Enquanto o mundo celebra o Dia Internacional da Mulher, as mulheres da Associação Sant’Ana, na África Austral, renovam o seu compromisso de acompanhar as famílias, capacitar as mulheres e responder à crescente crise da violência de género.
Sheila Pires – Pretoria, África do Sul Em declarações ao Vatican News, a Presidente Nacional da Associação Sant’Ana da Conferência Episcopal Católica da África Austral (SACBC), a Sra. Lindiwe Zondi, sublinhou que a Igreja deve continuar a defender a protecção e o empoderamento das mulheres e raparigas. "Toda a mulher e rapariga, independentemente da sua origem ou capacidade, deve viver com dignidade e liberdade", afirmou, refletindo sobre a importância do Dia Internacional da Mulher e a necessidade de ações concretas no combate à violência e à discriminação. A Confraria Sant’Ana, uma das maiores associações de mulheres católicas da África Austral, está presente em 26 dioceses e conta com mais de 18.000 membros. Guiadas pelo seu lema — servir a família, a Igreja e a comunidade — as suas integrantes participam ativamente em ministérios paroquiais, acompanhamento familiar e apoio a pessoas vulneráveis. “O nosso trabalho centra-se em apoiar as famílias, auxiliar os necessitados e participar plenamente na vida da Igreja”, explicou Zondi. “Visitamos comunidades, acompanhamos os vulneráveis e oferecemos apoio prático, como alimentos, vestuário e cuidados.” A crise da violência de género A missão da Associação desenrola-se num contexto de grave crise de violência de género na África do Sul. As mulheres representam pouco mais de metade da população da África do Sul — cerca de 51% — entretanto, muitas continuam a enfrentar violência nos seus lares e comunidades. Inquéritos nacionais indicam que mais de metade das mulheres refere ter sofrido alguma forma de violência de género. Os estudos mostram também que aproximadamente uma em cada três mulheres sofreu violência física ao longo da vida, enquanto quase uma em cada dez sofreu violência sexual. No geral, mais de um terço das mulheres adultas do país já sofreu violência física ou sexual. A crise reflete-se ainda mais nas taxas de femicídio do país, que estão estimadas em cinco vezes superiores à média global. A África do Sul está também entre os países com as taxas mais elevadas de mortes de mulheres ligadas à violência interpessoal. Neste contexto, Lindiwe Zondi afirma que as mulheres católicas estão a trabalhar na base da sociedade para acompanhar as vítimas e promover a consciencialização. “A violência de género afecta muitas mulheres nas nossas comunidades”, disse Zondi. “Através dos nossos encontros, conferências e workshops, falamos abertamente sobre estas questões e encorajamos as mulheres a procurar apoio e a defender a sua dignidade.” Formação, solidariedade e capacitação A Associação Sant’Ana trabalha também em estreita colaboração com a União Mundial das Organizações de Mulheres Católicas (WUCWO, sigla em inglês), particularmente através do Observatório Mundial das Mulheres (WWO), uma iniciativa que escuta as experiências das mulheres e defende os seus direitos. As informações e as orientações pastorais partilhadas através desta rede global são transmitidas às comunidades paroquiais, onde tem lugar grande parte do trabalho prático. “Muitas mulheres que sofrem violência não têm capacidade para pagar aconselhamento”, explicou Zondi. “Mas, através da Associação, encontram um espaço onde podem falar, ser ouvidas e receber apoio de outras mulheres.” A Associação Sant’Ana promove também programas de aconselhamento nos quais mulheres experientes acompanham raparigas mais novas, ajudando-as a crescer em confiança, liderança e fé. As mulheres e o caminho sinodal Refletindo sobre o apelo do Sínodo à sinodalidade, Zondi destacou a importância de uma maior participação das mulheres na vida e na liderança da Igreja. “Se as mulheres estiverem mais envolvidas na liderança, isso ajudá-las-á a serem reconhecidas e a contribuírem de forma mais visível na Igreja”, disse a presidente da Associação. “Devemos caminhar juntos como irmãos e irmãs, colaborando na missão da Igreja”, enfatizou. Para as mulheres da Associação Sant’Ana, acrescentou Zondi, a mensagem do Dia Internacional da Mulher continua a ser clara: defender a dignidade, promover a justiça e garantir que as mulheres e as raparigas possam viver em segurança e liberdade.