A 1ª Assembleia Plenária anual dos Bispos da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), que decorreu em Luanda de 25 de fevereiro a 2 de março, encerrou com a aprovação da Nota Pastoral e da oração oficial por ocasião da visita do Papa Leão XIV a Angola.
Anastácio Sasembele – Luanda, Angola Durante seis dias de trabalhos intensivos, os prelados reflectiram sobre diversos temas de relevância eclesial e nacional, com destaque para a análise dos relatórios das dioceses, a vivência pastoral nas comunidades e a actual situação política, económica e social do país. Em conferência de imprensa realizada nesta segunda-feira, 2 de março, o porta-voz da CEAST, Dom Belmiro Chissengueti, apresentou os principais pontos abordados na plenária, sublinhando o compromisso contínuo da Igreja com a evangelização e com o desenvolvimento humano integral. Deliberações Na sequência dos trabalhos, os Bispos aprovaram a Nota Pastoral e a oração de preparação da visita do Santo Padre, bem como o esboço da mensagem pastoral intitulada “Chamados para serem enviados”, referente ao terceiro ano (2026 – 2027) do triénio dedicado aos ministros ordenados e à vida consagrada. Foi igualmente aprovado o modelo de testamento para Bispos e Sacerdotes, a ser implementado em todas as dioceses de Angola e São Tomé, como instrumento de orientação e organização eclesial. No âmbito da pastoral juvenil e formativa, foi apresentado e validado o programa da IV Jornada Nacional da Juventude, a realizar-se em Luanda, de 13 a 16 de Agosto de 2026, bem como o programa do III Simpósio Bíblico Internacional, agendado para os dias 17 a 19 de Setembro de 2026, também na capital do país. Conclusões e recomendações Os Bispos manifestaram grande alegria pela iminente visita do Papa Leão XIV e apelaram à participação massiva dos fiéis e de todos os homens e mulheres de boa vontade nas grandes celebrações previstas para o Kilamba, Muxima e Saurimo. Informaram ainda que todas as comunicações oficiais sobre a visita estão disponíveis no site da CEAST e no portal da Comissão Episcopal das Comunicações Sociais, devendo estas plataformas ser consideradas como fontes oficiais de informação. No contexto da caminhada sinodal, os prelados reiteraram a necessidade de empenho e dedicação de todas as dioceses na implementação das orientações já distribuídas, obedecendo ao seguinte calendário: Junho de 2025 a dezembro de 2026 – implementação nas Igrejas locais e nos agrupamentos; Janeiro a julho de 2027 – Assembleias de Avaliação nas dioceses; Julho a dezembro de 2027 – Assembleias de Avaliação nas Conferências Episcopais Nacionais e Internacionais; Janeiro a abril de 2028 – Assembleias de Avaliação Continentais; Outubro de 2028 – Celebração da Assembleia Eclesial no Vaticano. Apelos sociais Os Bispos demonstraram preocupação face ao agravamento das condições sociais no país. Diante do flagelo da fome e da pobreza, do aumento dos índices de prostituição e de criminalidade, instaram as autoridades a priorizar, no Orçamento Geral do Estado, programas que promovam a agricultura familiar, visando a autossuficiência alimentar e a criação de emprego, sobretudo nas zonas rurais. Manifestaram igualmente inquietação com o elevado número de crianças e jovens fora do sistema de ensino e com os altos níveis de abandono escolar, agravados pela fraca assiduidade de professores em áreas rurais. Segundo os prelados, esta realidade está a contribuir para o crescimento do analfabetismo, tornando urgente a reconfiguração do sistema educativo e a melhor distribuição geográfica dos concursos públicos para o sector da educação. Outro ponto de destaque foi a crescente e preocupante desflorestação que o país enfrenta, com graves consequências ambientais. A CEAST apelou a uma acção coordenada das autoridades e de todas as forças vivas da nação, com vista à mitigação deste fenómeno e à preservação do meio ambiente para as futuras gerações. Ao encerrar a plenária, os bispos reafirmaram o compromisso da Igreja Católica em Angola e São Tomé de continuar a ser voz profética na sociedade, promovendo a justiça, a reconciliação, a paz e o desenvolvimento integral da pessoa humana.