Cultura da Vida é um espaço de aprofundamento de temas relacionados à dignidade da vida humana e à missão da família como guardiã da vida com Marlon Derosa e sua esposa Ana Carolina Derosa, professores de pós-graduação em Bioética e fundadores do Instituto e Editora Pius com sede em Joinville, Santa Catarina. Marlon e Ana são casados há 9 anos, têm 4 filhos. São atuantes na Pastoral Familiar. Neste 41° encontro, a beleza da vida ainda antes de nascer.
Vatican News Olá, amigos da Rádio Vaticano.
Aqui quem fala é Marlon e Ana Derosa para mais um Espaço Cultura da Vida.
No dia 8 de outubro, celebramos no Brasil o Dia do Nascituro, encerrando as celebrações da Semana Nacional da Vida.
E hoje queremos aproveitar essa data para falar sobre aquele que ainda está por nascer: o nascituro. [ Audio Embed Ouça e compartilhe] A palavra nascituro significa, justamente, aquele que vai nascer.
Já no primeiro trimestre, acontecem grandes transformações em pouquíssimo tempo.
Nas primeiras semanas, o pequeno embrião se implanta no útero materno e começa uma intensa formação dos órgãos e estruturas do corpo.
O coração começa a se formar muito cedo e inicia seus batimentos ainda nas primeiras semanas.
O sistema nervoso também começa seu desenvolvimento, aparecem os brotos dos braços e das pernas e vão se formando estruturas que darão origem aos olhos, às orelhas, aos dedos e a tantas outras partes do corpo.
No segundo trimestre, o bebê já está todo formado, e seu crescimento é mais intenso.
Os movimentos aumentam e a mãe logo começa a senti-los.
Nesse período, o bebê continua desenvolvendo seus órgãos e sistemas.
Seus movimentos tornam-se mais coordenados, ele pode levar as mãos ao rosto e à boca, e seus sentidos continuam se desenvolvendo.
Aos poucos, também passa a perceber cada vez mais aquilo que acontece ao seu redor, inclusive sons.
A voz da mãe, que ele ouvirá tantas vezes depois do nascimento, vai se tornando familiar, assim como os sons do seu fluxo sanguíneo.
É por isso que, lá dentro, ele sabe se a mãe está tranquila ou agitada.
O bebê é a única pessoa que conhece sua mãe por dentro, literalmente!
No terceiro trimestre, entramos na etapa final de desenvolvimento e preparação para o nascimento.
O bebê cresce bastante, acumula gordura, o cérebro e os pulmões amadurecem.
Seus movimentos agora são tão evidentes que muitas vezes podem ser percebidos até por quem olha ou toca a barriga da mãe.
Na hora de nascer, em geral, tudo é coordenado: o bebê induz a liberação de substâncias que sinalizam para o corpo da mãe que ele está pronto, e assim, o trabalho de parto inicia!
Veja que bela é a natureza feminina, que gera vida e a faz nascer.
Depois de contemplarmos toda essa trajetória tão bonita do desenvolvimento humano, respaldada pela embriologia, compreendemos melhor porquê o Catecismo da Igreja Católica afirma, no ponto 2270, que “a vida humana deve ser respeitada e protegida, de modo absoluto, a partir do momento da concepção”.
E acrescenta, no ponto 2274, que o embrião deve ser “defendido na sua integridade, tratado e curado, na medida do possível, como qualquer outro ser humano”. A instrução Dignitas Personae, no ponto 4, ressalta que o corpo humano embrionário nunca pode ser reduzido a um simples conjunto de células.
Pelo contrário, desde as primeiras fases de sua existência, esse corpo se desenvolve progressivamente de maneira coordenada.
Por isso, o ser humano deve ser respeitado e tratado como pessoa desde a concepção e que, desde esse momento, deve ser reconhecido o seu primeiro e fundamental direito: o direito inviolável à vida.
Para além dos direitos humanos, a Donum Vitae explica, no item 5, que a vida humana é sagrada porque, desde o seu início, está relacionada à ação criadora de Deus e permanece numa relação especial com o Criador.
Ou seja, quando contemplamos aquele pequeno ser humano se desenvolvendo no ventre materno, podemos pensar que se trata de um mero acontecimento biológico, mas é muito mais que isso.
Estamos diante de uma pessoa criada e amada por Deus, cuja vida deve ser protegida, acolhida e amada.
Assim, não é difícil entendermos a gravidade do aborto.
São João Paulo II, na encíclica Evangelium Vitae no ponto 58, explica que o aborto provocado possui uma gravidade particular porque aquele que perde a vida é um ser humano justamente no início de sua existência, ou seja, frágil, inocente e completamente indefeso.
O nascituro não pode fugir ou pedir socorro.
Ele está inteiramente confiado à proteção e aos cuidados daqueles que o cercam.
Para este dia do nascituro, somos chamados a conhecer verdadeiramente a vida humana, porque só assim seremos capazes de amá-la verdadeiramente, e também acolhê-la e defendê-la.
Que possamos olhar para cada criança ainda no ventre materno e reconhecer nela uma pessoa a ser acolhida.
E que possamos olhar também para cada gestante, especialmente aquela que está com medo ou se sente sozinha, e oferecer-lhe acolhimento, ajuda concreta e esperança.
Precisamos proclamar a todos que é possível, sim, ajudar a mulher e o bebê. Este foi mais um Espaço Cultura da Vida.
Um grande abraço a todos e até a próxima!