Paroquianos de Campo Bom (RS) viajam cerca de 900 km para a missa em Paysandú, neste sábado (7). Dioceses e paróquias do estado também se mobilizam para Montevidéu e Florida
Pe.
Paulo Henrique Almeida - Cidade do Vaticano O Papa Leão XIV chega nesta sexta-feira, 6 de novembro, ao Uruguai, na primeira etapa de sua viagem apostólica à América do Sul.
É a primeira visita de um Papa ao país em 38 anos.
O Brasil não está no roteiro, e muitos fiéis do Rio Grande do Sul, que faz divisa com o Uruguai, decidiram atravessar a fronteira para ver o Pontífice.
Entre eles está um grupo de 46 pessoas da paróquia Santa Terezinha, de Campo Bom, na Diocese de Novo Hamburgo.
Segundo o vigário paroquial, padre Rafael Fernando Staudt, a ideia partiu dos próprios paroquianos. "Eles vieram pedir a nós, padres, se íamos organizar alguma coisa para ver o Papa", conta.
A cidade fica a cerca de 900 km de Paysandú, onde Leão XIV celebra a missa neste sábado, às 10h.
O grupo escolheu essa cidade, e não Montevidéu, justamente por causa da celebração. "Eu não posso perder a chance" Alguns peregrinos já viram o Papa Francisco e o Papa Bento XVI.
Para o padre Rafael, que viu Francisco em várias ocasiões e Bento XVI em 2011, a expectativa é a mesma de sempre. "É muito impactante ver tantas pessoas reunidas em torno do sucessor de Pedro, especialmente agora o Papa Leão, que está há tão pouco tempo no pontificado", diz.
Segundo ele, todos esperam participar da Santa Missa e receber a Eucaristia "em unidade com o Papa".
O lema da visita ao Uruguai, "Anuncio-lhes uma grande alegria", tem sido repetido pelo grupo.
O padre afirma que há "uma grande movimentação" no estado. "Algumas dioceses e paróquias estão organizando ônibus, uns vão a Paysandú, outros a Montevidéu", diz.
Muitas pessoas que vivem na fronteira, segundo ele, dizem: "Eu não posso perder a chance de ver o Papa". "Levo muitas orações na bagagem" Kellen Taís de Andrade Gomes, 35 anos, é técnica em saúde bucal, casada e coordena os Consagrados Marianos da paróquia Santa Terezinha. "Eu me criei rezando pelo Papa São João Paulo II, na sala dos meus avós, diante do quadro dele", conta.
Ela diz que seu avô paterno, seu exemplo de vida, a acompanha do céu nessa viagem. "Estou levando muitas orações na bagagem", afirma, entre elas as da comunidade.
Kellen diz que espera voltar com a fé fortalecida e mais disposta a ajudar quem está à sua volta a se aproximar de Deus.
Para ela, a oportunidade é rara. "A vinda do Papa para a nossa região é rara e ir ao Vaticano é uma realidade difícil.
Será uma experiência única." "Reencontrar o primeiro amor" O padre Martin Goulart Fortes, pároco de Nossa Senhora da Purificação, em Nova Candelária, na Diocese de Frederico Westphalen, viu um Papa uma única vez, o Papa Francisco, na Jornada Mundial da Juventude do Rio de Janeiro, em 2013, durante sua primeira viagem apostólica ao Brasil.
Agora verá pela primeira vez Leão XIV. "A expectativa é renovar a fé e, acima de tudo, reencontrar aquele amor primeiro que nos chamou à vocação consagrada", diz.
Ele conta que estudou a cultura uruguaia e a relação do povo com a fé. "Percebe-se que uma grande parte da população não vive a fé católica de forma cotidiana e expressiva", afirma.
O Uruguai é considerado o país mais laico da América Latina.
Para o padre Martin, o Papa, com sua capacidade de dialogar com o mundo, pode levar ao país "uma paz de que ainda se precisa" e mostrar "que a fé pode transformar uma sociedade".
Ele acredita que muitos gaúchos estarão no Uruguai. "Nós, do Rio Grande do Sul, temos o privilégio de estar mais perto, viemos de carro", diz.
Em sua paróquia, a visita já era um assunto frequente, ainda mais depois da doença do Papa.
O Papa chega a Montevidéu às 16h30 desta sexta-feira e participa da cerimônia de boas-vindas na Plaza Independencia.
No sábado, celebra a missa em Paysandú, no Parque París Londres, às 10h, e à noite conduz uma vigília no Estádio Centenário, às 19h.
No domingo, 8, celebra a missa na Catedral Basílica de Florida, às 10h, antes de seguir para a Argentina.