Cultura da Vida é um espaço de aprofundamento de temas relacionados à dignidade da vida humana e à missão da família como guardiã da vida com Marlon Derosa e sua esposa Ana Carolina Derosa, professores de pós-graduação em Bioética e fundadores do Instituto e Editora Pius com sede em Joinville, Santa Catarina. Marlon e Ana são casados há 9 anos, têm 4 filhos. São atuantes na Pastoral Familiar. Neste 39° encontro, como ajudar os jovens a defenderem a vida?
Vatican News Olá, amigos da Rádio Vaticano.
Aqui quem fala é Marlon e Ana Derosa para mais um Espaço Cultura da Vida.
Hoje, queremos conversar com pais, catequistas e educadores sobre como podemos ajudar nossos jovens a compreender e defender o valor da vida humana. [ Audio Embed Ouça e compartilhe] Essa é uma preocupação importante porque nossos jovens recebem muitas informações sobre aborto, eutanásia e outras questões relacionadas à vida humana, pois são assuntos que aparecem nas redes sociais, nas conversas entre amigos, nas escolas e universidades e até mesmo em filmes e séries.
E muitas vezes essas ideias chegam até eles por meio de palavras que soam positivas, porque argumentam sobre liberdade, autonomia, escolhas, direitos, compaixão… Por isso, não basta simplesmente dizermos a um jovem que a Igreja é contra o aborto, ou que o aborto é pecado, mas precisamos ajudar os jovens a compreenderem por quê.
Nesse sentido é importante incentivarmos que eles prestem atenção à linguagem.
São João Paulo II alertou sobre isso na Evangelium vitae.
No número 58, ao falar sobre o aborto, ele chama a atenção para o uso de uma “terminologia ambígua” que procura esconder a verdadeira natureza do aborto e diminuir sua gravidade diante da opinião pública.
Pense, por exemplo, na expressão “meu corpo, minhas regras”.
Um jovem pode escutar essa expressão várias vezes, e por isso ela acabará fazendo sentido.
Mas nós precisamos ensiná-lo a ir além do slogan.
Existe apenas um corpo envolvido em uma gestação?
Quem é aquele novo organismo que está se desenvolvendo?
Ele merece proteção somente depois de determinada idade ou tamanho?
Percebam que não precisamos ensinar nossos jovens a responder a um slogan com outro slogan.
Precisamos ensiná-los a pensar.
Também precisamos ajudá-los a compreender corretamente sobre a verdadeira liberdade.
É comum pensarmos que a liberdade é poder fazer aquilo que desejamos.
Mas a verdadeira liberdade significa ser capaz de escolher o bem, afinal de contas, nem tudo aquilo que queremos ou desejamos é algo bom.
A liberdade precisa caminhar junto com a verdade e com a responsabilidade diante do outro.
Outro ponto a deixar claro para os jovens é que a defesa da vida envolve o cuidado do bebê e também da mulher que está grávida.
Uma jovem diante de uma gravidez inesperada pode estar com medo.
Pode sentir-se sozinha, abandonada pelo pai da criança ou sem condições materiais para criar um filho.
Enquanto alguns oferecem o aborto como suposta solução para uma gravidez difícil, tantas pessoas e instituições oferecem assistência médica e psicológica, acolhimento, capacitação profissional e ajuda com o bebê até que essa mulher consiga se reestruturar.
Isso é muito bonito!
Cada ser humano possui uma dignidade intrínseca, ou seja, que não depende das circunstâncias em que se encontra.
É isso que precisamos colocar no coração dos nossos jovens.
A dignidade de uma pessoa não depende de ela ser desejada, não depende de sua saúde, de sua inteligência, de sua autonomia ou de sua capacidade de se defender.
Para conversarmos com os jovens sobre assuntos tão delicados como esse, precisamos dar abertura, ouvir suas dúvidas, apresentar argumentos, ensiná-los a reconhecer a realidade por trás das palavras e prepará-los para conversar sobre esses assuntos com firmeza, mas também com respeito e caridade.
Precisamos conquistar a confiança dos jovens.
Essa confiança é construída no cotidiano, especialmente pelo afeto.
Nossos filhos precisam saber e sentir que são amados, perceber que podem conversar conosco, fazer perguntas difíceis, manifestar dúvidas e até discordar sem medo de perder o nosso amor ou de serem imediatamente julgados.
E essa abertura afetiva precisa caminhar junto com o nosso próprio compromisso com a verdade, para que eles percebam em nós alguém que também estuda, busca compreender e procura respostas. Pais e educadores não precisam saber responder tudo, mas precisam estudar, buscar boas fontes e estar dispostos a dizer: “Eu não sei responder isso agora, mas vamos procurar juntos”.
Quando o jovem encontra em nós afeto, abertura e uma autoridade que é amparada pelo conhecimento, ele sabe que tem a quem recorrer quando se depara com os grandes questionamentos do nosso tempo.
Não podemos subestimar os nossos jovens.
Eles têm sede da verdade, de profundidade e de respostas que façam sentido.
Por isso, precisamos apresentar argumentos, enfrentar com eles as perguntas difíceis e ajudá-los a compreender as razões daquilo que ensinamos.
Quando oferecemos apenas respostas prontas ou superficiais, podemos deixá-los vulneráveis aos discursos que encontrarão fora de casa.
Nossos jovens são capazes de reconhecer e defender a verdade; precisamos dar-lhes os instrumentos para isso.
Esse foi mais um Espaço Cultura da Vida.
Um abraço e até a próxima!