Os angolanos celebraram neste sábado, 4 de abril, os 24 anos da conquista da paz, uma das maiores vitórias da história recente do país, alcançada após décadas de conflito armado que se seguiram à independência nacional proclamada a 11 de Novembro de 1975.
Por Anastácio Sasembele – Luanda, Angola O fim da guerra, assinalado a 4 de abril de 2002, representou um marco decisivo para a estabilidade política, social e económica de Angola, abrindo caminho para a reconstrução nacional e o desenvolvimento do país. Mais do que o silenciar das armas, a data simboliza a esperança de um futuro assente na reconciliação, na unidade e no progresso colectivo. Apesar dos avanços registados ao longo das últimas duas décadas, diferentes vozes da sociedade angolana defendem que a consolidação da paz exige ainda esforços contínuos, sobretudo no domínio da inclusão social, justiça económica e coesão nacional. O bispo do Luena/Moxico, Dom Martin Lasarte, sublinhou a necessidade de uma paz mais inclusiva, baseada no desenvolvimento equilibrado e na justa distribuição da riqueza. O prelado destacou, em particular, a situação das populações da região leste do país, rica em recursos naturais como diamantes e florestas, mas que ainda enfrenta sérias dificuldades sociais e económicas. Por sua vez, o especialista em resolução de conflitos e sistemas eleitorais, Luís Jimbo, apontou a reconciliação nacional como um desafio urgente, defendendo o reforço de mecanismos que promovam o diálogo, a confiança e a participação de todos os cidadãos no processo democrático. Na classe jornalística, a presidente da Comissão da Carteira e Ética, Luísa Rogério, reconheceu os ganhos alcançados com a paz, mas alertou para os desafios persistentes, nomeadamente no que diz respeito à liberdade de imprensa, ética profissional e condições de trabalho dos jornalistas. Os caminhos para a consolidação da paz em Angola estiveram também em análise durante uma conferência internacional realizada em Luanda, na quinta-feira, 2 de Abril, numa iniciativa da Casa Militar do Presidente da República. Na ocasião, o ministro de Estado e chefe da Casa Militar, general Francisco Pereira Furtado, apelou ao compromisso contínuo dos angolanos na preservação da paz, sublinhando que esta deve ser defendida diariamente por todos os cidadãos. O encontro reuniu especialistas nacionais e estrangeiros, que analisaram o processo de paz em Angola sob diferentes perspectivas. As guerras foram abordadas como fenómenos sociológicos, políticos e históricos complexos pelo convidado português, Major-General Agostinho Costa. Já o académico José Ferreira destacou o valor da liberdade e do fim dos conflitos armados, afirmando que o povo angolano conhece profundamente o significado do “calar das armas” e da conquista da paz. No quadro das celebrações, o Presidente da República, João Lourenço, concedeu um indulto a centenas de cidadãos que cumprem penas privativas de liberdade. A medida, formalizada por diploma, visa proporcionar uma nova oportunidade de reintegração social e familiar aos beneficiários. O indulto insere-se nas comemorações do Dia da Paz e da Reconciliação Nacional, assinalado a 4 de Abril, e reforça o espírito de perdão, reconciliação e unidade que marcou o fim do conflito armado em Angola. Vinte e quatro anos depois, a paz continua a ser celebrada como um bem maior, mas também encarada como um processo em construção, que exige o empenho colectivo para garantir um futuro mais justo, inclusivo e próspero para todos os angolanos.