A exploração dos recursos naturais, a pobreza, a violação dos direitos humanos e a degradação ambiental estiveram entre as preocupações apresentadas por dois sacerdotes da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé e Príncipe (CEAST), durante um seminário de Justiça e Paz da Associação Inter-Regional dos Bispos da África Austral (IMBISA).
Por Sheila Pires, em Joanesburgo Os Padres Celestino Epalanga, de Angola, e Edgar Cabral Vila Nova, de São Tomé e Príncipe, participaram no seminário da IMBISA, na África do Sul, dedicado ao reforço da capacidade de intervenção dos líderes religiosos em questões sociais, económicas, políticas e ambientais.
O encontro decorreu de 12 a 16 de outubro, no Centro de Retiros Padre Pio, em Pretória, sob o tema ‘Capacitar os líderes religiosos para uma intervenção eficaz na defesa de questões sociopolíticas, económicas e ambientais na região da IMBISA’.
Em entrevistas à Vatican News, o padre jesuíta Celestino Epalanga, secretário-geral da Comissão Episcopal de Justiça e Paz e Integridade da Criação da CEAST, e o missionário claretiano padre Edgar Cabral Vila Nova, membro da Comissão de Ecumenismo, Justiça e Paz da Diocese de São Tomé, partilharam as realidades dos seus países e a importância da intervenção da Igreja na defesa da dignidade humana. [ Audio Embed Pe.
Celestino Epalanga, oiça a entrevista e partilhe] Angola: riqueza mineral e pobreza das comunidades O padre Celestino Epalanga chamou a atenção para o contraste entre a abundância de recursos naturais em Angola e as condições de pobreza enfrentadas por muitas comunidades, sobretudo nas regiões onde se desenvolvem actividades de mineração. “Vivemos este paradoxo: países ricos em recursos minerais, mas com uma pobreza a bradar aos céus”, afirmou, referindo que a exploração mineira, tanto industrial como artesanal, tem provocado danos ambientais e graves consequências sociais.
Segundo o sacerdote, algumas comunidades enfrentam situações de insegurança, perda de meios de subsistência e violações dos direitos humanos.
Nas zonas de exploração mineira, a degradação ambiental e a falta de condições de segurança agravam a vulnerabilidade das populações.
O jesuíta referiu ainda a insegurança alimentar e as dificuldades no acesso à educação como desafios que exigem uma resposta urgente.
Para o Celestino, a riqueza extraída do território deveria contribuir para melhorar as condições de vida da população, em vez de coexistir com situações de pobreza extrema.
Neste contexto, destacou o trabalho da Igreja através da monitorização social e do projecto Mineração, Vida e Direitos Humanos, que procura sensibilizar as comunidades para os seus direitos e promover o diálogo entre as populações, as autoridades públicas e as empresas mineiras.
São Tomé e Príncipe: a Igreja não pode ficar indiferente Por sua vez, o padre Edgar Cabral Vila Nova destacou a importância da formação proporcionada pelo seminário para reforçar a capacidade de intervenção pastoral da Igreja perante os desafios sociais e ambientais. “Permanecer indiferente perante a opressão e os conflitos sociais, principalmente a desigualdade social, é estar ao lado do opressor”, afirmou.
O missionário explicou que a degradação ambiental, a contaminação da água e do ar e as condições precárias de higiene e saúde podem comprometer directamente a vida das comunidades.
Por isso, considerou importante que os agentes pastorais adquiram conhecimentos e instrumentos que lhes permitam actuar de forma mais eficaz na defesa das populações.
Ao abordar a realidade de São Tomé e Príncipe, o padre Edgar referiu também as tensões sociais associadas às promessas políticas não concretizadas e à insatisfação da população.
Segundo o padre Edgar, estas situações exigem que a Igreja continue a chamar os responsáveis políticos à responsabilidade e a defender o bem comum.
O padre Edgar manifestou igualmente preocupação com as mudanças nas relações familiares, observando que a convivência e a autoridade dos pais têm vindo a enfraquecer em algumas famílias são-tomenses, num contexto marcado pelo isolamento dos membros do agregado familiar e pelo impacto da era digital. [ Audio Embed Oiça aqui a entrevista com o Pe.
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