Cultura da Vida é um espaço de aprofundamento de temas relacionados à dignidade da vida humana e à missão da família como guardiã da vida com Marlon Derosa e sua esposa Ana Carolina Derosa, professores de pós-graduação em Bioética e fundadores do Instituto e Editora Pius com sede em Joinville, Santa Catarina. Marlon e Ana são casados há 9 anos, têm 4 filhos. São atuantes na Pastoral Familiar. Neste 44° encontro, amor matrimonial fecundo e que valoriza a vida.
Vatican News Olá, amigos da Rádio Vaticano.
Aqui quem fala é Marlon e Ana Derosa para mais um Espaço Cultura da Vida.
Nesta semana, queremos ressaltar alguns aspectos da audiência geral do dia 21 de outubro do Papa Leão XIV, que dando sequência às catequeses sobre os Documentos do Concílio Vaticano II, abordou os pontos 47 a 52 da Constituição Pastoral Gaudium et spes, que fala sobre amor matrimonial, fecundidade e valorização da vida humana. [ Audio Embed Ouça e compartilhe] Este é um tema central quando falamos de cultura da vida, porque como nos disse o Papa, citando este documento do Concílio, “o bem-estar da pessoa e da sociedade humana e cristã está intimamente ligado a uma favorável situação da comunidade conjugal e familiar”.
Isso relembra a famosa frase de São João Paulo II: “o futuro da humanidade passa pela família”.
Ou seja, o bem estar de cada pessoa na sociedade depende de como estão as famílias e de como os casais vivem o seu matrimônio.
Para ajudar nessa compreensão, o Papa ressaltou aspectos essenciais do matrimônio, como a doação recíproca, a fidelidade, a indissolubilidade, a transmissão da vida e a educação dos filhos.
O Papa explicou que “A doação recíproca do homem e da mulher, de tal forma que «já não são dois, mas uma só carne» (Mt 19, 6), motiva a exigência da «plena fidelidade» e da «indissolubilidade da [...] união» dos cônjuges, encontrando expressão viva na procriação e na educação dos filhos (cf.
GS, 48).
E a vivência deste compromisso se dá através do sacramento do matrimônio, para que o casal viva este amor conjugal que deve ser reflexo da Trindade divina.
Assim, o Papa ressaltou que valorizar esta comunhão amorosa e fecunda está ligada à proteção da vida desde a concepção.
De fato, o matrimônio e a família estão na base da cultura da vida, porque a família como santuário da vida, gera a vida e, assim, deve ser o local onde ela é mais protegida.
O amor conjugal jamais pode ser, portanto, uma relação que nega, rejeita ou desvaloriza a vida.
O Papa ressaltou um trecho do documento do Concílio que diz que não pode existir uma “incompatibilidade entre as leis divinas que regem a transmissão da vida e o desenvolvimento do autêntico amor conjugal”. Ou seja, o amor conjugal autêntico e a transmissão e proteção da vida humana desde a concepção jamais podem entrar em contradição.
Tanto a transmissão da vida quanto a vivência do amor conjugal fazem parte do plano de Deus para o matrimônio, e são duas características criadas por Deus para serem vivenciadas juntas.
Assim, abrir-se à vida e gerar filhos não deve ser, nunca, um obstáculo para a vivência plena do amor conjugal.
Isso é entendido e aceito quando se compreende a fecundidade matrimonial dentro do plano de Deus para o matrimônio.
Vejam como essa compreensão é importante para o fortalecimento da cultura da vida!
Quando o amor é compreendido em sua verdade, ou seja, como uma entrega total, fiel e fecunda, a vida que pode nascer dessa união será vista como um dom valioso que deve ser acolhido e protegido.
Por outro lado, quando a sexualidade é separada do compromisso matrimonial, ela já não é uma entrega total, e assim pode se tornar superficial e descartável, algo infelizmente tão comum.
Nesse contexto, uma nova vida pode acabar sendo vista como um problema ou uma consequência indesejada.
Todos os casais devem entender a paternidade e maternidade responsável dentro desse contexto, que baseia-se nos pilares do amor de doação, no sacramento do matrimônio, e que assim presta o belíssimo serviço à vida e semeia a cultura do amor e da vida.
Assim, o Papa disse que “o ensinamento da Gaudium et spes sobre a comunidade conjugal e familiar salienta a função social da família, definida como «uma escola de valorização humana» e «o fundamento da sociedade»”.
E ressaltou que a promoção do matrimônio e da família “é mais urgente do que nunca”.
Portanto, devemos primeiramente viver o plano de Deus em nossa casa, com nosso cônjuge e educando nossos filhos para a fé e para o verdadeiro amor.
E depois, devemos também acompanhar e formar os casais e as famílias.
Assim, poderemos semear uma sociedade verdadeiramente mais fraterna.
Cada família deve viver intensamente essa missão de ser a primeira que acolhe e valoriza a vida, e a primeira escola de valores humanos e cristãos, para que a sociedade possa ser iluminada pelos frutos da família cristã.
Este foi o Espaço Cultura da Vida desta semana.
Um grande abraço a todos e até a próxima.