Uma conferência organizada em Genebra analisa os riscos e benefícios do uso da Inteligência Artificial nos sistemas agroalimentares. “A tecnologia deve estar a serviço do ser humano, nunca o contrário”, ressalta o Observador Permanente da Santa Sé, reconhecendo, ao mesmo tempo, o grande potencial das novas tecnologias no combate à desnutrição.
Vatican News A Inteligência Artificial pode ajudar a combater a fome no mundo, mas deve manter no centro a dignidade humana e o desenvolvimento integral.
Foi o que afirmou o arcebispo Ettore Balestrero, Observador Permanente da Santa Sé junto às Nações Unidas e outras organizações internacionais em Genebra, em sua intervenção em um congresso sobre o impacto da Inteligência Artificial nos sistemas agroalimentares.
Balestrero, na abertura da conferência realizada em Genebra na segunda-feira, 5 de outubro, agradeceu à Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) por esse “evento oportuno”, coorganizado pela Santa Sé, que se insere no “nobre mandato” de “erradicar a fome”, destacado também em outubro pelo Papa Leão XIV durante a visita à sede romana da FAO, lembrando que os 673 milhões de pessoas que vão dormir sem comer no mundo não são “meras estatísticas”, mas números por trás dos quais “há uma vida destruída, uma comunidade vulnerável; há mães que não conseguem alimentar seus filhos”.
Uma ferramenta poderosa Diante desse cenário, segundo o Observador Permanente da Santa Sé, “as tecnologias digitais, incluindo a IA, podem constituir uma ferramenta poderosa”, na medida em que podem “ajudar os pequenos agricultores a ter acesso a conhecimentos e mercados agronômicos, bem como a receber alertas de forma eficaz”.
Citando a encíclica Magnifica humanitas, por outro lado, o arcebispo Balestrero ressalta que o desenvolvimento da IA nos sistemas agroalimentares “deve colocar no centro a dignidade de cada pessoa, conferida por Deus, e ter como objetivo essencial o desenvolvimento humano integral”.
Nesse sentido, a comunidade internacional “tem a responsabilidade de regulamentar a IA de maneira ética”, ao mesmo tempo em que enfrenta o grande desafio de erradicar a fome no mundo.
A tecnologia a serviço da pessoa “A escolha é nossa e não pode ser delegada às máquinas”, afirma o bispo: “a fome não será vencida apenas pela inteligência, seja ela humana ou artificial, mas pela ação e determinação com consciência, responsáveis e, em última instância, humanas”. “A tecnologia deve servir à pessoa humana, nunca o contrário”, observa ainda Balestrero nas conclusões do congresso, lembrando a advertência do Papa Leão sobre o “paradigma tecnocrático”, uma condição que não leva em conta adequadamente a dignidade humana de cada pessoa. “O verdadeiro teste para a ‘tecnologia inteligente’ – conclui ele – não é até onde se estende seu poder, mas quando ela serve fielmente à pessoa humana e ao bem comum”.