A França, onde Leão XVI é esperado no final desta semana, ainda é um país católico? Quem são os católicos que acolherão o Papa durante sua quinta viagem apostólica, de 25 a 28 de setembro? Com o historiador Guillaume Cuchet, voltamos aos anos de declínio do catolicismo e ao despertar da fé que atualmente alcança parte da juventude francesa.
Marie Duhamel – Cidade do Vaticano Apenas 2% dos católicos declarados participam da Missa todos os domingos, formando, contudo, uma comunidade menos envelhecida do que no passado, observa o autor do livro "O catolicismo ainda tem futuro na França? "(Editora Seuil, 2021).
Essa comunidade está se recompondo segundo uma sociologia «em U», avalia o professor de história contemporânea da Universidade Paris 1 Panthéon-Sorbonne, sustentada por uma burguesia conservadora e por uma dinâmica imigração cristã.
São católicos menos numerosos, mas que afirmam sua presença de maneira mais visível e comprometida no espaço público.
Um dos efeitos do «tornar-se minoria» em uma sociedade amplamente secularizada, observa o historiador.
No entanto, desde 2019, a Igreja registra um forte aumento dos batismos de adultos, impulsionado pelas redes sociais, pela relação com o Islã e pela chegada de uma geração sem preconceitos religiosos.
Trata-se de um despertar pontual ou duradouro?
De qualquer forma, é um fenômeno claro e que deve ser levado em consideração, considera Guillaume Cuchet, lembrando que a França já conheceu outras ondas de conversões no passado, entre as duas guerras mundiais ou durante o período romântico após a Revolução.
O professor, contudo, relativiza esse ressurgimento, que não compensa a queda acentuada no número de batismos registrada nos últimos 60 anos e que ocorre em uma sociedade onde o Estado mantém uma laicidade rigorosa, adotando leis muito distantes da moral da Igreja.
A França é uma terra de contradições, ao mesmo tempo filha mais velha da Igreja e país da Revolução.
O senhor fala de um colapso do catolicismo na França.
Para compreender suas proporções, poderia ilustrá-lo com dois números?
No início dos anos 1960, entre os quase 700 mil bebês que nasciam todos os anos na França, 93% deles, arredondando os números, eram batizados nos três meses seguintes ao nascimento.
Hoje, provavelmente estamos abaixo de 20% de batizados nos sete anos seguintes ao nascimento.
Portanto, trata-se de um indicador que normalmente não sofre grandes alterações e que havia atravessado a Revolução Francesa, a Revolução Industrial e as duas Guerras Mundiais, mas que entrou em colapso nos últimos 60 anos.
Outro número é a taxa de prática dominical, ou seja, o número de adultos que participam da Missa todos os domingos.
No início dos anos 1960, eram 25%, ou seja, uma em cada quatro pessoas, com taxas que variavam praticamente de 0 a 100% na França, dependendo das regiões, o que era uma particularidade nacional.
Hoje, é inferior a 2%.
Estamos falando de uma redução de dez ou doze vezes.
Portanto, do ponto de vista estatístico, o fenômeno é bastante evidente.
Como explicar essa queda tão brusca?
Há causas especificamente religiosas, relacionadas às escolhas feitas pela Igreja, às opções pastorais e às orientações gerais.
Na França, por exemplo, houve longas discussões sobre o papel do Concílio.
Ora, o último grande colapso coincide aproximadamente com o período posterior ao Concílio Vaticano II.
Isso deu origem a grandes e acaloradas discussões: foi uma boa ideia?
O Concílio teve alguma responsabilidade nisso?
E, se teve, de que maneira exatamente?
Portanto, existem causas religiosas e, evidentemente, causas socioculturais, provavelmente ainda mais importantes, porque são comuns a todos os países da Europa Ocidental, embora a França seja justamente o país onde esses processos estão mais avançados.
A França continua sendo um país de tradição católica?
Se um país católico é aquele em que a maioria dos habitantes se considera católica, certamente era assim até pouco tempo atrás.
Era inclusive um país de cultura católica de maneira amplamente majoritária: entre 90% e 95% das pessoas ainda eram batizadas nos anos 1960.
Hoje, deixou de ser.
Na França, não temos estatísticas oficiais por causa da laicidade, mas dispomos de pesquisas.
Uma das mais recentes mostrava que, entre as pessoas de 18 a 59 anos, cerca de 25% se declaravam católicas.
Trata-se de apenas um quarto dos franceses.
Portanto, se um país católico pressupõe que a maioria da população pertença à fé católica, a França já não o é.
Por outro lado, possui um passado católico muito longo e rico, que se manifesta também em seu patrimônio.
Quando a Catedral de Notre-Dame de Paris foi incendiada, em 2019, vimos a emoção que o acontecimento provocou, revelando certo apego a essa cultura católica.
Muito dela ainda permanece.
Além disso, continua existindo um ambiente católico muito vivo e dinâmico, assim como uma cultura católica que foi a da «filha mais velha da Igreja», segundo a expressão do século XIX.
A França foi, em vários níveis, a principal potência católica do mundo.
No plano demográfico, isso ainda era evidente no século XIX.
Em 1914, três quartos dos missionários católicos do mundo eram franceses.
O Papa Paulo VI dizia, em 1964, que a França «cozia o pão intelectual da cristandade».
Portanto, muita coisa permanece: o patrimônio e a herança são muito ricos, e existe um ambiente vivo e ativo que procura reinventar sua relação com esse patrimônio.
É possível traçar uma sociologia dos católicos atualmente — faixas etárias, meios sociais etc.?
As diferenças de idade são hoje menores do que eram no passado, porque o afastamento iniciado nos anos 1960 e 1970 começa a ficar um pouco distante.
Aqueles que se afastaram, nascidos nos anos 1950, começam a ter 75 anos.
A pirâmide etária, portanto, se reequilibrou um pouco.
Antigamente, há 20 ou 25 anos, os participantes das Missas dominicais eram idosos.
De modo geral, isso é um pouco menos verdadeiro hoje.
Quanto à sociologia do catolicismo: quando você representa 90% de uma geração, há todo tipo de pessoa entre seus membros, fiéis de todas as classes sociais.
Quando você representa apenas 20%, potencialmente possui uma sociologia mais desequilibrada, com determinados grupos sobrerrepresentados e outros sub-representados.
Costumo dizer que o catolicismo francês possui uma sociologia em «U», com uma das extremidades constituída por meios sociais privilegiados, burgueses, que se mantêm firmes e são bastante dinâmicos.
A outra extremidade é formada pela imigração cristã extraeuropeia, dinâmica nas periferias das grandes cidades.
E a base é constituída pela maior parte da sociedade francesa, pelas classes médias populares, digamos, brancas, que estão muito sub-representadas.
Existe uma espécie de abismo, um colapso sociológico entre os dois grupos.
Assim, a sociologia do catolicismo francês está um pouco desequilibrada no que diz respeito aos meios sociais.
Volto, finalmente, ao afastamento.
Depois dos grandes afastamentos dos anos 1960 e 1970, a segunda geração pode continuar vivendo esse processo.
Já a terceira geração se torna disponível para outra história.
Penso que, quando se chega a esse ponto nas famílias, existe a possibilidade, inclusive para a Igreja, de ver as cartas sendo redistribuídas.
Há novas possibilidades, porque temos uma jovem geração que possui pouco passado religioso, que frequentemente tem ascendência católica e que talvez já não tenha os preconceitos de ontem.
Ela se torna mais curiosa e mais disponível para um renascimento da mensagem evangélica.
Portanto, os católicos são menos numerosos que os não crentes declarados.
São uma minoria, mas parecem hoje mais engajados.
Reivindicam sua pertença à Igreja e testemunham sua fé no espaço público, algo que era quase impensável há 20 ou 30 anos.
Como compreender essa evolução?
Talvez seja uma consequência de tornar-se minoria.
Quando você é minoria, sua identidade já não é algo óbvio; ela se torna mais distinta em relação aos grupos externos.
E, portanto, se você pretende perseverar nela, assume-a mais abertamente.
Penso que esse é quase um efeito lógico de tornar-se minoria.
Talvez também tenha atuado outro fator.
As correntes, digamos, mais identitárias e mais conservadoras do catolicismo francês conseguiram, de modo geral, se sair melhor do que aquelas que haviam escolhido, ao contrário, a integração e a dispersão na sociedade como um todo.
Assim, o fato de o catolicismo ter se tornado minoritário e a relativa vitalidade das correntes mais conservadoras ou identitárias, em minha opinião, contribuem para explicar isso.
O número de batismos caiu consideravelmente, de 400 mil nos anos 2000 para 200 mil por ano atualmente.
Por outro lado, observa-se um aumento do número de catecúmenos.
Trata-se de um despertar circunstancial ou de uma promessa?
Primeiramente, trata-se de uma retomada recente.
Falamos sobre isso desde 2019.
Portanto, para um historiador que pensa em longo prazo, é cedo demais para dizer se é um movimento passageiro, um fenômeno episódico ou o início de algo mais consistente.
No passado, a Igreja na França conheceu regularmente fases de retomada bastante dinâmica, períodos de 30 ou 40 anos, momentos de entusiasmo breves, verdadeiros fogos de palha, antes que o desânimo voltasse a prevalecer.
É preciso lembrar que, sob João Paulo II, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude de 1997, em Paris, houve um entusiasmo muito forte que acabou diminuindo.
E é preciso reconhecer que o pontificado de João Paulo II, pelo menos na França, nem sequer estabilizou as curvas.
Portanto, é preciso esperar para ver, mas isso já é significativo.
É bastante claro e pode funcionar como um indicador das tendências atuais do catolicismo francês.
É possível perceber, através dessa retomada, o que de certa maneira a impulsiona.
O que leva esses adultos ou jovens adultos a pedir o Batismo?
Penso que ainda é um pouco cedo para dizer.
Mas, deixando de lado as explicações propriamente religiosas que circulam facilmente no meio católico, como «Deus está agindo» ou «os jovens têm sede de radicalidade», que são afirmações um tanto tautológicas, vejo quatro possíveis explicações.
A primeira é a questão da relação com o Islã, porque evidentemente é algo muito marcante.
Na França, o cenário religioso está se recompondo.
Muitas pessoas já não têm uma religião declarada, mas, entre aqueles que ainda possuem uma, não estamos mais diante de um cenário dominado pelo catolicismo.
É um cenário mais dividido, mais pluralista, no qual o Islã, o protestantismo — sobretudo o evangélico — e o catolicismo, que continua sendo a primeira religião do país, têm um peso que talvez se torne equivalente ou, em todo caso, muito menos desequilibrado.
É um cenário completamente diferente daquele que conhecemos praticamente desde o final do século XVII, e isso está acontecendo diante dos nossos olhos.
Portanto, a questão da relação com o Islã atua, em minha opinião, de duas maneiras: por um lado, como uma busca identitária ou uma reação identitária de alguns, nos meios mais conservadores, mas não somente neles.
Há também uma espécie de imitação do fervor islâmico entre os jovens, por parte de pessoas que não têm medo disso e convivem com seus contemporâneos muçulmanos.
O sucesso, por exemplo, da Quarta-feira de Cinzas, que chegou a ser apresentada como o «Ramadã dos católicos», faz parte dessa lógica.
Portanto, a questão do Islã é muito importante.
O segundo fator, em minha opinião, é a importância da imigração cristã extraeuropeia.
Fala-se muito dessa Igreja presente nas periferias.
Também se fala em «crioulização do catolicismo francês».
Existe aí um polo realmente dinâmico, formado por populações que, sociológica ou mesmo culturalmente, se parecem com aquelas entre as quais o Islã ou o protestantismo evangélico recrutam fiéis, e exatamente nos mesmos lugares.
Isso tem importância.
Além disso, renova a imagem da Igreja na França, que já não aparece simplesmente como uma instituição conservadora identificada com determinadas populações.
O terceiro fator frequentemente mencionado é o dinamismo dos influenciadores católicos nas redes sociais.
A Igreja sempre soube acompanhar as mudanças tecnológicas, esta e as anteriores.
Ela possui representantes entre os influenciadores e, como ainda mantém uma presença pública, eles encaminham parte do mundo presente nesses espaços virtuais para as paróquias.
Vemos chegar pessoas com um catolicismo às vezes «um pouco feito de retalhos», cabendo às paróquias reorganizar e tentar reconstruir o conjunto.
Esses influenciadores desempenharam um papel importante.
E isso se relaciona ao que eu dizia anteriormente sobre o grande afastamento dos anos 1960 e 1970.
Hoje, em famílias que não possuem um passado religioso, mas que também não herdaram uma hostilidade em relação ao catolicismo, existe uma espécie de fundo de indiferença ou simpatia espontânea que pode favorecer o catolicismo.
Mesmo que a crise dos abusos sexuais também tenha colocado sobre a Igreja na França uma espécie de imagem rígida e muito repulsiva.
Vemos que a terceira geração retorna, ou pode retornar, mais facilmente do que a segunda ou a primeira, que ainda está envolvida no processo de afastamento.
Penso que isso atua «na maior parte da sociedade francesa» para explicar um movimento que, no fim das contas, continua limitado.
É verdade que há hoje três ou quatro vezes mais catecúmenos do que havia cinco ou seis anos atrás, mas isso não compensa de forma alguma a dimensão da queda da taxa de batismos de crianças.
Para falar de maneira simples, recuperamos 5% do «mercado» que perdemos.
Como a Igreja Católica pode acolher, comportar-se e responder de maneira duradoura a esse fenômeno novo e surpreendente dos catecúmenos?
No passado, ela soube mostrar-se criativa para confirmar a fé dos católicos em momentos de crise?
Hoje se discute muito a questão do acolhimento na Igreja da França.
Existe um problema de acolhimento ou de «perseverança dos convertidos», como se dizia antigamente.
É difícil perseverar na fé quando se chega sozinho, sem poder contar com um ambiente que o conduziu até ela.
Ao mesmo tempo, a pessoa chega mais motivada que as outras, mas um pouco mais vulnerável para perseverar no longo prazo.
Portanto, esse problema da perseverança existe, e me chama a atenção perceber como os católicos estão conscientes disso e transmitem essa mensagem nas paróquias, dizendo: «atenção, acolhamo-los, escutemo-los, deixemo-nos transformar por esses recém-chegados, porque, caso contrário, eles simplesmente passarão por aqui».
O movimento de rotatividade poderia ser significativo.
Os responsáveis pela Igreja estão conscientes disso e preocupam-se com a questão.
No passado, houve outras ondas de conversões na história da Igreja na França, nos anos 1830 e 1840.
Foi a onda romântica.
Naquela época, muitos filhos da Revolução Francesa não tinham muito passado religioso nem preconceitos em relação ao catolicismo, e a Igreja soube acolhê-los e aproveitar sua energia.
A renovação católica do século XIX está, em parte, relacionada à acolhida que ela soube oferecer a essas pessoas a partir dos anos 1830.
Houve outra onda de conversões no período entre as duas guerras mundiais, no final dos anos 1920 e durante os anos 1930, quando foram criados movimentos especializados de Ação Católica, como a Juventude Operária Cristã, a JOC.
Naquele momento, houve muitos convertidos provenientes dos meios operários.
E a Igreja estava muito consciente disso: era necessário que as paróquias se reinventassem para abrir espaço a essas pessoas, que teriam dificuldade para encontrá-lo sozinhas.
Portanto, não é a primeira vez que a Igreja precisa refletir sobre esses problemas.
A Igreja pode tentar retomar esses antigos temas, dos quais nem sempre conserva uma memória muito viva, ou encontrar seu próprio caminho, inspirando-se também, penso eu, no que fazem os protestantes ou os muçulmanos.
Porque, no fim das contas, acredito que uma parte da juventude, de modo geral, está atravessando uma espécie de despertar religioso.
Mas isso também permanece limitado, pois o fenômeno mais marcante entre os jovens é a desfiliação religiosa.
Em uma França onde a laicidade é um princípio constitucional, onde a tendência é ao ateísmo, mas onde as comunidades religiosas afirmam sua presença, o Estado poderia rever sua relação com o fenômeno religioso?
Não acredito, porque as tendências gerais continuam sendo de uma secularização bastante forte.
E continuam sendo aprovadas leis sociais muito distantes da moral da Igreja.
Penso, recentemente, evidentemente, na lei sobre a ajuda para morrer, que combina eutanásia e suicídio assistido, ou, em 2024, na constitucionalização do aborto.
Isso é quase uma questão dogmática.
Portanto, parece-me que não veremos o cenário político se reconfigurar em torno dessas questões.
Por outro lado, vemos claramente que, nas instâncias oficiais, existe uma espécie de preocupação diante da questão da laicidade, dessa ideia de que a laicidade estaria de alguma maneira ameaçada na França.
Isso ficou evidente durante os 120 anos da lei de separação de 1905.
Houve muitas comemorações oficiais, sem muito entusiasmo real na sociedade.
Mas percebe-se que o Estado insiste nesse ponto.
Primeiro, porque existe a questão do Islã, que é «o» debate sensível na França desde o final dos anos 1980, portanto há 45 anos.
A ideia é que as batalhas pela laicidade agora se travam mais no campo do Islã do que no campo do catolicismo.
E existe também a sensação de que, entre uma parte da juventude — uma juventude que também é, em parte, muçulmana, mas não somente — há certo cansaço diante desse ideal laico que lhes foi repetidamente apresentado.
De fato, falou-se muito de laicidade às novas gerações, muito mais do que no passado, durante as aulas de educação cívica.
Existe uma espécie de cansaço diante desse «catecismo».
Todos os catecismos incomodam aqueles que os escutam, sejam religiosos ou civis.
Percebe-se que tudo isso causa certa preocupação e que existe uma batalha pela laicidade a ser travada.
Portanto, não acredito de forma alguma que o Estado, mesmo sob um governo de direita, vá mudar sua atitude nesse campo.
Parece-me pouco provável.
Ao fazer essa pergunta, eu estava pensando mais na necessidade de combater pelo menos a ignorância sobre o fenômeno religioso, para favorecer o diálogo e evitar fraturas na sociedade.
Sim, essa é uma evolução mais antiga da laicidade, que na França surgiu a partir de um documento que teve certa repercussão: o relatório Debray, apresentado em 2002, elaborado pelo filósofo Régis Debray.
Ao constatar o colapso da catolicização dos franceses, ele considerava que, ainda assim, era necessário explicar-lhes do que se trata, para que pudessem compreender aquilo que têm diante dos olhos no Louvre quando contemplam uma pintura da Assunção.
Ele considerava que a escola pública deveria encarregar-se de oferecer, não aulas de catecismo, mas aulas de cultura católica ou cristã.
Isso continua atual, embora essa necessidade seja, às vezes, combatida justamente pelas preocupações provocadas por algumas das religiões presentes hoje.
Assim, os professores hesitam sobre qual comportamento adotar.
Pode-se dizer, ouvindo o senhor, que a França é hoje uma terra de missão, mais do que de vocação?
Como eu lhe dizia: em 1914, três quartos dos missionários católicos do mundo eram franceses, assim como quase todas as religiosas e metade dos missionários homens.
Se a França foi, por excelência, o país das missões, no século XX ela tomou consciência de que tinha um problema missionário dentro de suas próprias fronteiras, com um best-seller publicado em 1943, intitulado A França, país de missão?, dos padres Henri Godin e Yvan Daniel.
Foi um choque perceber que o país das missões externas poderia ter, internamente, um problema missionário.
Desde então, o catolicismo francês esteve bastante na vanguarda na tentativa de inventar novos meios para enfrentar esse problema missionário interno.
E, de certa maneira, o recente crescimento do catecumenato se insere um pouco nessa tradição.
Ou seja, muitas vezes é na França que isso acontece, existe uma espécie de criatividade apostólica ligada, paradoxalmente, à radicalidade da secularização local.
É, ao mesmo tempo, a França filha mais velha da Igreja e o país da Revolução Francesa.
É o país de todas as contradições e de todos os paradoxos.
E um país onde os católicos locais tiveram de ser mais atentos e, às vezes, mais ágeis do que outros diante dessas questões sensíveis.