O Dicastério para a Cultura e a Educação anuncia os 24 artistas do Pavilhão da Santa Sé na 61ª Bienal de Arte de Veneza. O projeto, "O ouvido é o olho da alma", se desenvolve entre Cannaregio e Castello. Novas obras inspiradas em Santa Hildegarda de Bingen. Curadoria de Hans Ulrich Obrist e Ben Vickers com o Soundwalk Collective. Um convite para desacelerar e ouvir.
Vatican News O Dicastério para a Cultura e a Educação anunciou os 24 artistas do Pavilhão da Santa Sé na 61ª Mostra Internacional de Arte da Bienal de Veneza. O projeto, intitulado “O ouvido é o olho da alma”, se desenvolve entre o Jardim Místico dos Carmelitas Descalços, em Cannaregio, e o Complexo de Nossa Senhora Auxiliadora, em Castello. Uma proposta que confirma o compromisso da Santa Sé com o diálogo com a arte contemporânea, colocando no centro um gesto essencial: ouvir. Um Pavilhão inspirado em Hildegarda Com curadoria de Hans Ulrich Obrist e Ben Vickers, em colaboração com o Soundwalk Collective, o Pavilhão apresenta novas obras encomendadas a 24 artistas, inspiradas na vida e no legado de Hildegarda de Bingen, proclamada santa e Doutora da Igreja em 2012 por Bento XVI. A exposição surge em diálogo com a proposta curatorial da Bienal de 2026, configurando-se como uma “oração sonora” e um convite à escuta contemplativa. O Jardim Místico: escuta e contemplação No Jardim Místico, espaço monástico do século XVII cuidado pelos Carmelitas Descalços, são apresentadas novas obras sonoras de vinte artistas, entre músicos, poetas e compositores, de Brian Eno a Patti Smith, de Jim Jarmusch a Meredith Monk, até às monjas beneditinas de Eibingen. As obras dialogam com os cantos e as visões de Hildegarda por meio da voz, dos instrumentos e do silêncio. Os visitantes são convidados a ouvir, por meio de fones de ouvido, essas criações, realizadas com o Soundwalk Collective, junto com um instrumento site-specific que “escuta” o jardim em tempo real. O coletivo, fundado por Stephan Crasneanscki e Simone Merli, integra som, filme e mídias mistas em obras imersivas e colaborou com artistas como Patti Smith e Jean-Luc Godard, desenvolvendo uma pesquisa sobre o som como chave de leitura da experiência humana. Nesse horizonte situam-se também as palavras do Papa Leão XIV: “A lógica do algoritmo tende a repetir o que ‘funciona’, mas a arte abre para o que é possível. Nem tudo precisa ser imediato ou previsível”. Castello: scriptório contemporâneo e a obra de Kluge No bairro de Castello, o Complexo Nossa Senhora Auxiliadora se transforma em um scriptorium contemporâneo, estruturado em torno de três elementos centrais: um arquivo vivo, a liturgia sonora das monjas de Eibingen e a última obra do diretor Alexander Kluge, que faleceu em 25 de março de 2026, aos 94 anos, autor do título do Pavilhão. O arquivo, criado em parceria com a irmã Maura Zátonyi e a Academia de Santa Hildegarda, reúne textos, pesquisas e materiais relacionados à Santa, oferecendo uma biblioteca multilíngue, livros de artista de Ilda David e um projeto arquitetônico monástico do Tatiana Bilbao Estudio. No centro do espaço encontra-se a obra final de Kluge: uma instalação monumental de filmes e imagens dividida em doze estações, distribuídas em três espaços de acordo com a lógica da restauração em andamento do edifício. Continuidade A proposta em Castello é uma evolução do Pavilhão da Santa Sé na Bienal de Arquitetura de 2025, dando continuidade ao projeto "Obra aperta" desenvolvido em parceria com o Tatiana Bilbao Estudio e o MAIO Architects. O comissário do Pavilhão é o cardeal José Tolentino de Mendonça. A coletiva de imprensa de apresentação será realizada em 27 de abril na Sala de Imprensa da Santa Sé.