Cooperação Interuniversitária Cabo Verde - Itália - Vatican News via Acervo Católico

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Cooperação Interuniversitária Cabo Verde - Itália - Vatican News via Acervo Católico
Fonte: VATICANO

Uma cooperação entre a Uni-CV e La Sapienza, trouxe a Roma três professoras de Cabo Verde. Encontraram-se com a comunidade cabo-verdiana e deram aulas na Universidade. Tudo no âmbito dum projeto que prevê, por um lado, intercâmbio de docentes e de experiência e, por outro, estabelecer linhas de pesquisa que tenham em conta os cabo-verdianos em Itália e o seu relacionamento com a cultura e o crioulo de Cabo Verde, lingua que aguarda ser oficializada. Ambas as partes falam disso com entusiasmo.

Dulce Araújo - Vatican News  “Bidom” - elemento que entrou, desde há décadas, na história do relacionamento entre Cabo Verde e a sua diáspora, esteve no centro dum debate na comunidade cabo-verdiana em Roma, no domingo 1 de março. Bidom, é de facto o título dum filme documentário de Celeste Fortes, uma das três professoras da Uni-CV (Universidade pública de Cabo Verde) que vieram  à Itália, no âmbito dum projeto de cooperação com a Universidade La Sapienza de Roma. As outras duas professoras são Eliane Semedo e Fátima Fernandes, que falou à Vatican News da origem deste projeto.  A doutoranda e o professor que foram a Mindelo, são Giada Polo e Simone Celani, o qual explica como se vai desenvolver o projeto numa perspetiva de ponte e suporte virtual: A professora Fátima Fernandes, sublinha ulteriormente o aspeto interdisciplinar do projeto: E foi neste sentido que foi a aula - “Literatura de Cabo Verde: Identidades construídas nas Escritas de Partida e de Regresso” - dada no dia 4 pela Professora Fátima Fernandes na Sapienza... A língua cabo-verdiana, e mais precisamente os “Percursos do português ao badio antigo e às demais variedades", foi o tema desenvolvido no dia 3 pela professora Eliane Semedo, brasileira naturalizada cabo-verdiana e que tem um grande amor pelo crioulo como afirma: E quem sabe que esses futuros professores não possam atuar já com a língua oficializada, oficialização que é aguardada desde há anos. A crónica de Filinto Elísio traça o contexto desta espera: Crónica "Crioulo cabo-Verdiano – de pilar identitário a motor da soberania nacional O Dia Internacional da Língua Materna é celebrado anualmente a 21 de Fevereiro em todo o mundo, incentivando os Estados-membros da Unesco a refletirem sobre a preservação e valorização das suas línguas maternas. Tomemos o caso de Cabo Verde, a mais ancestral sociedade crioula de base atlântica, que tem o seu Crioulo ou Língua cabo-verdiana, nascida há mais de 400 anos, idioma corrente e mais falado pelos cabo-verdianos nas ilhas e espalhados pelo mundo. O Bilinguismo Cabo-verdiana, ainda que reconhecida pela Constituição de Cabo Verde, consagra a língua portuguesa como a Língua Oficial e relega o língua cabo-verdiana, que é materna, natural e nacional dos cabo-verdianos, além de ser o fator de unidade da Nação Cabo-verdiana, à escala da sua vasta diáspora. Independente, desde 1975, Cabo Verde, apesar dos vários apelos e de um amplo movimento da sua sociedade civil, ainda não consagrou a língua cabo-verdiana como oficial, a par e em coabitação com a língua portuguesa, o que constitui um grande paradoxo. A Constituição da República de Cabo Verde, aprovado em 1992, no seu art.º 91º e com a epígrafe “Línguas de Cultura Nacional”, estabelecia o seguinte: “1. O Estado protege a língua cabo-verdiana e assegura o seu ensino, utilização e valorização como língua e património da Nação. 2. O Estado protege a língua portuguesa e assegura o seu ensino, utilização e valorização como língua oficial e património comum dos povos que a utilizam”. Entretanto, a Revisão de 1999 da Constituição manteve a língua portuguesa como a única língua plenamente oficial da República de Cabo Verde, relegando o Crioulo a língua oficial em construção, obrigando o Estado a promover as condições para a obtenção da paridade oficial plena entre as duas línguas e impondo aos cidadãos cabo-verdianos o dever de aprender as línguas oficiais e atribuindo-lhes o direito de usá-las. Apesar da lentidão com que o Estado promove a oficialização da língua materna em Cabo Verde, sabe-se que, segundo o mais recente estudo do Afrobarómetro, que mais de metade dos Cabo-Verdianos é de opinião que o Crioulo deve ser formalizado como língua oficial.   O poeta cabo-verdiano José Luiz Tavares afirmou, no contexto do Dia Internacional da Língua Materna, que Cabo Verde tem falhado como nação e como agregado civilizacional no quesito da valorização e dignificação da língua materna cabo-verdiana. Para ele: “Nenhuma língua oficializada ou administrativa consegue competir com a língua natural de um povo, sobretudo uma língua com a força da língua cabo-verdiana, que é o elo que liga Cabo Verde à sua vasta diáspora”, afirmou. O Dia Internacional da Língua Materna de 2026 foi mais uma ocasião para se refletir e se debater sobre o estatuto do Crioulo de Cabo Verde, de deve ser encarado estrategicamente como um pilar do Estado de Cabo Verde e motor da sua soberania nacional. É tempo. Tempo de se promover uma compreensão mais profunda do valor cultural, identitário e nacional do crioulo cabo-verdiano, e fortalecer os laços entre as comunidades cabo-verdianas ao redor do mundo." É tempo. Porém, está difícil de dar este passo... sublinha o intelectual, Filinto Elísio. Mas que contributo pode dar a investigação universitária para este percurso de oficialização e valorização da língua cabo-verdiana? A resposta da professora Eliane Semedo: E caso os governantes resolvam, de um momento para outro, oficializar o crioulo,  há instrumentos prontos para o seu arranque como língua oficial? Voltamos ao Bidom de que falamos no início. Celeste Semedo, a realizadora do documentário, falou-nos disso na véspera de dar a sua aula no dia 5 e intitulada “Nos mares da saudade e da morabeza: uma viagem cultural pela cabo-verdianidade”. Vozes e aspetos do projeto “Cabo Verde-Itália” que trouxe a Roma, três docentes da Uni.CV, como vimos, ações de cooperação com a Universidade la Sapienza. Um projeto com vários financiamentos, como explicou a professora Fátima Fernandes: Deslocações, estadia e pesquisa para criar curiosidade, interesse e emoção nos estudantes, como testemunham as palavras da Susana, cabo-verdiana, nascida em Roma e que no final da aula da professora Fátima Fernandes disse ter tomado conhecimento de muitos escritores cabo-verdianos como Eugénio Tavares, de poemas e cantigas que emocionam e ficam no coração: O Programa "África em Clave Cultural: personagens e eventos" de 5/3/2026 foi dedicado a esta matéria, reunindo estes depoimentos todos. Pode ouvi-lo em baixo. 

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