Quinze mil pessoas reuniram-se em Hanói no santuário dos mártires vietnamitas, concluindo um Ano Santo marcado por mais de mil peregrinações. Celebrações também foram realizadas nas dioceses da China continental. O cardeal Kikuchi à Igreja de Tóquio: "Que a chama da esperança jamais se apague"
Vatican News com AsiaNews É também tempo de as dioceses da Ásia fazerem um balanço do Jubileu, celebrado em comunhão com a Igreja universal. Conforme determinado pela bula de convocação do Papa Francisco, "Spes non confundit", as celebrações finais foram realizadas em cada diocese no domingo, 28 de dezembro passado, na festa da Sagrada Família. Reviver o Ano Santo da Esperança Uma celebração relevante teve lugar em Hanói, a capital vietnamita, que reuniu mais de 15.000 fiéis no Centro Nacional de Peregrinação dedicado aos Santos Mártires Vietnamitas em Sở Kiện, incluindo 200 padres e aproximadamente 600 religiosos e seminaristas de toda a arquidiocese. Um vídeo intitulado "Reviver o Ano Santo da Esperança" ajudou os presentes a repercorrer o caminho de graça que Deus concedeu à arquidiocese no Ano Santo por meio de peregrinações às sete igrejas designadas para o Jubileu pela arquidiocese, oferecendo a cada fiel a oportunidade de um encontro pessoal com Deus. Um total de 1.062 peregrinações foram realizadas em toda a arquidiocese, com aproximadamente 415.000 participantes. Em sua homilia, o arcebispo Joseph Vu Van Thien enfatizou que o mundo de hoje está ferido por muitos conflitos, violência e divisões, levando os cristãos a questionar onde a esperança pode ser encontrada. A resposta da Igreja é o próprio Jesus: "Deus vem - disse o arcebispo de Hanói - para que o homem possa ousar esperar por algo grandioso. O homem ousa esperar porque a Igreja afirma que Deus é fiel e ama a humanidade, apesar de seus pecados. O homem também ousa esperar porque o Filho de Deus venceu a morte e respondeu com amor e perdão. O homem espera porque acredita que o Espírito Santo está sempre presente, iluminando e guiando, tornando a Igreja firme e perseverante." Cada peregrino de esperança é uma testemunha de Cristo As celebrações que encerram o Ano Santo também foram realizadas em dioceses na China continental. O site católico Xinde relata a que ocorreu na Diocese de Hangzhou, na província de Zhejiang. O rito foi presidido pelo bispo Joseph Yang Yongqian, um dos dois prelados que participaram do Sínodo no Vaticano em 2023 e que foi depois transferido em 2024 com o consentimento do Papa Francisco para esta sé episcopal historicamente importante para a Igreja na China. Estavam presentes com ele na Catedral da Imaculada Conceição todos os sacerdotes da diocese, as religiosas e representantes dos fiéis das várias paróquias. Em sua homilia, o bispo Yang recordou a origem e o significado do Jubileu, repercorrendo o crescimento da diocese ao longo do Ano Jubilar em oração, evangelização, caridade e comunhão. Ele enfatizou que "como peregrinos de esperança, Deus nos concedeu muitas graças e bênçãos: aprendemos a parar, a ouvir as necessidades dos outros e a estender uma mão amiga". Depois concluiu: "A verdadeira peregrinação não consiste na distância percorrida, mas no fato de o coração permanecer sempre voltado para Deus. Cada 'peregrino de esperança' aqui hoje é uma testemunha de Cristo no mundo. A Missa de encerramento do Jubileu não é um fim, mas um novo ponto de partida em nossas vidas, que nos encoraja a continuar seguindo adiante." Testemunhar a esperança em meio às tempestades do mundo À celebração de encerramento do Ano Santo, realizada na Catedral de Santa Maria, em Tóquio, o cardeal Tarcisius Isao Kikuchi fez seguir em 1º de janeiro uma carta dirigida à arquidiocese, intitulada significativamente "Para que a chama da esperança não se apague". "Os peregrinos da esperança não deixam de existir com o encerramento do Ano Santo", escreve o arcebispo de Tóquio. "Enquanto a violência contra a vida continuar, a comunidade eclesial dos peregrinos da esperança terá a missão de testemunhar a esperança em meio às tempestades deste mundo. Para que a chama da esperança não se apague, que cada um de nós continue seu compromisso, em seu próprio contexto." "O caminho sinodal - acrescenta o cardeal Kikuchi - é uma senda que dá testemunho da esperança. Não podemos saber de antemão para onde o Espírito Santo nos conduzirá. Caminhar juntos como comunidade sinodal, apoiando-nos uns aos outros e rezando juntos, é um caminho que nos liberta do desespero e gera esperança. Tal como os santos missionários, que corajosamente se entregaram à orientação do Espírito Santo ao embarcarem numa viagem desconhecida, também nós desejamos ser uma Igreja que corajosamente se entrega ao Espírito."