O secretário de Estado do Vaticano lembrou a figura de Luca Attanasio no quinto aniversário da trágica morte: primeiro no cemitério de Limbiate e depois em uma missa na Igreja de São Jorge. O embaixador italiano deu a vida, como cristão, “aceitando o chamado para construir um mundo melhor não apenas com pensamentos e hipóteses, mas com palavras e gestos reais, verdadeiros e sinceros”. A mensagem do presidente da Itália, Sergio Mattarella.
Alessandro Di Bussolo – Vatican News Colhemos a herança de Luca Attanasio, “para continuar a construir um mundo onde a paz seja mais desejada do que a guerra, onde a gentileza seja mais necessária do que a violência, onde a solidariedade seja mais eficaz do que o lucro”. Assim, o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, lembrou o testemunho do embaixador italiano na República Democrática do Congo, morto há cinco anos em uma emboscada junto com o policial Vittorio Iacovacci e o motorista Mustapha Milambo, em uma comemoração no cemitério de Limbiate, na província de Monza e Brianza, na manhã deste domingo, 22 de fevereiro. Uma dedicação além do dever, para construir um mundo melhor A poucos metros do túmulo do diplomata assassinado aos 43 anos, enquanto acompanhava pessoalmente uma missão humanitária do Programa Mundial de Alimentos, Parolin destacou que, embora seja necessário identificar claramente as responsabilidades por sua morte, Attanasio, como católico, doou sua vida “em sua vocação de embaixador, deixando viva a impressão de uma dedicação capaz de ir além do dever, desafiando os limites do necessário”. Ele deu a vida, comentou o cardeal, “aceitando o chamado para construir um mundo melhor não apenas com pensamentos e hipóteses, mas com palavras e gestos reais, verdadeiros e sinceros”. E ele a doou à sua família, “a Zakia e às filhas, aos pais, à irmã, aos amigos que ainda mantêm viva a sua proximidade”. Luca e a concretude da caridade Para o secretário de Estado, a herança de Luca é a do amor que se deixa ver, no desejo de se aproximar dos necessitados, na “concretude da caridade”, através de gestos que testemunham “as muitas atenções reservadas aos mais pobres e às comunidades de missionários que encontrou no desempenho de suas funções institucionais”. Também suas palavras, de quem se formou na escola da Palavra de Deus, permitiram a Attanasio, em suas missões diplomáticas, fazer-se compreender, “para levar uma mensagem de paz e consolação, além de competência”. Mattarella: a Itália olha para a África com sentimentos de humanidade Na mesma comemoração, chegou também a mensagem do presidente da República Italiana, Sergio Mattarella, ao prefeito de Limbiate e à família do embaixador assassinado na RDC em 22 de fevereiro de 2021. “No dramático cenário de crise que ainda assola a República Democrática do Congo – escreve o chefe de Estado –, a memória do embaixador Attanasio e de sua missão permanece mais exemplar do que nunca”. Sua dedicação, acrescenta Mattarella, “incorpora os nobres ideais da Itália republicana, que olha para o continente africano com espírito de cooperação e sentimentos de humanidade. O valor do compromisso diário dos servidores da República Italiana que, com coragem e senso de dever, atuam em territórios marcados pela instabilidade e pelos perigos, se repete na figura de Luca Attanasio e de todos aqueles que estavam com ele”. Cardeal Parolin: uma vida dedicada à cooperação entre os povos Posteriormente, às 11h30, o cardeal Parolin presidiu uma celebração eucarística na Igreja de San Giorgio, em Limbiate. Na homilia, o secretário de Estado sublinhou que a memória de Attanasio, na sua cidade, “continua a interpelar a consciência coletiva, porque há vidas que, mesmo quando são tragicamente interrompidas, permanecem como uma questão em aberto sobre o sentido do serviço, da responsabilidade e da dedicação ao bem comum”. Ele lembrou que sua existência, “dedicada ao serviço do Estado e à promoção da cooperação entre os povos, enfrentou contextos complexos, nos quais o interesse, o prestígio e a força parecem, às vezes, prevalecer”. Fazer escolhas segundo a lógica do serviço fiel E concluiu que a sua figura continua a colocar-nos uma questão exigente: “que lógica orienta as nossas escolhas pessoais e coletivas? A da utilidade imediata ou a do serviço fiel?”. O deserto para onde nos leva o Evangelho deste domingo (22/02), junto com Jesus, então “não é um lugar distante da história, mas o espaço interior no qual se decide como atravessá-la”. Também para nós, a prova não consiste na ausência de alternativas, “mas na necessidade de discernir entre o que parece eficaz no imediato e o que está em conformidade com a vontade de Deus”.