A língua falada no império era o latim e, a partir de Roma, foi se estendendo por todos os territórios que faziam parte do império, inclusive a Palestina do tempo em que Jesus nasceu.
Padre José Inácio de Medeiros, CSsR - Instituto Histórico Redentorista A palavra católica vinda do grego é a mesma coisa que universal.
A universalidade da Igreja não é somente geográfica, por estar ela presente em todos os recantos do mundo.
Sua universalidade se explica a partir do mandadto de Jesus que ordenou que seus discípulos “fossem pelo mundo todo”... [ Audio Embed Ouça e compartilhe] A Igreja, por ser católica, deve acolher a todos, porque Deus não exclui nenhuma pessoa.
O caráter universal da Igreja tem uma raiz historica porque vários elementos, desde o seu nascimeno, fizeram com que essa universalidade fosse se consolidando graças à língua, a cultura e a estrutura favorecidas pelo império romano.
A língua falada no império era o latim e, a partir de Roma, foi se estendendo por todos os territórios que faziam parte do império, inclusive a Palestina do tempo em que Jesus nasceu.
A língua define o povo e a cultura Jesus falava o aramaico, a língua do seu povo, mas acredita-se que também conhecesse outros idiomas da época, como o grego e o latim.
Naquele tempo, como parte do processo de colonização e imposição do domínio de Roma era muito comum que nos territórios conquistados fosse imposta a língua dos conquistadores.
Se no nível familiar e nas rodas de conversa se falava a lingua nativa, era certo que nas rodas oficiais deveria ser usada a lingua latina.
O procurador romano Pôncio Pilatos, alto funcionário do governo de ocupação e representante do imperador, tinha entre outros elementos de sua missão, a obrigação de consolidar o império naquele território, o que incluia a expansão do idioma imperial, além da imposição da cultura romana, de suas leis e costumes.
A organização do Império Romano permitiu a rápida expansão do cristianismo, sobretudo, a partir do século IV, após as perseguições dos primeiros tempos, em que o cristianismo venceu as resistências, sendo declarado a religião oficial de Roma.
Após a solenidade de Pentecostes, que tem um sentido histórico, os apóstolos se espalharam pelo mundo conhecido de então.
E graças à segurança encontrada no império pela chamada “Pax Romana”, graças à rede de estradas, de comunicação e contando com a língua latina, usada junto com o grego, a língua culta de então, o cristianismo foi se consolidando com a interligação dos elementos proprios do cristianismo com os elementos da cultura romana.
Roma, a “cabeça” do mundo No século I depois de Cristo, a cidade de Roma era a capital do planeta.
A sede da Igreja saiu de Jerusalém, se estabeleceu por um tempo em Antioquia, na atual Turquia, até chegar em Roma onde, por volta do ano 60, já havia uma comunidade cristã estabelecida, tendo a fé cristã sido levada possivelmente por comerciantes.
A orgulhosa cidade viu o derramamento do sangue de milhares de mártires cristãos, incluindo São Pedro e São Paulo, colunas da Igreja, que ali foram mortos entre os anos 64 a 67 da era cristã porque testemunharam a Cristo, o ressuscitado.
Por essa e por outras razões Roma também se tornou a “capital” ou sede da Igreja que se formava.
E por isso, ainda hoje professamos a natureza da Igreja como “católica, apostólica e romana”.
A Bíblia, os documentos eclesiásticos, as atas dos concílios foram sendo escritos ou traduzidos para o latim a fim de que pudessem chegar até os confins do mundo conhecido e, ao abraçar indistintamente todas as nações da terra ao longo desses dois mil anos de caminhada, sendo destinada por vocação divina a permanecer até o fim dos tempos, a Igreja, por sua própria natureza, exigiu primeiro uma língua universal para que sua comunicação atingisse a todos.
Hoje, porém, ela deve se servir de todos os recursos para se comunicar com os homens e mulheres de todas as categorias humanas e classes sociais.
Se no tempo do Império Romano, quando a Igreja nasceu, a comunicação se fazia de forma mais lenta, com os meios de transporte e comunicação que existiam em seu tempo, hoje os papas saem pelo mundo a fora realizando viagens pastorais, para se fazerem presentes na vida de todos os cidadãos católicos ou não.
Estando no Iraque, no Sudão, no Canadá ou em qualquer recanto mais distante do mundo, a Igreja continua cumprindo a missão que Cristo lhe reservou, fazendo ressoar o forte e suave convite: Ide...