Arcebispo Fulton J. Sheen será beatificado nesta quinta-feira

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Arcebispo Fulton J. Sheen será beatificado nesta quinta-feira
Fonte: VATICANO

"Eu próprio fui testemunha da sua evangelização durante o meu crescimento. As suas transmissões tocaram milhões de pessoas com a esperança do Evangelho e as suas iniciativas e os seus esforços produziram uma enorme ajuda espiritual e material às Igrejas nas áreas de primeira evangelização", havia revelado Leão XIV no encontro com os Diretores Nacionais e Diocesanos das Pontifícias Obras Missionárias em todo o mundo.

Por Jason Gray *  Moldado por Jesus como a argila, para tornar-se um instrumento a serviço da Igreja: assim se descrevia o arcebispo norte-americano Fulton J.

Sheen, que nesta quinta-feira, 24 de setembro, será proclamado beato.

A Missa será celebrada às 14 horas (21h, horário de Roma), no Dome at America’s Center, complexo esportivo coberto de St.

Louis, no Missouri.

Preside a celebração, representando o Papa Leão XIV, o cardeal Luis Antonio G.

Tagle, pró-prefeito do Dicastério para a Evangelização – Seção para a Primeira Evangelização e as Novas Igrejas Particulares.

Filósofo, teólogo, escritor, promotor da atividade missionária da Igreja e também um pregador moderno que utilizava o rádio e a televisão para difundir o Evangelho — algo de que o próprio Pontífice foi testemunha quando criança (cf.

Discurso à Assembleia Geral das Pontifícias Obras Missionárias, 1º de junho de 2026) —, Sheen unia uma inteligência brilhante a uma profunda convicção espiritual e a uma notável capacidade de comunicar as verdades da fé com clareza.

Era animado por sua devoção à Hora Santa eucarística diária, que deu origem nele a uma profunda relação pessoal com Cristo. [ In Evidence ] Peter John Sheen nasceu em 8 de maio de 1895, em El Paso, Illinois, como o primeiro dos quatro filhos de Newton e Delia Sheen.

Desde pequeno, foi chamado pelo sobrenome de solteira da mãe, Fulton.

Criado em uma família católica devota, desenvolveu muito cedo a vocação ao sacerdócio e foi ordenado sacerdote para a Diocese de Peoria em 20 de setembro de 1919.

Reconhecendo seus dotes intelectuais, seus superiores o enviaram à Europa para realizar estudos avançados.

Em 1923, obteve o doutorado em Filosofia pela Universidade Católica de Lovaina, na Bélgica.

Nomeado vigário paroquial em uma igreja do centro de Peoria, conseguiu pregar com sucesso e inspirar muitas conversões.

Posteriormente, foi enviado para ensinar Filosofia e Teologia na Catholic University of America, em Washington, D.C.

Sua disciplina intelectual era acompanhada por uma crescente preocupação pastoral: procurava tornar os ensinamentos da Igreja compreensíveis e convincentes para as pessoas comuns.

Durante todo o seu sacerdócio, Sheen colocou a oração no centro de seu apostolado: falava corajosamente de Jesus em público, mas somente depois de tê-lo escutado em particular, em oração diante da Eucaristia.

Desde o dia de sua ordenação, sua dedicação à Hora Santa diante do Santíssimo Sacramento tornou-se uma das práticas distintivas de sua vida espiritual.

Considerava esse tempo de oração essencial para sua identidade como sacerdote e para a fecundidade de seu ministério. “É a hora que dá sentido ao meu dia”, afirmava, descrevendo-a como fonte de compreensão do Evangelho e de Cristo.

A partir de 1930, Sheen apresentou The Catholic Hour, um programa de rádio que levou o ensinamento católico aos lares dos Estados Unidos.

Seu raciocínio claro, sua exposição envolvente e seu calor pastoral atraíram um público de mais de quatro milhões de pessoas.

Foi apreciado por sua caridade intelectual, que o levava a apresentar verdades difíceis de maneira clara, sem perder de vista a necessidade de encorajamento em meio aos desafios da sociedade moderna.

Suas obras literárias desenvolveram-se paralelamente à sua carreira no rádio e na televisão: dos 66 livros que publicou, Vida de Cristo é considerado uma de suas contribuições mais inspiradas. [ In Evidence ] Em 1950, Sheen iniciou uma nova missão como diretor nacional da Pontifícia Obra da Propagação da Fé, uma das quatro Pontifícias Obras Missionárias, e, em 1951, foi nomeado bispo auxiliar da Arquidiocese de Nova York.

Trabalhou incansavelmente, não apenas arrecadando recursos para apoiar as missões, mas também visitando as regiões onde a Igreja estava crescendo, para levar a elas a mensagem da fé.

Em 1951, começou a apresentar o programa de televisão Life Is Worth Living (A Vida Vale a Pena Ser Vivida).

Com um cenário simples e uma lousa, conquistou um público de mais de 30 milhões de pessoas, abordando de maneira clara e sincera questões relacionadas à fé, à moral, ao sofrimento, à família e à dignidade humana.

Era um comunicador habilidoso, que utilizava a argumentação filosófica, a intuição teológica, o senso de humor e a narrativa para transmitir sua mensagem inspiradora não apenas aos católicos, mas também a protestantes e judeus.

Sheen participou do Concílio Vaticano II, onde encontrou dois futuros papas: Karol Wojtyła e Joseph Ratzinger.

Em 1966, aos 71 anos, foi nomeado bispo de Rochester, em Nova York.

Dedicou-se diligentemente à implementação do Concílio e à evangelização dos fiéis.

Em 1969, apresentou sua renúncia ao governo pastoral e recebeu o título pessoal de arcebispo.

Passou os últimos anos de sua vida escrevendo, pregando e orientando retiros, continuando sempre a dedicar seu tempo à oração.

Pouco antes de morrer, escreveu sua autobiografia, Minha vida.

Um tesouro em vaso de argila, na qual descreveu como sua humanidade havia sido moldada por Jesus para se tornar um instrumento a serviço da Igreja.

Sua espiritualidade foi forjada pela Cruz, pela Eucaristia e pela Bem-Aventurada Virgem Maria.

Quando, já em idade avançada, foi submetido a uma cirurgia cardíaca, ofereceu seus sofrimentos em união com Cristo.

Em outubro de 1979, durante a viagem apostólica aos Estados Unidos da América, São João Paulo II o cumprimentou durante a etapa em Nova York.

Apesar da saúde debilitada, o prelado norte-americano aproximou-se a pedido do Pontífice e tentou ajoelhar-se diante dele.

O Papa polonês o levantou, abraçou-o e disse: “O senhor escreveu e falou bem do Senhor Jesus.

O senhor é um filho leal da Igreja.” Essas palavras foram o justo coroamento de uma vida vivida a serviço de Cristo e de sua Igreja.

O arcebispo morreu dois meses depois, em 9 de dezembro, em Nova York.

Sua causa de beatificação foi aberta em 2002, na Diocese de Peoria.

O milagre para sua beatificação ocorreu em setembro de 2010: uma criança que nasceu sem batimentos cardíacos e sem respiração foi reanimada após 61 minutos, recuperando-se e retornando a um estado de perfeita saúde.

Para acompanhar a Missa com a beatificação, clique: https://shorturl.at/rBfJe *Diretor executivo da “Archbishop Fulton J.

Sheen Foundation”

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