Arcebispo Gallagher: o clamor das crianças exploradas chega ao coração de Deus

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Arcebispo Gallagher: o clamor das crianças exploradas chega ao coração de Deus
Fonte: VATICANO

O secretário para as Relações com os Estados e as Organizações Internacionais, dom Paul Richard Gallagher, presidiu, em 11 de outubro, uma missa na Basílica de Notre-Dame, em Genebra, na Suíça, por ocasião do 112º Dia Mundial dos Migrantes e Refugiados, dedicado ao tema “Mesmo uma só destas crianças”. O arcebispo destacou a urgência de “alimentar os famintos”, “proteger quem está em perigo” e “oferecer abrigo a quem não tem teto”, reconhecendo a “dignidade da pessoa”.

Daniele Piccini – Vatican News A “caridade cristã” nos impõe a “atender às necessidades imediatas” de cada criança arrancada do seu lar pela guerra, pela violência ou por catástrofes naturais, mas também “zelar pela imagem divina impressa nela”.

Pois “antes mesmo de ser um migrante, um refugiado, um requerente de asilo ou uma estatística, a criança é uma pessoa humana, criada à imagem e semelhança de Deus”.

Esse é o cerne da homilia proferida no domingo, 11 de outubro, pelo arcebispo Paul Richard Gallagher, secretário para as Relações com os Estados e as Organizações Internacionais da Santa Sé, que presidiu uma missa na Basílica de Notre-Dame, em Genebra, na Suíça, por ocasião do 112º Dia Mundial dos Migrantes e Refugiados celebrado no último dia 27 de setembro, com o tema “Mesmo uma só destas crianças”.

O clamor dos mais vulneráveis Dom Gallagher se inspirou nas leituras do dia — todas sobre o conceito de “casa” — para reiterar o convite à acolhida dos migrantes.

O profeta Isaías falou do monte do Senhor.

Ali, Deus “prepara um banquete” para todos os povos.

Sua salvação, de fato, é “para as nações”, mas “a universalidade divina” nunca é indiferença: ela vê a multidão, mas nela “percebe as lágrimas de cada um”.

Para o Senhor, explicou ainda o arcebispo, “o sofrimento de uma criança deslocada não desaparece no anonimato de uma crise humanitária, pois o clamor dos mais vulneráveis sempre chega ao seu coração”.

Cristo, uma “casa” onde encontrar acolhimento e força São Paulo, em sua Carta aos Filipenses, descreve sua vida terrena como algo bem longe de ser “estável”.

A sua missão apostólica o levou às estradas, a atravessar os mares, a visitar cidades que “não eram as suas”, comunidades que o “acolhiam” e outras que o “rejeitavam”.

No entanto, destacou dom Gallagher, em meio a essa precariedade, o Apóstolo dos Gentios aprendeu um “segredo”: poder tudo “naquele que me fortalece”.

Cristo, acrescentou o arcebispo, “tornou-se sua casa”.

São Paulo descobriu “um sentimento de pertencimento que vai além da simples geografia”: daí deriva a sua força.

Diante da “imensidão do sofrimento”, portanto, não devemos cair na tentação de pensar “que tudo depende de nós”: a fé e a solidariedade não se excluem, mas se complementam. “A confiança em Deus – comentou o arcebispo – não diminui a necessidade de solidariedade com os outros.

Pelo contrário, quem encontrou um lar em Deus aprende a se tornar um lugar de acolhimento para os outros”. [ Photo Embed: O arcebispo Gallagher presidiu a missa na Basília de Notre-Dame, na Suíça] Convidar quem “ficou de fora” Também no Evangelho de Mateus se fala de acolhimento.

Na parábola de Jesus, o rei prepara um banquete por ocasião do casamento de seu filho e convida todos.

Alguns, porém, recusam, porque “estão muito ocupados com seus próprios afazeres”.

O soberano estende então o convite àqueles que “ficaram de fora”.

Uma exclusão e uma marginalização que não param de ceifar vítimas, ainda hoje. “Entre aqueles que percorrem as ruas do nosso mundo — argumentou o secretário para as Relações com os Estados — há crianças cuja experiência de lar foi dolorosamente interrompida: crianças deslocadas por causa da guerra, da violência, das perseguições, da pobreza ou de catástrofes naturais; crianças separadas de suas famílias; crianças expostas ao tráfico e à exploração; crianças que não escolheram partir e dispõem de muito poucos meios para se defender”.

Aliviar as necessidades e reconhecer a dignidade humana Uma “condição de vulnerabilidade” à qual se deve responder, em primeiro lugar, por meio da “assistência humanitária”, que “continua sendo indispensável”: “é preciso alimentar os famintos, proteger quem está em perigo e oferecer abrigo a quem não tem teto”.

A caridade cristã, porém, “não pode se limitar a aliviar as necessidades, deixando a pessoa à margem”.

O Evangelho deixa claro que aqueles “que são encontrados nas ruas” não são simplesmente “assistidos”, mas convidados para um “banquete”.  “O movimento é claro — acrescentou Gallagher — da rua para o lar, da exposição ao perigo para a proteção, do alívio temporário para a segurança de pertencer”.

Esse é também o sentido do tema da data deste ano, que convida a não perder de vista as pessoas. “A caridade cristã assume uma forma concreta quando optamos por não permitir que a imensidão do problema obscureça a dignidade até mesmo de uma única criança, cujo sofrimento se impõe à nossa consciência com uma urgência insuportável”, destacou, por fim, o arcebispo, confiando migrantes e refugiados à Sagrada Família, que conheceu a “violência” de ter que “deixar às pressas o próprio lar”.

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