Beata Lindalva Justo de Oliveira, mártir

Beata Lindalva Justo de Oliveira, mártir
Fonte: VATICANO

Beata Lindalva Justo de Oliveira, mártir

Os 30 anos do seu martírio foi recordado no Domingo de Páscoa de 2023. A palma por ela recebida no domingo de Ramos transformou-se na palma do martírio, na Sexta-feira Santa e na palma da vitória de Cristo, na Páscoa de 1993.

Manoel Tavares - Cidade do Vaticano

“É carregando a cruz que conhecemos o amor de Deus!”

"O Brasil precisa de Santos, de muitos Santos!" Assim disse o Papa João Paulo II, quando de sua viagem ao Brasil (12-21 de outubro de 1991), durante a Beatificação de Madre Paulina, em Florianópolis.

Mas, quem são os Santos e Beatos brasileiros elevados à glória dos altares? E quem são os Veneráveis e Servos de Deus?

Na “Página do Programa Brasileiro”, queremos dar “voz” às numerosas pessoas que nasceram ou viveram em nosso país, e que, pelo seu testemunho de vida, nos acompanham no caminho da santidade. Neste sentido, vamos conhecer mais de perto as obras e virtudes dos “Santos e Beatos” brasileiros. Iniciamos com a vida da Beata Lindalva Justo de Oliveira.

 

Beata Lindalva Justo de Oliveira

 

Lindalva nasceu em 20 de outubro de 1953, no pequeno povoado Sítio Malhada da Areia, município de Açu, Rio Grande do Norte, filha de João Justo da Fé (viúvo) e Maria Lúcia da Fé. Logo, não era baiana, mas Potiguar.

Lindalva, a sexta dos 12 filhos do casal, dava sinais de uma especial predestinação divina mediante suas práticas de piedade. Era uma menina normal, de aspecto gracioso, piedosa e muito sensível para com os pobres, de tal forma que, ainda jovem, surpreendeu a família doando suas roupas aos necessitados. Transferiu-se para Natal, onde morava com um irmão, estudou e trabalhou para se manter e ajudar a família. No entanto, visitava, todos os dias, os idosos do Instituto Juvino Barreto. Ao concluir o II Grau, passou a cuidar do pai, idoso e doente, com todo carinho e paciência. Quando ele faleceu, Lindalva, aos 33 anos, entrou para a Companhia das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, para servir a Cristo nos pobres.

Vida religiosa

 

Não foi fácil adaptar-se à vida religiosa, mas, com a graça de Deus, progrediu na sua caminhada espiritual, passo a passo, renúncia após renúncia. De fato, dizia sempre: “Amo mais a Jesus Cristo do que a minha família”.

Em sua formação religiosa, destacou-se pela prática das virtudes, o amor à oração, obediência alegre, sempre sincera e compreensiva. Lutou para corrigir seus defeitos e crescer no caminho da perfeição. Ela surpreendeu as Superioras pela sua disponibilidade e grande amor e dedicação aos pobres.

Após o período de Noviciado, foi enviada para o Abrigo Dom Pedro II, em Salvador da Bahia, onde foi responsável pela enfermaria, que continha 40 idosos. Para dedicar-se melhor aos doentes e idosos, fez um curso de Enfermagem. Era caridosa e zelava pelo bem espiritual dos pacientes, levando-os a Cristo sempre por meio de uma boa palavra. Além do mais, ainda encontrava tempo para visitar os pobres a domicílio, ajudando-os em suas necessidades materiais. A jovem tinha uma conduta impecável, alegre, pura, modesta e caridosa.

A santidade passa pelo crisol do sofrimento

 

Em 1993, o Abrigo Dom Pedro II, acolheu, entre os idosos, um senhor chamado Augusto da Silva Peixoto, 46 anos. Com o tempo, este homem começou a assediar a Irmã Lindalva. Temendo as suas intenções, procurou afastar-se, discretamente, refugiando-se na oração. Certo dia, confidenciou às suas coirmãs seu amor pelos velhinhos do Abrigo: “Prefiro derramar meu sangue do que me afastar daqui. É através da cruz que conhecemos o amor de Deus!”

No início da Semana Santa, não sendo correspondido com o amor da freira, Augusto Peixoto foi à Feira de São Joaquim, e comprou uma peixeira. Na noite entre Quinta e Sexta-feira Santa não dormiu. Ao amanhecer o dia, Irmã Lindalva foi participar da Via-Sacra, na paróquia da Boa Viagem e, ao voltar, subiu as escadarias da enfermaria, como se estivesse subindo para o Calvário: pôs o avental e começou a servir o café da manhã aos seus idosos. Compenetrada em seu serviço, em certo momento, Irmã Lindalva sentiu alguém bater no seu ombro: ao se virar, teve apenas tempo de ver o rosto furioso do homem, que havia conhecido há poucos meses...

Martírio

 

Diante dos olhares atônitos dos velhinhos, o assassino deu 44 facadas no corpo da religiosa. O número de perfurações em seu corpo foi o mesmo do Corpo de Cristo: 39 feridas e cinco chagas!

Após o feroz ataque, o assassino foi para fora da casa e sentou-se em um banco para aguardar a polícia. No Manicômio Judiciário, Augusto passou dez anos. Segundo os laudos psiquiátricos, o homem ficou livre, pois não apresentava mais perigo para a sociedade.

Naquela Sexta-feira Santa, dia em que Cristo morria na Cruz, também a Irmã Lindalva entregava a Deus a sua alma na enfermaria onde trabalhava, após ter contemplado a Paixão de Jesus, na Via Sacra. Assim, a Beata Lindalva recebeu a palma do martírio, por defender os princípios morais cristãos.

A Páscoa de Lindalva

 

A procissão do Senhor Morto, na noite da Sexta-feira Maior, parou diante do Abrigo Dom Pedro II, de onde o caixão da Irmã Lindalva se uniu ao do Senhor Morto e à imagem de Nossa Senhora das Dores. Durante toda a noite, uma multidão de fiéis, sacerdotes, religiosos e até evangélicos, participaram da vigília de oração diante do seu corpo inerte.

Na manhã do Sábado Santo, Dom Lucas Moreira Neves, então Cardeal Primaz de Salvador, celebrou as exéquias. No domingo de Páscoa, durante a celebração da Ressurreição do Senhor, o Cardeal refletiu sobre as virtudes da Irmã Lindalva Justo de Oliveira, partindo do significado do seu nome “Lindalva”: “Linda alva é a veste branca que ela, como todo cristão, recebeu no Batismo; Linda alva era seu hábito azul de Irmã de Caridade, agora purificado e alvejado pelo Sangue do Cordeiro; Linda alva é a límpida aurora da Páscoa de Jesus, que raiou para ela três dias depois da sua trágica Sexta-feira Santa. Linda aurora! Linda alva da sua Páscoa!”

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