CEP: “chegar a plataformas comuns de enfrentar os problemas” - Vatican News via Acervo Católico

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CEP: “chegar a plataformas comuns de enfrentar os problemas” - Vatican News via Acervo Católico
Fonte: VATICANO

Dom José Ornelas conclui neste mês de abril seis anos de presidência da Conferência Episcopal Portuguesa, percurso que considera ter sido “um grande dom”, mas também “um grande desafio”.

Rui Saraiva – Portugal  Em entrevista à Renascença, o bispo de Leiria-Fátima e presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) analisa o seu percurso de seis anos de serviço, que agora se conclui em abril. Começa por referir decisões que serão agora confirmadas, para o futuro das comissões episcopais, em particular, da pastoral social, mobilidade humana e também da comunicação social. Uma entrevista conduzida pelos jornalistas Ângela Roque e Henrique Cunha. Abril vai ser um mês importante na Conferência Episcopal, vai haver eleições para os vários organismos da CEP. Em novembro foi já decidido que vão desdobrar algumas comissões episcopais, como a da Pastoral Social e a Mobilidade Humana, que vai passar a duas, uma para cada temática. O atual contexto em que estamos exige que a Igreja também se dedique mais, e de forma autónoma, a cada uma destas áreas? Autonomia quer dizer coordenação e capacidade de intervir em determinado setor. Precisamos de ter secretariados a funcionar e comissões que se dediquem a estudos mais concretos, porque se temos secretariados com um leque de intervenção muito ampla, não são funcionais. Dispersar também nem sempre é a melhor solução, porque fica tudo muito compartimentado. Este caminho sinodal que está a fazer na Igreja é importante que chegue a todas as dioceses e à Conferência Episcopal, a todas as Conferências Episcopais, porque é um modo novo de entender as coisas e de as articular, que se chama corresponsabilidade ativa, e que significa que trabalhamos em conjunto, mas cada um dentro do seu âmbito. Acho que isto é importante, sem tirar a especificidade de cada Igreja local, de cada diocese, mas tendo cada vez mais uma forma de trabalhar em conjunto e de encontrar transversalmente soluções novas, porque hoje a mobilidade não é só dos imigrantes, é a mobilidade inteira. Veja, por exemplo, a questão da nossa juventude: mantém-se mais ou menos fiel às igrejas – aqueles que são crentes –, mais ou menos dentro, ainda em ligação com a Igreja. Quando vão para as universidades, mesmo que não saiam da sua cidade, é outro tipo de relação com a fé e precisam de outro acompanhamento. A Igreja tem de ser sempre local, mas ao mesmo tempo tem de ser sempre universal. E quando perde isto, perde no mundo de hoje, em que não é só a mobilidade geográfica, é a mobilidade dos meios de comunicação, que são referências, e onde temos de nos reinventar também como Igreja. E esse é o caminho para acompanhar a sociedade e o mundo. Também tem a ver com isso o desdobramento da Comissão Episcopal dos Bens Culturais e das Comunicações Sociais? Porque vamos passar a ter uma Comissão Episcopal das Comunicações Sociais. Isto quer dizer que a Igreja vai valorizar mais esta relação com os media? Eu penso que qualquer instituição que viva nesta terra, hoje a forma de comunicar já mudou muito e vai mudar. A rádio continua a ser uma companhia e é muito importante nas minhas deslocações. Eu vinha a ouvir rádio quando me dirigia para aqui, e como eu muitas outras pessoas quando se deslocam. Isso significa também que é muito importante esta capacidade de estarmos presentes neste mundo de constante mudança. E aí, tiro o chapéu à Rádio Renascença, porque dentro do nosso país é uma referência fundamental, não só na comunicação geral, mas na comunicação dentro da Igreja, e pela qual tenho não só um grande respeito, mas também um grande desafio de exigência e de constante renovação que é preciso. Porque hoje, particularmente na comunicação, isto está constantemente a mudar e a gente não pode parar. De acordo com os estatutos, D. José já não poderá ser reconduzido como presidente da CEP? Ah! Não imagina a pena que me faz! (risos) Pergunto-lhe, por um lado, que balanço faz destes anos que passou à frente da CEP, como gostaria de ser lembrado e se prevê umas eleições muito renhidas? Isto não é futurologia, não é uma eleição em que cada um se apresenta com propostas. Eu quando fui eleito não tinha nenhum programa… Foi eleito pelos seus pares e agora vai acontecer o mesmo… O mesmo processo. Ter vivido estes seis anos à frente da Conferência Episcopal é um grande dom, um grande esforço, um grande desafio que se assume. Não me interessa fazer balanços, nem nada. Agora, que fi-lo com paixão, sim, no meio de dificuldades, primeiro foi a pandemia… Foram anos desafiantes, de facto. Sim, desafiantes. Depois houve o processo dos abusos e as crises económicas que foram surgindo. Agora, que eu pensava numa transição mais calma, veio o vendaval para a minha diocese. Quer dizer, a gente não morre de pasmo, temos que fazer. Há uma coisa que gostaria de sublinhar e que é importante: na Conferência Episcopal, apesar de sermos diferentes, temos conseguido chegar a plataformas comuns para enfrentar os problemas. E isso foi verdade na pandemia, foi verdade na questão dos abusos, e não é uma invenção minha. Também porque somos um país pequeno, e a diversidade não é tão grande. Mas, acho é o que passa também na nossa cabeça e no nosso coração, percebemos que somos Igreja, para além de tudo. Se gostaria de ver mais isso? Sim, mas isto é uma Igreja que se está sempre a fazer, é a sinodalidade que deve invadir a Igreja. Acho que nestes anos se deram alguns passos importantes para encontrar plataformas de discussão e de convergência, para encontrar saídas para as crises. Quando nos focalizamos, neste caso dos abusos, por exemplo, o ponto central e nevrálgico que não podemos perder de vista são as pessoas que foram abusadas. Essas pessoas têm problemas enormes, vamos lá ver o que é que podemos fazer para ir ao encontro. Desde que tenhamos presente o objetivo que nos mobiliza, e em Igreja é a evangelização, os nossos jovens, e os problemas que estão aí todos, então, vamos mobilizar-nos para isso. Se quisermos saber quem é o mais importante, quem é que fica melhor na fotografia, estragamos tudo e quem perde são os objetivos que nós queremos ter. A eleição da próxima direção da Conferência Episcopal Portuguesa não será, portanto, um drama? Não é drama nenhum. Isto é a Igreja a funcionar, como qualquer outra organização. Sabe que na Igreja temos sempre de perguntar duas coisas: o que é que eu penso e o que Deus pensa disso. O processo sinodal começa por isso, e é isso que nos pode levar à situação de fraternalmente procurarmos soluções. Não de uma forma unânime. Eu tenho muito medo da unanimidade. Porque, tocando violino, podemos cair todos no mesmo buraco. A diversidade de opiniões é algo que é importante. D. José Ornelas é bispo de Leiria-Fátima e conclui o seu mandato como presidente da CEP neste mês de abril, após seis anos de serviço. Laudetur Iesus Christus

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