Desde este mês, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) reduziu de 400 mil para 200 mil o número de pessoas atendidas nos territórios palestinos. Cerca de 900 mil habitantes vivem em condições de insegurança alimentar, enquanto as necessidades mais que dobraram em relação a 2023. O apelo à comunidade internacional: são necessários 386 milhões de dólares nos próximos seis meses para manter as operações nos territórios palestinos.
Stefano Leszczynski – Cidade do Vaticano O Programa Mundial de Alimentos é obrigado a reduzir pela metade a ajuda destinada à população da Cisjordânia.
A drástica redução é imposta pela falta de recursos, justamente quando aumenta no território palestino o número de pessoas que não conseguem ter acesso a uma alimentação adequada.
A partir deste mês, a agência das Nações Unidas passará de 400 mil para 200 mil beneficiários, deixando sem apoio essencial outras 200 mil pessoas entre as consideradas mais vulneráveis.
Segundo o PMA, atualmente cerca de 900 mil pessoas na Cisjordânia vivem em condições de insegurança alimentar, e as necessidades mais que dobraram em comparação com 2023.
O aumento da violência dos colonos e os deslocamentos também estão comprometendo as fontes de renda de numerosas famílias, agravando a fome e tornando ainda mais precárias suas condições de vida. [ Photo Embed: Uma loja na Cisjordânia onde as compras são feitas com vouchers emitidos pelo PMA (Programa Mundial de Alimentos).] Renda em queda e preços elevados A dimensão da crise também é revelada pelos dados da mais recente análise trimestral sobre segurança alimentar realizada pela agência da ONU. 76% das famílias da Cisjordânia registraram uma queda significativa em sua renda, enquanto os preços dos alimentos e dos combustíveis permanecem entre os mais elevados do Oriente Médio.
Para conseguir atender às necessidades diárias, muitas famílias são obrigadas a vender seus bens e reduzir tanto a quantidade quanto a qualidade das refeições.
Cerca de 12% da população apresenta níveis insuficientes de consumo alimentar, e um terço das famílias não dispõe dos recursos econômicos necessários para ter uma alimentação nutritiva.
Os habitantes das áreas rurais e das províncias do sul da Cisjordânia são os que pagam o preço mais alto da crise. [ In Evidence ] O apelo à comunidade internacional “Famílias que antes prosperavam e conseguiam sustentar-se graças às suas terras hoje já não conseguem comprar alimentos em quantidade suficiente”, denuncia Shaun Hughes, diretor do PMA para a Palestina.
O paradoxo, ressalta, é que justamente no momento em que seria necessário ampliar as ações, a escassez de recursos obriga a organização a tomar decisões difíceis. “Somos obrigados a dar prioridade aos mais vulneráveis, reduzindo a assistência a outros, apesar das necessidades generalizadas.” Daí o apelo à comunidade internacional para que intervenha imediatamente, aumentando seu apoio à população palestina.
A emergência também atinge Gaza Até agora, o PMA, juntamente com organizações parceiras, tem apoiado as famílias da Cisjordânia por meio de transferências de dinheiro e vouchers, distribuição de alimentos, programas de subsistência e serviços de nutrição.
A crise de financiamento agora impõe um recuo também nessa frente.
A escassez de recursos também afeta as operações na Faixa de Gaza, onde o Programa Mundial de Alimentos apoia 1,5 milhão de pessoas, das quais um milhão recebe assistência alimentar todos os meses.
Já em julho, o Programa havia reduzido em 40% o valor das transferências em dinheiro destinadas a 375 mil pessoas.
Sem novos financiamentos, alerta a agência, novos cortes serão inevitáveis.
Para tornar a ação humanitária ainda mais difícil, estão as consequências das operações militares e os danos sofridos pelas estruturas utilizadas para a distribuição da ajuda. [ Photo Embed: Cisjordânia, uma família assistida pelo PMA (Programa Mundial de Alimentos).] São necessários 386 milhões de dólares Para evitar uma nova redução das operações, o PMA lança, portanto, um novo apelo aos doadores.
Nos seis meses a partir de setembro de 2026, serão necessários mais 386 milhões de dólares para garantir assistência a cerca de dois milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar entre Gaza e a Cisjordânia.
Trata-se de um pedido urgente, enquanto, na Cisjordânia, a crise econômica está transformando até mesmo a disponibilidade de alimentos nos mercados em um bem inacessível para uma parcela crescente da população.
Os alimentos, explicou Hughes, podem até estar disponíveis nas lojas, mas cada vez mais famílias simplesmente não têm dinheiro suficiente para comprá-los.