Bernanos, citado pelo Papa no Eliseu e o risco de um "paraíso das máquinas"

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Bernanos, citado pelo Papa no Eliseu e o risco de um "paraíso das máquinas"
Fonte: VATICANO

Leão XIV citou Georges Bernanos no Palácio do Eliseu, em Paris. O autor católico francês, disse o Pontífice, "previu o risco de ver a obediência cega e a irresponsabilidade dominarem um 'paraíso das máquinas'. Para escapar disso, a civilização francesa trabalhou durante séculos para educar homens livres, plenamente responsáveis por seus próprios atos". Eis uma análise aprofundada sobre o pensamento do intelectual francês.

Gabriele Nicolò – Vatican News “Uma severa advertência à humanidade distraída e superficial, focada — no espírito da mediocridade míope — apenas no presente, ignorando assim a visão e a profecia”: foi o que Georges Bernanos formulou na década de 1940.

O escritor francês reflete sobre o destino da França e da Europa, alertando para o perigo da "civilização das máquinas e a crescente crise do espírito.

Talvez o homem não esteja muito interessado no mundo de amanhã, mas, certamente, o mundo de amanhã está muito interessado no homem".

Necessidade de vozes libertadoras Aconteça o que acontecer — as pessoas, geralmente, tendem a pensar assim: "Vou encontrar uma saída; dou um jeitinho".

A esperança é que este caminho não seja frequentado por ovelhas, para não caírem nas garras do lobo.

Um profeta só é realmente profeta após a morte: até então, raramente é procurado.

Bernanos afirma que não é um profeta, porém, vê o que os outros não veem ou insistem em não querer ver: "O mundo hoje precisa ouvir vozes, por menores que sejam, que tenham um poder libertador".

Trata-se de uma voz livre, apesar de parecer sombria e carrancuda, mas sempre tem um efeito revigorante.

Tais vozes não são necessariamente confortadoras e não encontram satisfação em nos convidar a aguardar o futuro como aguardamos a chegada de um trem.

O futuro, na verdade, é algo que precisa ser conquistado.

Nós não nos submetemos ao futuro, mas o criamos.

Civilização Desta forma, Georges Bernanos volta sua atenção para o termo "civilização", uma palavra que, em si, parece confortadora.

Na realidade, levando em consideração a “nossa modernidade” não é bem assim.

De fato, o escritor lamenta que a civilização atual sofreu uma involução, em comparação com a civilização, aceita e estabelecida em épocas passadas, quando a tradição desempenhava um papel de equilíbrio entre as antigas exigências e as novas aspirações.

Mas, o autor acrescenta: "A civilização de hoje, ao se desviar do seu caminho consagrado pelo tempo, é marcada por muitas injustiças, que também existiam no passado, mas eram vistas simplesmente como obra maligna do homem.

Agora não podemos mais falar de um 'artesanato humano' do mal, porque os perpetradores de injustiça são as máquinas, que obedecem às regras impostas por uma tecnologia sem controle".

Tecnologia e moralidade Enfim, Georges Bernanos ressalta que a tecnologia, se for usada com sabedoria e prudência, também possui sua moralidade própria.

Porém, se a tecnologia for colocada a serviço das injustiças ou se tornar sua raiz, as consequências serão severas, até letais, para o indivíduo e toda a coletividade.

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