Beatificados os mártires de Santander

Beatificados os mártires de Santander
Fonte: VATICANO

O Prefeito das Causas dos Santos, Cardeal Marcello Semeraro, presidiu, na manhã deste sábado, 7 de novembro, como representante do Santo Padre, à Santa Missa de Beatificação dos Servos de Deus, Francisco González Córdova e 79 Companheiros, na cidade espanhola de Santander.

Daniele Piccini – Cidade do Vaticano A santidade é a "vocação comum de toda pessoa batizada", não uma virtude limitada a uma época histórica específica, nem prerrogativa de uma "condição eclesial" particular.

Todos os cristãos são chamados a se serem "amigos do Senhor": uma multidão que "continua a aumentar e se tornar visível" nos que acolhem o seu chamado.

Este foi o ponto central da homilia proferida, em espanhol, na manhã deste sábado, 7 de novembro, pelo Cardeal Marcello Semeraro, Prefeito do Dicastério das Causas dos Santos, que, em nome de Leão XIV, presidiu a Santa Missa de Beatificação dos Servos de Deus Francisco González de Córdova e 79 companheiros, na Catedral da Assunção de Nossa Senhora em Santander, Espanha. [ Photo Embed: Os mártires de Santander] Uma multidão crescente O Cardeal lembrou ainda a Audiência geral de quarta-feira, 3 de novembro, durante a qual o Pontífice falou da "imensa multidão de amigos do Senhor" e explicou: “A santidade é um fenômeno em constante expansão, não limitado ao tempo, lugar ou estado de vida específico.

Toda beatificação acrescenta uma peça a um mosaico, ainda incompleto".

A seguir, o Cardeal Semeraro ressaltou: “Os 80 mártires de Santander eram sacerdotes, seminaristas e leigos.

O ‘status eclesial’ não é um fator determinante para a santidade, que não é privilégio de alguns, nem está ligada a uma forma particular de consagração.

A perseguição atingiu os mártires em diferentes situações, mas todos deram testemunho de sua pertença a Cristo".

Dos 80 novos Beatos, martirizados durante a Guerra civil Espanhola, na década de 1930, alguns foram lançados ao mar, com as mãos e os pés amarrados em uma pedra; outros desapareceram no navio-prisão "Alfonso Pérez", e outros ainda assassinados e queimados; alguns também morreram em uma espécie de campo de extermínio.

Entre os 80 mártires 67 eram sacerdotes, 3 religiosos Carmelitas, 3 seminaristas e 7 leigos.

Chamados a pertencer à multidão dos Santos Uma Beatificação, portanto, segundo o Cardeal Semeraro, não é apenas o "memorial de uma página dolorosa da história da Igreja”, mas um sinal, através do qual podemos vislumbrar, “dentro da mesma história”, a presença ativa da graça.

Trata-se de um testemunho que interpela a nossa responsabilidade.

Logo, os novos Beatos “não pertencem ao passado”, mas nos indicam, aqui e agora, o “caminho da fidelidade”.

A “imensa multidão” de Santos e Beatos não é uma dimensão a ser contemplada, mas uma “multidão à qual somos chamados a pertencer”.

O testemunho deles não deve nos levar a ser “espectadores da sua grandeza”, mas nos convidar a “viver a mesma fidelidade a Cristo, nas circunstâncias de nossa existência”.

Injustiça que se torna misericórdia A trecho do Novo Testamento, extraído do Evangelho de Lucas, é uma imagem estática de Cristo, que na Cruz, reza por seus algozes: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”.

E o Cardeal acrescentou: “Jesus passa por uma injustiça, que não o leva ao ódio, mas demonstra que o mal não tem poder de extinguir a misericórdia de Deus, porque o seu Amor é mais forte".

E o Cardeal Semeraro acrescentou: "É aqui que a palavra do Evangelho encontra o testemunho dos mártires, de todos os mártires e, hoje, também dos 80 irmãos que a Igreja declara Beatos.

Sigamos o seu exemplo".

Dito isso, o Cardeal Marcello Semeraro concluiu: “O testemunho de um mártir deve ser compreendido à luz do testemunho de Cristo que, na cruz, intercedeu pelos seus perseguidores.

Trata-se de uma força — como ouvimos na segunda leitura do Livro do Apocalipse — que os cristãos não conseguem ter por si mesmos, mas a adquirem ao lavar as suas vestes no sangue do Cordeiro, tornando-as cândidas".

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