De Lisboa a Seul: conferência debate o papel da JMJ na construção da paz

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De Lisboa a Seul: conferência debate o papel da JMJ na construção da paz
Fonte: VATICANO

Reunidos em Roma, embaixadas de Portugal e Coreia debatem no Festival da Diplomacia o percurso da JMJ entre Lisboa e Seul 2027

Irmã Ruth Santana, Gabi Bonvechio - Vatican News Da experiência de acolhimento vivida em Lisboa à expectativa de um novo encontro em Seul.

Esse foi o fio condutor da conferência realizada na manhã desta sexta-feira (30/10), na Villa Lusa, em Roma, que reuniu as Embaixadas de Portugal e da República da Coreia junto à Santa Sé para debater sobre “De Lisboa a Seul: um caminho rumo a um futuro corajoso, respeitoso e pacífico”.

A conferência integrou a programação da 17ª edição do Festival da Diplomacia, um evento dedicado à geopolítica, à economia global e às relações internacionais, que neste ano tem como tema “O que vem depois?

Correndo no limite”.

Ao saudar os participantes, o embaixador da República da Coreia junto à Santa Sé, Hyung-sik Shin, definiu o espírito da JMJ Seul 2027: “Seul se tornará um grande palco de encontros, superando divisões entre a Coreia e o mundo, entre diferentes religiões e culturas, e entre gerações e regiões.

A esperança irradiará de Seul para o mundo, e do mundo de volta para Seul.

Venham a Seul, de mãos dadas com os seus jovens.

Aqui, a juventude do mundo se encontrará, compartilhará diálogos sinceros, rezará lado a lado e se tornará verdadeira companheira da paz.” Moderado pela jornalista Maria Gomiero, do jornal italino Avvenire, o encontro contou ainda com a anfitriã, a embaixadora de Portugal junto à Santa Sé, Maria Amélia Paiva, com o presidente da Fundação João Paulo II para a Juventude, Daniele Bruno, com o padre Riccardo Pincerato, da Pastoral Juvenil da Conferência Episcopal Italiana, e ainda com os jovens Gian Marco Esposito e Alessandro Galbiati, e a dra.

Badriyyakhanim Soltanli, em representação do Festival da Diplomacia. [ Photo Embed: O embaixador da Coreia do Sul junto à Santa Sé, Hyung-sik Shin] O diálogo como ponte para Seul 2027 A preparação para a JMJ Seul 2027 esteve no centro dos pronunciamentos do congresso.

O embaixador da Coreia do Sul junto à Santa Sé, Hyung-sik Shin, destacou que será a primeira vez que a Jornada se realiza em um país sem maioria católica e cuja língua não tem origem europeia: “uma genuína jornada sinodal, que acolhe a juventude como o ‘agora’ da Igreja e como companheiros ativos que caminham juntos”.

Para ele, o evento oferecerá à Igreja universal “um testemunho vivo de fé, mostrando, na prática, como o Evangelho foi inculturado, com graça e beleza, no rico patrimônio cultural da Ásia”.

Em seu discurso, intitulado “Uma Peregrinação de Esperança, a Coragem Florescendo em Seul”, recordou as raízes da Igreja na Coreia, nascida antes mesmo da chegada dos missionários estrangeiros e marcada por mais de 10 mil mártires.

Com o histórico de perseguição e sofrimento durante a ditadura militar, afirmou que a Jornada, tendo a paz como cerne, deve “permitir que essa onda de paz se propague para além do encontro, alcançando a Ásia e o restante do mundo”.

Seul, segundo ele, servirá como um fórum global para discernir os “sinais dos tempos”, refletindo sobre as angústias da juventude, a crise climática, o capitalismo de consumo e a ética na era da Inteligência Artificial. “Seul prepara-se com a máxima dedicação para acolher a juventude mundial”, garantiu, citando o empenho das missões diplomáticas, a agilização de vistos, acomodações por toda a cidade, passes de transporte, refeições, segurança, apoio médico, assistência multilíngue 24h e iniciativas ecológicas, para “providenciar um ambiente seguro e acolhedor, no qual os peregrinos e suas famílias poderão confiar”.

A perspectiva pastoral foi trazida pelo padre Riccardo Pincerato, responsável pela Pastoral da Juventude da Conferência Episcopal Italiana.

Ao recordar a multidão de Lisboa e seu espírito de alegria e fraternidade, afirmou que, mesmo atravessando continentes, línguas e formatos, a Jornada preserva seu coração: “eles descobrem que não são poucos, que não são estranhos, que pertencem a algo maior do que sua paróquia e seu país”.

São relações que duram muito mais que o evento.

Para os jovens italianos, ir a Seul significará “em primeiro lugar receber e, só então, dar”, observou padre Riccardo Pincerato. “A Jornada Mundial da Juventude não é um evento para ser consumido.

Tem a forma de um rito de passagem, como toda peregrinação”, destacou o sacerdote, lembrando que ali o jovem se depara com perguntas essenciais: quem sou eu, por quem vale a pena dar a vida, o que quero construir. [ Photo Embed: Daniele Bruno, presidente da Fundação João Paulo II ] Fechando o painel, Daniele Bruno, presidente da Fundação João Paulo II para a Juventude, retomou o tema do Festival, que convida a olhar para o futuro: “a voz dos jovens é indispensável: não porque eles já tenham todas as respostas, mas porque eles são capazes de enfrentar o medo com esperança, a resignação com o desejo de participar, e o distanciamento com a disposição para o encontro com o outro.

Bruno ressaltou a necessidade de ouvir jovens que “se recusam a permitir que o futuro seja moldado unicamente pelos medos do presente” e retomou o convite do Papa Francisco de uma Igreja onde há espaço para todos.

Reafirmou ainda a missão da Fundação de “possibilitar que jovens participem da Jornada Mundial da Juventude, incluindo aqueles que, sem apoio, não teriam condições de fazê-lo, para que cada um saiba que é esperado, acolhido e chamado pelo nome”.

A Fundação realizará, em 2 de agosto de 2027, véspera da JMJ, a 5ª Conferência da Jornada Mundial da Juventude na Universidade Católica da Coreia, com o tema “Os Jovens e a Fraternidade: O Desafio de uma Corajosa Corresponsabilidade”, abordando paz, cuidado com a criação, promoção da vida, amizade social, economia, saúde mental e pesquisa científica. [ Photo Embed: Presença dos jovens no encontro] Jovens, paz e diplomacia O tema da diplomacia como construção da paz uniu as reflexões de Badriyyakhanim Soltanli, representante do Festival da Diplomacia, e da embaixadora de Portugal junto à Santa Sé, Maria Amélia Paiva.

Para Badriyyakhanim, recém-formada em mediação de paz internacional, a paz vai além do silêncio, é dignidade, oportunidade, justiça e esperança.

A coragem, explicou, não está em atos grandiosos, mas na escolha pelo diálogo quando a violência seria mais fácil; e o respeito, no reconhecimento da dignidade do outro, mesmo na discordância. “Mediar não é ter todas as respostas, mas criar espaço para que as pessoas sejam ouvidas”, afirmou.

Diante de conflitos, migrações, mudanças climáticas e desinformação, defendeu uma diplomacia prática, inclusiva e corajosa, que vá além das fronteiras e capacite os jovens a liderar, com destaque para o papel das mulheres na paz duradoura. [ Photo Embed: Embaixadora de Portugal junto à Santa Sé, Maria Amélia Paiva] A embaixadora Maria Amélia Paiva, que acompanhou a JMJ de Lisboa, reforçou o convite para que os jovens sejam “artesãos da paz e diplomatas da esperança”, não meros espectadores, mas protagonistas.

Lembrou a “diplomacia da vida cotidiana”, que a Igreja desafia os jovens a aprenderem “a delicada arte da diplomacia e o ofício da reconciliação”, fundamentada nos direitos invioláveis da pessoa, na liberdade e no Estado de direito.

Essa diplomacia se traduz em gestos concretos: “quando promovem o perdão em sua comunidade, quando usam suas redes sociais para desarmar o discurso de ódio e quando se aproximam daqueles que são diferentes”.

E deixou o apelo final: “Não sepultem seus talentos.

Sejam verdadeiros artífices da paz.

Embaixadores da harmonia”.

O testemunho dos jovens Gian Marco Esposito e Alessandro Galbiati, que partilharam o que viveram em Lisboa, deu rosto ao que foi repetido por todos os diplomatas e pastores: a Jornada não termina quando as luzes do palco se apagam.

Ela continua na comunidade, nas redes, nas escolhas diárias, até que, em 2027, esse caminho corajoso, respeitoso e pacífico encontre sua próxima parada: Seul.

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