Criação e redenção do homem - plano de amor de Deus - Vatican News via Acervo Católico

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Criação e redenção do homem - plano de amor de Deus - Vatican News via Acervo Católico
Fonte: VATICANO

"A dimensão sacramental faz unir a história humana e a história da salvação. A Igreja em Jesus Cristo, como sacramento universal de salvação, se vê atingida por esse mesmo dinamismo da recapitulação. Por isso, o Relatio finalis do Sínodo de 1985 lê a Gaudium et Spes em chave salvífico-sacramental".

Jackson Erpen - Cidade do Vaticano A Relatio finalis do Sínodo Extraordinário de 1985, foi um documento crucial que celebrou, verificou e promoveu o Concílio Vaticano II, enfatizando a Igreja como "Povo de Deus", a necessidade de conversão das relações (maior comunhão) e o caminhar juntos (sinodalidade), inspirando a Igreja para uma maior participação e missão, destacando a importância dos leigos e do diálogo. E uma das Constituições do Concílio Vaticano II, a Gaudium et Spes sobre a Igreja no mundo atual, promulgada em 1965, é chamada "pastoral" porque, embora fundamentada na doutrina, visa expor a relação da Igreja com o mundo e as pessoas de hoje. Possui uma primeira parte mais doutrinária (sobre o homem e o mundo onde vive) e uma segunda mais pastoral, tratando de temas como a cultura, a vida econômica, o matrimônio e a família, a paz e a justiça social. Neste contexto, aborda questões como a explosão demográfica, injustiças sociais, o perigo da guerra nuclear, o progresso científico e tecnológico, e a necessidade de alinhar o desenvolvimento material com os valores espirituais e a fraternidade. Em outras palavras, busca responder, com o foco em Cristo, às aspirações e dramas existenciais do ser humano. Neste nosso espaço dedicado ao Concílio Vaticano II, Pe. Gerson Schmidt* nos propõe hoje a reflexão "Criação e redenção do homem - Plano de amor de Deus": "O Papa Leão XIV anunciou que, nas audiências de quartas-feiras, vai aprofundar e retomar os textos do Concilio Vaticano II, o que nesse pequeno espaço “Memória Histórica do Concílio Vaticano II” já temos feito há muitos anos. Nesse ano de 2026 aprofundaremos, entre outros assuntos relacionados, a Constituição Pastoral Gaudium et Spes, que trata sobre a “Missão da Igreja no mundo”. Este documento está sempre relacionado com a Constituição dogmática Lumen Gentium, que já abordamos amplamente nesse espaço. Nossa temática hoje é a relação da Criação e salvação do homem, dentro da ótica do amor de Deus. Esses dois temas relacionados – criação e redenção - encontram-se no mesmo impulso amoroso de Deus por nós, seres humanos, conduzindo-nos à glorificação pascal. É o mesmo plano de amor de Deus. A redenção é a recapitulação da história humana para reconduzi-la à sua verdadeira fonte. Isso implica levar a sério o mistério da encarnação. Cirilo de Alexandria lutava contra a tendência de diminuir o significado do mistério da encarnação, entendendo-o como a imersão do mistério do Filho na condição humana. Nesse mesmo sentido, expressa-se Santo Ireneu de Lion: Contudo, o Verbo salvador se tornou aquilo mesmo que era o homem que se perdeu a fim de salvá-lo, operando assim em si mesmo a comunhão com o homem e a sua salvação. O que se perdera tinha carne e sangue, porque foi usando o limo da terra com que Deus plasmou o homem e era justamente por este homem que se devia realizar a economia da vinda do Senhor, a vinda do Salvador. Como aqui afirmamos, que Cristo assume a carne humana para redimi-la, pois “o que não é assumido não é redimido”, expressão igualmente de Santo Ireneu. A constituição de cunho pastoral Gaudium et Spes nos propõe a missão da Igreja no mundo. Esta é a missão da Igreja no mundo de hoje – assumir a história humana para redimi-la, como fez Jesus. O serviço ao mundo, a Igreja o faz em Cristo, e não simplesmente para Cristo ou em seguimento a Cristo ou por Cristo. A pastoral e missão da Igreja é como a doxologia final das orações Eucristícas na Liturgia da Santa Missa: “Por Cristo, com Cristo e, sobretudo, em Cristo”. Nossa missão, de membros vivos dessa Igreja, acontece porque estamos enxertados nele pelo Batismo. A passagem a Cristo, realizada por todo o membro do Povo de Deus pelo batismo, e aprofundada pela assembleia inteira na eucaristia dominical, não é só de ordem estática, mas dinâmica, em ordem da vocação para o serviço do Pai. Nesse sentido, pode-se entender a imagem da Igreja como Esposa de Cristo, enquanto é atualização na história de hoje de sua obra de salvação. Para tal, ela é conduzida pelo Espírito Santo. O serviço que a Igreja realiza ao amor do Pai, no poder do Espírito Santo, para esse fim enviado pelo Senhor Jesus, é o de universalizar, ou seja, de catolicizar o dinamismo da comunhão. A dimensão sacramental faz unir a história humana e a história da salvação. A Igreja em Jesus Cristo, como sacramento universal de salvação, se vê atingida por esse mesmo dinamismo da recapitulação. Por isso, o Relatio finalis do Sínodo de 1985 lê a Gaudium et Spes em chave salvífico-sacramental. A Igreja visível torna-se instrumento de Deus para a redenção do mundo. E instrumento como serviço. Assim como Jesus entende e descreve a sua missão, em termos de Servo de Javé, a Igreja também se compreende como serva, isto é, a serviço da salvação do mundo. Ela é servidora. Aí a abertura para os grandes problemas vigentes no mundo de hoje. Os problemas do mundo são também nossos como cristãos, porque inseridos e mergulhados no cosmos, na realidade concreta que deve ser transformada e redimida em Cristo, que recapitula toda a história humana.  O primeiro parágrafo da Gaudium et Spes dá a tônica de toda essa bela constituição dos padres conciliares: “As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração. Porque a sua comunidade é formada por homens, que, reunidos em Cristo, são guiados pelo Espírito Santo na sua peregrinação em demanda do reino do Pai, e receberam a mensagem da salvação para a comunicar a todos. Por este motivo, a Igreja sente-se real e intimamente ligada ao género humano e à sua história” (GS,01). Os frutos dessas duas Constituições são inegáveis – Lumen Gentium e Gaudium et Spes, unidas no mesmo mistério e missão. Bernard Lambert afirma que a Gaudium et Spes deu um pujante impulso à vida da Igreja, que se exerceu sobre a evangelização, a cultura, a vida econômico-social e a paz. E ele vai mais além, dizendo, em 1985, que o melhor fruto foi o Papa João Paulo II, porque ele está impregnado desta Constituição Pastoral em suas Encíclicas, em seus discursos, em Roma e todas as partes do mundo, em sua política pastoral e em seus gestos". *Padre Gerson Schmidt foi ordenado em 2 de janeiro de 1993, em Estrela (RS). Além da Filosofia e Teologia, também é graduado em Jornalismo e é Mestre em Comunicação pela FAMECOS/PUCRS. ________________ In Sources Chrétiennes 97, p. 431-433. IRENEU DE LIÃO, Adversus Haereses V, 14:2 (São Paulo: Paulus, 1995), p. 555. Cf. J. M. R. TILLARD, op. cit., p. 230. A. SCOLA, op. cit., p. 107 Cf. B. LAMBERT, “Gaudium et Spes” hier et aujourd’hui. Nouvelle Revue Théologique 107/3 (1985), p. 321.

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