Cultura da Vida é um espaço de aprofundamento de temas relacionados à dignidade da vida humana e à missão da família como guardiã da vida com Marlon Derosa e sua esposa Ana Carolina Derosa, professores de pós-graduação em Bioética e fundadores do Instituto e Editora Pius com sede em Joinville, Santa Catarina. Marlon e Ana são casados há 9 anos, têm 4 filhos. São atuantes na Pastoral Familiar. Neste 40° encontro, o direito à vida é o fundamento de todos os outros direitos.
Vatican News Olá, amigos da Rádio Vaticano.
Aqui quem fala é Marlon e Ana Derosa para mais um Espaço Cultura da Vida.
Nesta semana queremos conversar um pouco sobre as palavras tão ricas do Papa Leão XIV sobre a defesa da vida humana durante sua viagem para a França. [ Audio Embed Ouça e compartilhe] No dia 25 de setembro, o Papa encontrou-se em Paris com autoridades, e ao falar sobre dignidade humana e direitos fundamentais, ele citou que os testemunhos de atenção e serviço são uma verdadeira escola de humanidade, e por isso, quis reafirmar com veemência que “a salvaguarda do direito à vida constitui o fundamento imprescindível de todos os outros direitos humanos.” Hoje falamos muito sobre direitos humanos.
Direito à liberdade, à saúde, à educação, à igualdade, à participação na sociedade.
Mas existe um direito que necessariamente vem antes dos demais, que é justamente o direito de estar vivo.
Afinal, todos os outros direitos somente podem ser exercidos por alguém cuja própria vida foi respeitada.
Por isso, quando uma sociedade começa a estabelecer circunstâncias nas quais uma vida humana pode deixar de ser protegida, ela atinge justamente o fundamento sobre o qual os demais direitos estão construídos.
Nesse sentido, mesmo o progresso tecnológico precisa estar alinhado ao reconhecimento da dignidade humana em todas as fases e circunstâncias.
O Papa chamou atenção para o risco que há quando a ciência e a tecnologia propõem soluções que parecem resolver os problemas das pessoas, mas que, na realidade, podem acabar desviando-os gravemente do bem que, no fundo, todos buscamos.
É sempre importante nos perguntarmos: todo o progresso e a constante evolução das capacidades humanas estão verdadeiramente orientadas para o bem do ser humano?
O próprio Papa responde a essa questão dizendo que precisamos formar as pessoas para um “discernimento ético, capaz de distinguir o que é moralmente bom”.
Ele relatou sua preocupação com “os desvios atuais das sociedades, que correm o risco de deturpar a ciência e a tecnologia, transformando-as em empreendimentos lucrativos que favorecem as manipulações genéticas, a maternidade de substituição, o tráfico de órgãos ou a oferta de uma morte programada”. O Papa alertou que hoje a ciência e a tecnologia parecem oferecer soluções para todo tipo de problema e justamente por isso, podemos cair na ilusão de acreditar que tudo o que é tecnicamente possível seja bom para os seres humanos. Por isso, somos chamados a aprofundar a nossa compreensão e formar a nossa consciência, para perceber que certos avanços, embora apresentados como soluções, nem sempre respeitam a dignidade da pessoa humana.
Precisamos aprender a olhar para além da suposta solução imediata e nos perguntarmos se estes avanços realmente respeitam a dignidade de todas as pessoas envolvidas, seja ela um embrião, seja ela uma pessoa idosa com a saúde debilitada.
É por isso que o Papa Leão XIV fala da necessidade de uma “conversão da inteligência e do coração”, que é uma mudança no nosso modo de pensar e de olhar para o outro, para que o progresso esteja sempre a serviço da pessoa humana, e nunca o contrário.
Temos que lembrar que a resposta cristã para os dilemas humanos é sempre considerar que cada ser humano possui um valor único e insubstituível.
O caminho que devemos seguir é o de “acolher a vida incondicionalmente”.
Acolher a vida é “amparar a fragilidade com ternura, a acompanhar com respeito e confiança mútua cada etapa da existência e defender com coragem e compaixão aqueles que não têm voz ou que não se sentem apoiados.” Que bonito ver que, mesmo em meio aos sofrimentos e aos dramas humanos, podemos sempre escolher o caminho da vida e não o da morte.
Podemos acolher, cuidar e proteger, sem precisar decidir qual vida merece ser valorizada em detrimento de outra, especialmente quando essa outra vida é justamente a mais frágil e a que não consegue se defender sozinha.
Importante refletirmos sobre essas palavras do Papa porque estamos nos aproximando da Semana Nacional da Vida, celebrada pela Igreja no Brasil de 1º a 7 de outubro e concluída, no dia 8, com o Dia do Nascituro.
É um período para trabalharmos mais intensamente nas dioceses e paróquias para o fortalecimento da cultura da vida e para a maior conscientização sobre questões delicadas como aborto, a fertilização in vitro e a eutanásia, por exemplo. Se você é agente de pastoral e sua paróquia ainda não organizou alguma atividade para a Semana Nacional da Vida, ainda dá tempo!
Pode ser uma palestra, um encontro com as famílias, um momento de oração, a oração do terço pelos nascituros, um dia com bênção para gestantes ou ainda alguma ação concreta de cuidado com quem mais precisa.
Vamos aproveitar essa oportunidade para ajudar nossas comunidades a refletirem sobre o valor da vida humana.
Este foi mais um Espaço Cultura da Vida.
Um grande abraço a todos e até a próxima!