As crianças estão entre as pessoas mais afectadas pelos recentes protestos na África do Sul contra migrantes sem documentos. Algumas foram obrigadas a deixar o país e a recomeçar a sua educação e a sua vida noutro lugar, afirma o Bispo responsável pelo Gabinete para os Migrantes, Refugiados e Tráfico de Seres Humanos da Conferência Episcopal Católica da África Austral (SACBC).
Por Sheila Pires, em Joanesburgo Falando após a reunião anual dos coordenadores diocesanos para os migrantes, refugiados e tráfico de seres humanos, em Pretória, o Bispo Joseph Mary Kizito recordou a sua visita ao centro de repatriamento de Musina, onde encontrou crianças que se preparavam para regressar aos seus países de origem. “Perguntava a mim mesmo: que educação vão agora começar no Malawi?
Onde vão começar?”, disse o Bispo Kizito à Vatican News.
Muitas destas crianças viviam na África do Sul há vários anos e frequentavam escolas locais, onde estudavam em inglês.
O regresso aos países de origem pode obrigá-las a adaptar-se a outro sistema de ensino e a novas línguas.
Também a sua vida religiosa foi afectada, ao terem de recomeçar em novas comunidades e paróquias.
Famílias separadas A reunião anual juntou 44 delegados de 18 dioceses da África do Sul, Botswana e Essuatíni.
A missionária scalabriniana, Irmã Neide Lamperti, Coordenadora do Departamento da SACBC para os Migrantes, Refugiados e Tráfico de Seres Humanos, afirmou que os relatórios das dioceses destacaram famílias separadas pela instabilidade e crianças que faltaram à escola.
Algumas dioceses estão a angariar fundos para uniformes e calçado, de modo a ajudar as crianças a regressar à escola, enquanto continuam a apoiar famílias cujas vidas foram afectadas.
Os protestos e os repatriamentos também afectaram os meios de subsistência, deixando famílias que regressaram a países como o Malawi, Zimbabwe e Lesoto sem preparação ou recursos suficientes, afirmou o Bispo Kizito. [ Photo Embed: Em apoio às famílias cujas vidas foram duramente afectadas ...] Acesso ao processo de asilo Entretanto, em 28 de setembro, o Departamento de Assuntos Internos ordenou a todos os Serviços de Recepção de Refugiados que aceitassem imediatamente pedidos de asilo de pessoas que procuram protecção.
A directiva surgiu na sequência de uma decisão do Tribunal Constitucional, de 7 de julho, que declarou inconstitucionais algumas disposições da Lei dos Refugiados, num processo apresentado pelo Scalabrini Centre of Cape Town.
O Tribunal considerou que determinados requisitos administrativos poderiam impedir requerentes de asilo, incluindo crianças, de terem acesso à protecção. [ Photo Embed: Participantes no Encontro anual dos Coordenadores da Pastoral dos Migrantes e Refugiados] [ Audio Embed Oiça aqui a entrevista com a Ir.
Neide Lamperti, e partilhe]