram a formação de seminaristas, que cresceram em meio a uma cultura digital ou de famílias "reconstituídas".
Mas, então, "como a experiência deles encontra espaço na formação?" foi uma das questões. "Pode-se sentir, concretamente, como a fragilidade se torna um lugar onde Deus continua a manifestar a força do amor".
Problema de toda a Igreja Falando em fragilidade, os pastores, reunidos no Vaticano, também reconheceram as fragilidades reais da Igreja como um todo.
Uma delas refere-se ao "acompanhamento" das famílias, tão desejado e promovido, mas, por vezes, difícil de implementar, como recordou o Padre Giacomo: "O acompanhamento corre o risco de se tornar um termo que nos une na teoria, mas que, na prática, deve ser esclarecido".
Por exemplo: “Quem, de fato, permanece ao lado dos casais e de seus filhos nos momentos de crise e na velhice”?
Ou “como podemos passar da preparação do matrimônio ao apoio na vida dos cônjuges, ajudando-os a viver a sua vocação”?
E o sacerdote responde: "O acompanhamento é uma tarefa que cabe a toda a Igreja.
Devemos tratar disso juntos, a partir de uma perspectiva sinodal". [ Read Also ] "Pressão" sobre as famílias Todos os participantes concordaram sobre um ponto: a "pressão" que muitas famílias enfrentam hoje.
No salão surgiu uma questão: "Nós, como Igreja, não estamos aumentando tantas questões por nossa conta”?
Aqui, não faltaram testemunhos sobre as dificuldades da nossa época: longas jornadas de trabalho, insegurança habitacional, violência contra a mulher, guerra, problema sobre "dotes" em algumas culturas. “Algumas exigências idealizadas podem sobrecarregar as famílias com expectativas percebidas como inatingíveis e assustar os jovens”.
Este tema será debatido mais a fundo.
Solidariedade com os que sofrem violência Assim, a reflexão continua sobre a questão altamente sensível sobre a solidariedade com os sobreviventes de abuso e os que passaram por violências e feridas emocionais.
As pessoas “precisam de solidariedade, que reconheça a gravidade de suas experiências, respeite seu tempo, suas escolhas”; elas devem ser ajudadas a aumentar sua “confiança” na possibilidade de viver relacionamentos amorosos e intimidade.
Palavras comuns, soluções diferentes Tudo isso, disse o Padre Giacomo Costa, requer um “esforço adicional”, ou seja, levar em conta o multiculturalismo: “Palavras comuns podem referir-se a abordagens diferentes”.
O ambiente é “construtivo, agradável, sereno”; os “métodos não estão em conflito, mas precisamos nos entender, pois as soluções não são as mesmas”.
Portanto, está em andamento um trabalho para “aprimorar o entendimento” e construir a “compartilha franca e honesta” solicitada pelo Papa. [ Read Also ] Agradecimentos dos relatores Encontrava-se na mesa dos conferencistas, para uma breve saudação, também o Patriarca de Alexandria dos Coptas, Ibrahim Isaac Sedrak, que representa a Igreja Católica no Egito.
A seguir, o Cardeal Filipe Neri António Sebastião do Rosário Ferrão, Arcebispo de Goa e Damão, Presidente da Conferência Episcopal Católica da Índia, reiterou: "A família é fundamental.
Estou feliz por ouvir as experiências e respostas oferecidas por todo o mundo, sobretudo, por testemunhas leigas.
É importante acompanhar nossas famílias".
O Arcebispo Timothy John Costelloe, Metropolita de Perth e Presidente dos Bispos Australianos, reiterou o conceito das "pressões" que as famílias enfrentam hoje: "Todos me chamam Tim!
Somente minha mãe me chamava Timothy quando me colocava em encrenca.
Como Igreja, é importante que nos perguntemos como enfrentar, construtivamente, os desafios e as oportunidades, que a situação atual nos oferece".
Por sua vez, Véronique Martin Lonchamp, delegada nacional para a Pastoral Familiar da Conferência Episcopal Francesa, disse que teve sorte de estar aqui e ouvir o que está acontecendo no mundo".
A professora María Marcela Mazzini, teóloga argentina, casada e mãe de dois filhos, - que participou do Sínodo sobre a Família em 2015, - disse: “Esta é uma oportunidade em retornar ao Vaticano, após dez anos, e avaliar o que aconteceu e está acontecendo na Igreja e no mundo".
Presença de um casal Os filipinos, Charmaine Bernadette e Eren Lyle Villegas, representavam todos os casais presentes no encontro.
Casados há 16 anos, estavam muito gratos por serem convidados, pela primeira vez, para participar de um evento como este”: "Somos gratos por poder compartilhar nossas experiências, nosso compromisso com os jovens e as famílias no trabalho pastoral.
Compartilhamos também o que aprendemos com outras culturas, com as quais entramos em contato".
Comissão para a revisão da síntese do Relatório Durante a reunião informativa, foi anunciada a criação da Comissão responsável pela revisão do Relatório, como o Padre Costa explica: "O critério foi manter um membro por continente, fazendo todos os esforços para incluir uma família no grupo".
Como presidente delegado da Comissão foi escolhido o Cardeal Kevin Joseph Farrell, Prefeito do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida.
Os demais membros são: Mons.
Philippe Bordeyne, presidente do Pontifício Instituto Teológico João Paulo II para as Ciências do Matrimônio e da Família; Audrey Boucher, canadense; Padre Giacomo Costa, responsável pela metodologia; Cardeal filipino Pablo Virgilio Siongco David; Gabriella Gambino, subsecretária do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida; Orietta Rachele Grazioli, canonista e professora do Pontifício Instituto Teológico João Paulo II; Cardeal Mario Grech, secretário-geral do Sínodo; Dom José Manuel Imbamba, presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé; Cardeal Anthony Poola, presidente da Conferência Episcopal Interritual da Índia, e Cardeal Matteo Maria Zuppi, presidente da Conferência Episcopal Italiana.