O Arcebispo de Nampula, Dom Inácio Saúre, desafiou os movimentos eclesiais, associações e comunidades novas a viverem com fidelidade o seu papel missionário na Igreja, atentos às necessidades espirituais e sociais do povo. A mensagem foi deixada no sábado, 31 de Janeiro, após a Missa solene de abertura do Ano Pastoral, na paróquia de São Francisco Xavier, Arquidiocese de Nampula.
Cremildo Alexandre - Nampula, Moçambique Segundo Dom Inácio Saúre, a abertura do Ano Pastoral com a celebração da Eucaristia é sinal de que os movimentos reconhecem que são fruto do dom do Espírito Santo. “Começar o ano pastoral com a Santa Missa é pôr nas mãos de Deus todas as actividades, é reconhecer que somos discípulos de Jesus Cristo”, afirmou. O Arcebispo destacou que o grande desafio dos movimentos eclesiais é serem verdadeiros discípulos missionários, anunciando o Evangelho não apenas com palavras, mas também com gestos concretos de caridade. Recordando o lema do Ano Pastoral, inspirado no Evangelho de São Mateus — “Dai-lhes vós mesmos de comer” — Dom Inácio sublinhou que os movimentos são chamados a anunciar a Palavra de Deus e, ao mesmo tempo, a dar “o pão do corpo” aos mais necessitados. No contexto actual de Moçambique, marcado por cheias e inundações que afectam sobretudo as populações do sul do país, o Arcebispo apelou à sensibilidade e solidariedade dos movimentos. “Aqui em Nampula talvez não tenhamos sofrido muito, mas devemos estar atentos ao sofrimento dos nossos irmãos moçambicanos”, frisou. Questionado sobre a diferença entre movimentos de dimensão internacional e grupos que actuam apenas ao nível paroquial, o Arcebispo explicou que não se trata de vantagens ou desvantagens. “O importante é que se façam conhecer. Todos são uma riqueza para a vida da Igreja, cada um com a sua espiritualidade”, disse. Dom Inácio recordou ainda o ensinamento do Papa Paulo VI, que via nos movimentos eclesiais uma oportunidade e uma força para a missão da Igreja, ajudando os fiéis a viver a fé com maior profundidade. Sobre a polémica em torno do adiamento do início do ano lectivo em Moçambique, o Arcebispo explicou que também a Conferência Episcopal decidiu adiar o arranque das actividades nos seminários, devido às dificuldades de mobilidade dos estudantes vindos de diferentes regiões do país. “Penso que a decisão do Governo visa manter um programa harmonizado a nível nacional e evitar desequilíbrios no sistema”, afirmou. A abertura do Ano Pastoral marcou, assim, um momento de renovação espiritual e de envio missionário dos movimentos eclesiais na Arquidiocese de Nampula, num apelo claro à fé vivida, ao serviço e à solidariedade.