Frederick Ngoran, membro da Comunidade dos Focolares em Bamenda, expressa a alegria de toda a população pela visita de Leão XIV à cidade, localizada no noroeste do país anglófono, na região marcada por tensões e violência dos separatistas: “tudo foi feito, mas, a certa altura, é necessária uma intervenção de Deus. O Papa veio agora, talvez este seja o momento”.
Salvatore Cernuzio e Francesca Sabatinelli - enviados a Bamenda, Camarões A tênue esperança, a partir de agora, com Leão XIV, torna-se quase uma certeza. A esperança da paz: um processo a ser construído “artesanalmente”, como dizia o Papa Francisco; um dom que não se deve “inventar”, mas que é apenas “para ser acolhido”, como disse nesta quinta-feira (16/04) o Papa Leão durante o Encontro pela Paz na Catedral de São José com a comunidade de Bamenda, “região martirizada” que o Pontífice exortou a olhar para o futuro. Há muito tempo esperavam por ele aqui, o Sucessor de Pedro, e hoje — em meio a uma agenda de viagem bastante intensa — ele chegou. “É um milagre”, sorri Frederick Ngoran, membro da Comunidade dos Focolares em Bamenda (“Olha ali à frente, na catedral, está o nosso Focolare”), que, junto à mídia vaticana, se faz porta-voz da sua alegria e da de todo o seu povo. Um encontro tão esperado por vocês, esse com o Papa; qual é agora a sua esperança? Acordei muito cedo para chegar aqui; para nós é uma grande alegria que o Papa esteja conosco hoje, também porque em nossa região estamos vivendo uma situação que já dura há muito tempo, há dez anos… Fizemos de tudo, rezamos, e realmente a chegada do Papa nos dá uma grande esperança de que se possa encontrar uma solução duradoura. O Papa, para nós, é essa resposta da intervenção de Deus. É a Igreja de todos, todo o povo espera exatamente isso… Quão importante é o fato de ter sido anunciada uma trégua? É importante; para nós, foi uma bela resposta, porque Deus sabe responder ao seu povo, não o abandona. Qual é a situação hoje? Hoje é realmente uma grande alegria. Ver todas essas pessoas aqui já indica que a situação, digamos, está melhorando. Claro, às vezes parece que estamos avançando, às vezes que estamos retrocedendo. Às vezes temos a sensação de estar parados… O senhor acha que, com este Encontro pela Paz do Papa, haverá um verdadeiro impulso para a paz em Bamenda? Na verdade, espero que sim! Os corações dos homens às vezes são duros, mas o Papa, vindo aqui como portador de Cristo, da esperança, espero que possa ser a solução que se espera… O que significa para vocês o fato de Leão XIV ter desejado uma visita justamente aqui em Bamenda? Para nós, é um milagre do Senhor. Talvez fosse exatamente o momento certo… Os caminhos do Senhor não são os nossos.