Cáritas RCA alerta para a precária situação humanitária em Am Dafock - Vatican News via Acervo Católico

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Cáritas RCA alerta para a precária situação humanitária em Am Dafock - Vatican News via Acervo Católico
Fonte: VATICANO

Quase um mês após o ataque dos rebeldes da Aliança para a Revolta Patriótica (ASP) a Am Dafock, no nordeste da República Centro-Africana (RCA), a situação humanitária continua preocupante, apesar da retomada da cidade pelas Forças Armadas Centro-Africanas e seus aliados. Os confrontos resultaram em cerca de trinta mortos e várias dezenas de feridos, além dos mais de 2 mil residentes deslocados para Birao, onde as necessidades de assistência de emergência são significativas.

Por Augustine Asta – Cidade do Vaticano Nas primeiras horas do dia 30 de junho de 2026, a cidade de Am Dafock foi alvo de um ataque violento levado a cabo por um grupo armado contra posições detidas pelas Forças Armadas da República Centro-Africana (FACA). Os confrontos resultaram em baixas entre civis e militares, enquanto edifícios públicos, residências e stocks de alimentos foram destruídos, saqueados ou incendiados. Perante esta violência, observa o Padre Alain Bienvenu Bangbanzi, Secretário Executivo da Cáritas da República Centro-Africana, milhares de residentes fugiram das suas casas para procurar refúgio perto da base da MINUSCA. Um grande acampamento de deslocados formou-se gradualmente, acrescenta o sacerdote, onde as famílias lutam atualmente para sobreviver em condições "extremamente difíceis". Parte da população, revela o Padre Alain Bienvenu, dirigiu-se para Birao, enquanto outros começam a regressar cautelosamente aos seus bairros, aproveitando uma relativa melhoria da situação de segurança. No entanto, "a situação humanitária continua a ser verdadeiramente precária e preocupante", prossegue o Secretário Executivo da Cáritas da RCA. Emergência humanitária em plena estação das chuvas As famílias deslocadas carecem, antes de tudo, de habitações adequadas para resistir às fortes chuvas que neste momento flagelam o país. Muitas delas vivem debaixo de "lonas improvisadas — por vezes cheias de buracos — que oferecem uma proteção insuficiente contra as intempéries", explica o Padre Bangbanzi. A esta situação acresce a escassez de alimentos, água potável e serviços de saúde. "As pessoas mais vulneráveis, especialmente mulheres e crianças, também necessitam de protecção contra os riscos de exploração e violência a que os deslocados internos estão frequentemente expostos", acrescenta. Para além da emergência imediata, a Cáritas sublinha também a necessidade de apoiar as populações na preparação para o regresso a um ambiente seguro. "As famílias que perderam os seus bens vão precisar de atividades geradoras de rendimento, bem como de sementes e ferramentas agrícolas, para retomar a produção de alimentos e limitar o risco de insegurança alimentar", enfatiza ainda o sacerdote. Intervenção da Cáritas RCA Atuando através da sua rede paroquial, a Cáritas RCA conta com a filial da Cáritas da paróquia de Birao para avaliar as necessidades das populações em Am Dafock. Os dados recolhidos são utilizados para elaborar apelos de emergência destinados a parceiros humanitários. A organização colabora também com agências humanitárias, especialmente para facilitar a entrega dos apoios a esta zona de difícil acesso, onde uma "ponte aérea é, muitas vezes, a única forma de chegar às populações afetadas". No entanto, "enfrentamos constrangimentos operacionais e a falta de recursos materiais e financeiros", lamenta o Padre Alain Bienvenu. Para intervirmos de forma eficaz, acrescenta, "precisamos de um apoio significativo dos nossos parceiros". Apelo à solidariedade Face à dimensão das necessidades, a Cáritas RCA apela às autoridades, aos parceiros humanitários e à comunidade internacional para que intensifiquem o seu apoio, de forma a "aliviar o sofrimento da população de Am Dafock". "Embora a situação de segurança tenha melhorado gradualmente graças aos esforços das forças governamentais e dos seus aliados, os desafios humanitários continuam a ser imensos nesta zona do leste do país, onde as dificuldades de acesso complicam ainda mais a entrega de ajuda", sublinha o Secretário Executivo da Cáritas da República Centro-Africana. Para o Padre Bangbanzi, só uma "mobilização colectiva" permitirá oferecer uma "resposta à altura desta crise humanitária" em Am Dafock.

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