Arquidiocese de Campo Grande: processo de beatificação do padre João Crippa

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Arquidiocese de Campo Grande: processo de beatificação do padre João Crippa
Fonte: VATICANO

Presença dos Bispos do Regional Oeste I, clero arquidiocesano e salesiano, demais religiosos e religiosas, autoridades civis e políticas, imprensa e paroquianos marcam expressiva presença nas duas cerimônias.

Prof.

Dr.

Fábio do Vale (Academia Brasileira de Hagiologia – ABRHAGI).

No último dia 20 de outubro, a capital sul-mato-grossense viveu um marco inesquecível para a história da Igreja Católica no Brasil.

A Arquidiocese de Campo Grande, MS, e o Regional CNBB Oeste 1 realizaram a sessão solene de abertura do inquérito diocesano para a causa de beatificação e canonização do venerável missionário salesiano Padre João Crippa, SDB.

Trata-se de um evento inédito na igreja particular do regional revestido de profundo significado, pois é a primeira vez que a Igreja local inicia oficialmente um processo desta importância na região.

O acontecimento mobilizou o clero, diversas ordens religiosas, autoridades dos poderes Executivo e Legislativo, a imprensa e expressiva presença de fiéis que lotaram os espaços dedicados às celebrações, evidenciando o fervor popular e a viva fama de santidade do presbítero que devotou sua vida ao povo sul-mato-grossense.

As atividades tiveram início às 18 horas no salão paroquial da Paróquia São José, situada no centro de Campo Grande, MS, na esquina da Rua Dom Aquino com a Rua Pedro Celestino.

Sob a condução do cerimonial Elvis Santos de Almeida, a sessão jurídica inaugural reuniu autoridades e um grupo expressivo de fiéis que preencheram a capacidade máxima do auditório.

Antes dos ritos formais, a vice-chanceler Cláudia Nascimento e Betina Pavoni realizaram a abertura litúrgica acolhendo os presentes com hinos e cânticos marianos.

A solenidade contou com a cobertura ostensiva dos veículos de comunicação da imprensa local, destacando o impacto social e religioso da cerimônia, que contou também com as presenças de autoridades civis de grande relevância estadual e municipal, como o vice-governador de Mato Grosso do Sul, Dr.

José Carlos Barbosa (Barbosinha), a vice-prefeita de Campo Grande, MS, Dra.

Camilla Nascimento, e o vereador Ronilço Guerreiro, representando o presidente da Câmara Municipal da Capital. [ Photo Embed: Comissão da Causa do Servo de Deus Pe.

João Crippa e Bispos do Regional Oeste I – Acervo Paróquia São José Campo Grande, MS.] Com a assembleia reunida, o chanceler da Cúria Metropolitana, padre Emilson, procedeu à leitura de uma síntese biográfica do Servo de Deus Padre João Crippa, rememorando suas virtudes heróicas, suas viagens missionárias e a dedicação incansável ao Reino de Deus.

Em seguida, foi realizada a leitura oficial da ata de abertura do processo canônico.

Diante do público emocionado, os membros nomeados para compor o tribunal e a comissão encarregada das investigações prestaram o juramento de fidelidade e verdade sobre os Santos Evangelhos.

Assumiram publicamente os seus deveres a notária Dra.

Marli Silva de Campos Pavoni, o promotor de justiça Padre Pedro César Smaniotto, o vice-notário Joel Xavier de Oliveira Filho e o presidente do Tribunal Eclesiástico, Padre Moacyr Malaquias, garantindo a lisura jurídica exigida pelo Código de Direito Canônico e os vice-postuladores da causa Pe.

Padre Roberto e Prof.

Dr.

Fábio do Vale, o Arcebispo metropolitano e o postulador de Roma, Dr.

Paolo Vilotta.

Concluído o ato formal de juramento dos oficiais do tribunal, tomou a palavra o Arcebispo Metropolitano de Campo Grande, MS, reverendíssimo Dom Dimas Lara Barbosa.

O arcebispo dirigiu-se à assembleia destacando a importância histórica do momento e proferiu as seguintes considerações: "Nem preciso dizer que hoje é um grande dia para a história da nossa arquidiocese e também para missão salesiana de Mato Grosso".

Logo na sequência, conduzida com solenidade pelo arcebispo, a comunidade uniu-se em oração rezando a prece oficial pelo pedido de beatificação do missionário salesiano Padre João Crippa.

Após a bênção final proferida por Dom Dimas, encerrando a primeira etapa no salão paroquial antes das 19 horas, a multidão de fiéis e autoridades encaminhou-se em procissão para o interior do templo da Igreja São José para a celebração da Santa Missa em Ação de Graças.

A transição entre a sessão jurídica e o início da liturgia eucarística foi marcada pela manifestação expressiva das lideranças do clero local.

Antes da Missa Solene de Ação de Graças, o coordenador do clero da Arquidiocese de Campo Grande, MS, padre Linniker Matheus Magalhães, apresentou suas considerações: "Certamente este foi um momento único para todo o nosso clero.

A presença dos nossos bispos, dos diversos sacerdotes e diáconos confirma essa certeza.

A vida do padre João Crippa é um grandioso testemunho e, ao mesmo tempo, um desafio para todos nós para imitar suas virtudes e sua incansável dedicação.

Agora, para além disso, é nosso dever fazer sua história conhecida em nossas comunidades".

O depoimento refletiu o sentimento dos sacerdotes presentes que viram na figura do missionário salesiano um modelo renovado de dedicação e doação sacerdotal.

A celebração eucarística revestiu-se de grande solenidade com a presença histórica de seis bispos que compõem o Regional Oeste 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

A Santa Missa foi presidida pelo arcebispo metropolitano, Dom Dimas Lara Barbosa, e concelebrada pelo arcebispo emérito de Campo Grande, Dom Vitório Pavanello, SDB, veterano missionário salesiano.

Ladeando o altar principal, uniram-se em concórdia e episcopal comunhão os prelados do estado os concelebrantes: Dom Ettore Dotti, bispo de Naviraí; Dom Otair Nicoletti, bispo de Coxim; Dom Frei Pedro Cesário Palma, bispo de Jardim; e Dom Luiz Gonçalves Knupp, bispo de Três Lagoas.

A concelebração dos bispos expressou a unidade da Igreja em Mato Grosso do Sul ao acolher o primeiro processo de canonização nascido em seu solo.

Na celebração eucarística, somaram-se aos bispos diversos sacerdotes de destacado serviço eclesial na região e de outras jurisdições.

Marcaram presença o secretário do Regional Oeste 1 da CNBB, Padre André Nogueira; o chanceler da Cúria Metropolitana, Padre Emilson José Bento; o presidente da Academia Brasileira de Hagiologia (ABRHAGI), Dom André Alves dos Santos, OSB; e o reitor do Seminário Maior Regional Maria Mãe da Igreja (SEMMAI), Padre Juan Diego Giraldo Aristizábal, PSS.

Participou também o provincial sulpiciano Padre Jorge Humberto Pacheco Rojas, acompanhado pelos formadores Padre Clemente, Padre Bruno Capistrano e Padre Marco Antonio Forero, além do Padre Wilson Cardoso, representante da Diocese de Dourados, MS, testemunhando a amplitude diocesana do evento.

A congregação salesiana esteve assiduamente representada pelos confrades do Servo de Deus, que se uniram em oração e celebração pela glória do seu pioneiro.

Estiveram concelebrando os sacerdotes salesianos Padre Tiago Figueiró, SDB, Padre Erondi Tamandaré Reis Pereira, SDB, Padre Luigi Favero, SDB, Padre Osmar Augusto Bezutte, SDB, e Padre Andelson, diretor do Pós-noviciado do Instituto São Vicente (Lagoa da Cruz).

A Paróquia São José acolheu com grande alegria o seu pároco e vice-postulador, Padre Paulo Roberto, assim como os vigários Padre Orlando Kanpp e Padre Pedro Ortiz.

A vida consagrada franciscana e diocesana também esteve presente com o Frei Pedro Renato, OFM, pároco da Paróquia São Francisco, Padre Paulo Vital, do Santuário Arquidiocesano Nossa Senhora da Abadia, e Padre Gabriel da Silva Gonçalves. [ Photo Embed: Missa em Ação de Graças pela abertura do processo da Causa de Beatificação – Acervo Paróquia São José.] A presença da Família Salesiana deu um toque especial de fervor e gratidão ao evento através das Filhas de Maria Auxiliadora.

Acompanharam a cerimônia com emoção as religiosas do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, instituição fundada sob a visão destemida do próprio Padre João Crippa.

Prestaram o seu testemunho a Irmã Márcia Koffermann, a Irmã Othília Pires dos Santos, a Irmã Alice Demarchi e a Irmã Maria Nilda Cavalcante Rangel.

O serviço ao altar e a assistência litúrgica foram assegurados pelo cerimonialista diácono transitório César Augusto Veras, acompanhado pelo diácono transitório Ítalo Lopes Vogado e pelo diácono permanente Naor Antônio Santos de Arruda, expressando a riqueza dos diversos graus da ordem sagrada reunidos na mesma fé.

A vitalidade vocacional da Igreja local manifestou-se na presença maciça da juventude em formação ministerial durante toda a celebração.

Mais de quarenta seminaristas do Seminário Maior Regional Maria Mãe da Igreja (SEMMAI) preencheram a nave central, ao lado dos seminaristas salesianos do Curatório Salesiano / Instituto São Vicente (Lagoa da Cruz) e dos alunos da Escola Diaconal São João Paulo II.

Também integraram a assembleia celebrativa membros de diversas pastorais, paroquianos fiéis da Paróquia São José e representantes de movimentos leigos de Campo Grande, MS.

A diversidade do povo de Deus reuniu-se com comoção para dar graças pela vida de um missionário que transformou a realidade social e religiosa do estado através de sua profunda caridade.

Em sua homilia, proferida com sensibilidade teológica e ternura pastoral, o arcebispo metropolitano Dom Dimas Lara Barbosa ressaltou a beleza do chamado universal à santidade e considerou: " Para nossa igreja me parece muito claro.

Trata-se de uma grande alegria e um presente de Deus" e ainda complementou, "a igreja do Brasil tem descoberto os seus santos, pois, quando eu era criança, não existia nenhum santo brasileiro, agora são dezenas" e acrescentou, "olhando para a vida do padre João Crippa, percebemos que os santos se fizeram e foram feitos pela graça de Deus, eles não nasceram prontos".

O bispo finalizou exortando a assembleia: "que possamos descobrir, a minha, a nossa vocação para a santidade".

As palavras do arcebispo ressoaram no coração dos presentes como um convite à renovação espiritual e ao compromisso com o Evangelho.

Ao final da missa, o presidente da Academia Brasileira de Hagiologia (ABRHAGI), Dom André Alves dos Santos, OSB, também fez as suas considerações, expressando que a Academia Brasileira de Hagiologia está inteiramente à disposição para auxiliar nessa causa.

Dom André demonstrou a sua grata surpresa diante do expressivo envolvimento de toda a comunidade e das autoridades civis em uma celebração tão marcante, que reuniu tantos bispos do regional.

Em sua fala, destacou que esta foi verdadeiramente uma abertura de causa celebrada de forma viva e pulsante pela comunidade e pela Igreja Particular de Campo Grande, reafirmando e colocando a ABRHAGI inteiramente à disposição para tudo o que for necessário ao longo de todo o processo canônico.

Também dirigiu suas considerações ao público, o padre Erondi Tamandaré Reis Pereira, SDB, representando a Inspetoria Salesiana de Mato Grosso.

Em um discurso vibrante e marcado por intensa emoção, o sacerdote considerou: "É tudo muito especial, pois a missão salesiana, em tantos anos de exercício e missão, teve em sua história quase que um santo por ano, sinais divinos.

Hoje, para mim, que resido na Inspetoria Salesiana, um espaço que foi construído pelo próprio padre João Crippa, é muito especial e também motivo de muita emoção".

Padre Erondi destacou com dados históricos o heroísmo do Servo de Deus, lembrando que o Padre João ia para fazer os seus trabalhos missionários a cavalo e mesmo havendo o abandono por parte de outros que o acompanhavam, ele ainda persistiu e continuou a sua missão sozinho.

Tomado por comoção, o salesiano declarou: "Estou comovido, como Deus é tão maravilhoso dentro da nossa pequenez , Ele continua fazendo milagres e nós somos esse milagre", conclamando a todos: "Façamos a causa do Padre João Crippa uma causa nossa".

A condução técnica da causa está sob a responsabilidade do Dr.

Paolo Vilotta, renomado perito italiano que atua como postulador junto ao Dicastério para as Causas dos Santos do Vaticano.

Com uma renomada carreira internacional, o especialista possui vastíssima experiência na condução de processos de beatificação no Brasil e no exterior, atuando em causas de grande repercussão e empenhando sua competência jurídica para instruir a fase diocesana com o rigor exigido por Roma.

Durante suas considerações na celebração, Dr.

Paolo Vilotta compartilhou detalhes de sua caminhada e destacou a singularidade do momento vivido em Campo Grande, MS.

O postulador ressaltou que foi muito especial a presença dos bispos do regional, das autoridades civis presentes.

Isso demonstra também o caminho e demonstra a fama de santidade do missionário salesiano Padre João Crippa.

E que isto, de fato, não é comum, pois na celebração que estamos vivendo, padres, seminaristas, diaconandos, autoridades civis, políticas se unem para demonstrar esta fama de santidade. “Isso é muito bonito e muito especial” A dimensão internacional e a comunhão eclesial da causa ultrapassaram as fronteiras do Brasil e alcançaram a Itália, terra natal do missionário.

Diretamente da Europa, o Padre Giuseppe Morstabilini, pároco da Paróquia de San Giovanni Battista em Asso, na região da Lombardia — igreja onde o Padre João Crippa foi batizado e cidade onde nasceu —, encaminhou uma mensagem em vídeo prestando sua contribuição e total disposição para colaborar com o processo.

Gravando ao lado da placa comemorativa que homenageia o Servo de Deus em sua terra de origem, o sacerdote italiano ressaltou que Padre João Crippa está na memória dessa igreja e dessa cidade e se recordam dele com muito prazer, e que agora com o processo de beatificação, aqui de nossa parte, temos total disponibilidade, para colaborar e ficaremos muito felizes em receber a delegação do Brasil que possam vir até Asso aqui na Itália e do mesmo modo espero que eu possa conhecer os lugares onde o Padre João Crippa viveu no Brasil, desejando ao final "uma boa caminhada a todos.

Após a bênção final da celebração, o sentimento uníssono era de profunda gratidão e alegria transbordante entre todos os presentes.

Paroquianos(as), voluntários das obras sociais, jovens da comunidade, clero e leigos permaneceram na paróquia para rezarem a oração em favor da causa Servo de Deus, na Igreja São José.

A abertura do inquérito encerrou-se com a certeza de que a história de doação do Padre João Crippa continua a dar frutos abundantes na vida da Igreja de Mato Grosso do Sul, inspirando novas gerações a viverem com radicalidade o Evangelho e o amor aos mais necessitados.

MISSIONÁRIO SALESIANO - PADRE JOÃO CRIPPA (1861 Itália – 1941 Brasil) Biografia Nascido em 10 de outubro de 1861, em Asso, uma pequena cidade na Lombardia, Itália, João Crippa foi filho de Pietro Crippa e Fiorina Bucconi.

Sua trajetória de vida foi marcada por um profundo comprometimento com a fé e a Missão Salesiana, influenciada desde cedo por encontros inspiradores com São João Bosco.

Em 25 de outubro de 1885, João Crippa ingressou no Colégio Salesiano São João Evangelista em Turim como aspirante, onde teve a oportunidade de conviver com São João Bosco.

Esses encontros foram cruciais para amadurecer sua vocação e preparar-se para os desafios da vida missionária.

A chegada de Crippa à América é cercada de incertezas, com registros apontando para os anos de 1888 ou 1889.

Em agosto de 1889, ele já estava no Uruguai como noviço e, em 3 de fevereiro de 1890, recebeu a veste talar das mãos do bispo salesiano Dom Luigi Lasagna, professando seus votos perpétuos.

Foi ordenado sacerdote em 17 de fevereiro de 1894.

Padre João Crippa, foi transferido do Uruguai para o Brasil, onde ficou até 1912 na Província de São Paulo, trabalhando entre os fi­lhos do povo em Araras e Lorena, onde foi o primeiro diretor espiritual, que fazia ardentes votos ao Sagrado Coração de Jesus e à Nossa Senhora Auxiliadora para proteger essas boas obras, em cujo apostolado despertava vocações.

Suas palavras comoviam, não só o povo, mas também convertia doutores e ignorantes.

Por isso, Padre João Crippa foi muito admirado como pregador.

De 1912 em diante trabalhou na Inspetoria Salesiana de Mato Grosso, como pároco da Paróquia de São Gonçalo do Porto, em Cuiabá.

No ano seguinte, começou a evangelizar os indígenas Bororo na Colônia Teresa Cristina.

A ideia de catequizar e ...

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