Um apelo ecumênico dos bispos católicos e anglicanos do Tennessee ao governador Bill Lee, após duas tentativas frustradas de executar a sentença de morte da mulher de cinquenta anos. "A justiça não deve se tornar vingança" é o apelo à dignidade de cada pessoa e ao ensinamento da Igreja sobre a pena capital.
Devin Watkins – Vatican News A execução fracassada de Christa Pike reabre, também nos Estados Unidos, o debate sobre a pena de morte e leva as Igrejas cristãs do Tennessee a fazer um novo apelo às autoridades.
Os bispos católicos do Estado, junto com os bispos da Comunhão Anglicana, pediram ao governador Bill Lee que comutasse a sentença de morte da mulher e impedisse uma nova tentativa de execução.
O apelo ecumênico foi divulgado no dia 1º de outubro, logo após o que ocorreu na prisão, onde Pike sobreviveu a duas administrações do medicamento previsto para a injeção letal e foi posteriormente transferida para o hospital.
A justiça não pode ser vingança Pike, de 50 anos, tinha sido condenada à pena capital por homicídio, ocorrido em 1995, de Colleen Slemmer, de 19 anos.
Em seu documento, os bispos não minimizam de forma alguma a gravidade do crime, nem a dor causada à família da vítima.
Reafirmam, além disso, a responsabilidade do Estado em processar os autores de atos de violência.
Mas, justamente nesse ponto, introduzem uma distinção decisiva: a necessária atribuição de responsabilidade por um crime grave como o homicídio não deve exigir outra morte.
Na base do apelo está o reconhecimento da dignidade que pertence a cada pessoa, criada à imagem de Deus.
Nem mesmo os crimes mais graves – advertem os bispos – podem anular essa dignidade ou excluir definitivamente a possibilidade de arrependimento e redenção.
Por isso, pedem que a condenação de Christa Pike seja comutada por uma pena capaz de garantir a segurança da sociedade sem privar a detenta da vida. “Um ato como esse não nega a justiça”, afirmam os bispos católicos e anglicanos.
Pelo contrário, significaria reconhecer “que a justiça não deve se tornar vingança” e que o Tennessee pode optar pela “moderação, dignidade humana e misericórdia”.
A Igreja: a pena de morte é inadmissível Já antes da execução, os três bispos católicos do Tennessee tinham pedido ao governador que a suspendesse, invocando o ensinamento da Igreja, que considera a pena capital um ataque à dignidade humana e desnecessária para proteger a sociedade, mesmo no que diz respeito à punição de quem é responsável por crimes gravíssimos.
Uma posição já reiterada pelo Papa Leão XIV, que, em uma mensagem em vídeo do último dia 24 de abril, lembrou que “o direito à vida é o próprio fundamento de todos os outros direitos humanos” e que uma sociedade só pode prosperar quando protege a sacralidade da vida.
Essa é também a linha estabelecida pelo Catecismo da Igreja Católica, modificado em 2018 pelo Papa Francisco: a dignidade da pessoa não se perde nem mesmo após a prática de crimes muito graves, e os atuais sistemas de detenção permitem proteger eficazmente a sociedade sem privar definitivamente o culpado da possibilidade de redenção.
Por isso, a Igreja define a pena de morte como “inadmissível” e trabalha com determinação pela sua abolição em todo o mundo.