De Metz: que a Europa seja uma potência de paz, democracia e reconciliação

  • Home
  • -
  • Notícias
  • -
  • De Metz: que a Europa seja uma potência de paz, democracia e reconciliação
De Metz: que a Europa seja uma potência de paz, democracia e reconciliação
Fonte: VATICANO

No palco do Centro de Congressos Schuman, em Metz, o presidente francês abriu o encontro “Nas raízes da Europa pela paz e pela unidade”. Em seu discurso, na presença do Papa, o chefe de Estado afirmou que o continente europeu deve ter “a coragem de não ceder ao isolamento, ao ódio ao outro, ao retorno dos nacionalismos que dividem”. Em seguida, o cardeal Jean Marc Aveline destacou que a reconciliação “é sempre possível, contra tudo e todos”.

Vatican News “A Europa precisa reencontrar a coragem de seus fundadores para se tornar aquela potência de paz, independência e democracia que está chamada a ser”.

Foi o que afirmou o presidente francês Emmanuel Macron ao apresentar, em Metz, no Centro de Congressos Robert Schuman, o encontro “Nas raízes da Europa pela paz e pela unidade”, na presença de Leão XIV, que nesta segunda-feira (28/09) encerra sua viagem apostólica à França. “Aqui bate o coração milenar da Europa, uma Europa que protege, une e age.

Uma Europa soberana e democrática, movida por esse projeto de paz e prosperidade”, disse ainda Macron, que evocou várias vezes Robert Schuman, Alcide De Gasperi e Konrad Adenauer.

Schuman escreveu que “a paz mundial só poderá ser salvaguardada por meio de esforços criativos, proporcionais aos perigos que a ameaçam”; portanto, segundo o chefe de Estado, “uma vez que os perigos mudaram de magnitude”, os “esforços pela paz devem estar à altura dos desafios” e é preciso agir “para garantir uma soberania real”, a “segurança”, para preservar os valores da Europa e para se projetar “na próxima década, respondendo ao desafio da competitividade — imperativo para permanecer na corrida — e dominar de forma soberana” as “tecnologias” e os “dados”.

Produzir, inovar e investir na Europa É preciso “produzir, inovar e investir na Europa, para permanecermos livres, defendermos nossos interesses e preservarmos nosso modelo social, pois, na Europa, crescimento econômico e justiça social são indissociáveis”, afirmou ainda Macron, convencido de que é necessário agir também para se proteger “da epidemia de desinformação e das ingerências, que pretendem minar” as “democracias” europeias, dividi-las “e prejudicar o projeto europeu”.

Citando o Evangelho de João, “A verdade vos tornará livres”, o presidente francês também relembrou o que Leão XIV destacou em sua encíclica Magnifica humanitas: a verdade é um bem comum. “A mentira, por outro lado, transforma o adversário em inimigo, o debate em julgamento, a dúvida em traição e o algoritmo em amplificador de emoções negativas”.

O diálogo é, portanto, necessário para que a democracia sobreviva. [ Photo Embed: Encontro “Nas raízes da Europa pela paz e pela unidade”. ] Não aos nacionalismos Para o presidente francês, o continente europeu deve ter “a coragem de não ceder ao isolamento, ao ódio ao outro e ao retorno dos nacionalismos que dividem”. “A paz não se decreta, constrói-se pacientemente graças a pessoas de boa vontade, lúcidas e perseverantes”, ressaltou, acrescentando que esse é o sentido do “compromisso ao lado da Ucrânia, diante da agressão militar da Rússia, em defesa do direito internacional”.

Segundo o chefe do Eliseu, o mais belo plebiscito para a União Europeia é a “vontade de pertencer a um mesmo espaço de paz, segurança, democracia e prosperidade”.

A Europa “passou por crises e sempre soube enfrentá-las com um surto de unidade, para sair delas maior e mais forte”, observou ele, pois é “um projeto democrático que seus povos continuam a escolher” e “incarna uma realidade econômica e social que vai muito além da força de seu grande mercado único”. [ Photo Embed: Macron e o Papa Leão] O princípio da subsidiariedade Recordando, ainda, os valores nos quais a Europa se fundamenta — “o respeito pela dignidade humana, a liberdade, a democracia, a igualdade e o Estado de Direito, bem como o respeito pelos direitos humanos, incluindo os direitos das pessoas pertencentes a minorias” — e o reconhecimento da “diversidade de crenças” e da “liberdade de culto” —, Macron destacou outro princípio fundamental, caro à tradição da Igreja: o princípio da subsidiariedade, formulado ao longo dos anos por Pio XI, João Paulo II e, posteriormente, por Francisco, enquanto já na Rerum novarum, Leão XIII afirmava que toda comunidade deve poder exercer plenamente as responsabilidades que estão ao seu alcance.

Trata-se daquele “princípio de liberdade, que protege a capacidade de agir do mais pequeno e obriga o maior a respeitar sua autonomia e a apoiá-lo quando suas forças já não são suficientes.

Um princípio que define o que é a Europa — prosseguiu o presidente francês —.

Não uma potência que apaga as nações, mas uma força que prolonga e aumenta sua capacidade de agir e de governar seu próprio destino”.

Expressando, em seguida, satisfação pelo fato de que “dos Balcãs à Ucrânia” haja novos países que desejam aderir à União, Macron declarou que “é imperativo produzir, inovar e investir na Europa para permanecermos livres, defender nossos interesses e preservar nosso modelo social, pois na Europa o crescimento econômico e a justiça social são indissociáveis”.

Os compromissos da Europa Por fim, o chefe do Eliseu relembrou os compromissos que a Europa deve honrar. “O clima, antes de tudo”.

No continente, o Acordo de Paris foi “transformado em lei: a neutralidade de carbono até 2050”.

Quanto à inteligência artificial, “a Europa foi a primeira a querer” dotar-se “de um marco regulatório: a inovação deve servir à dignidade humana, não ao poder de alguns”.

Com relação à juventude, Macron insistiu na salvaguarda de “sua liberdade” e de “seu julgamento”, que devem ser protegidos “dos venenos do vício e da exploração”. [ Photo Embed: Dom Aveline e o Papa] Aveline: a reconciliação é sempre possível “Quantos empreenderam” o caminho da paz “na Europa do pós-guerra extraíram de sua fé cristã na Ressurreição a certeza de que a morte nunca terá a última palavra sobre nossa ‘magnífica humanidade’, pois Cristo veio para que o mundo tenha vida”.

São as palavras do cardeal Jean Marc Aveline, presidente da Conferência Episcopal Francesa, durante sua saudação de boas-vindas ao Papa Leão XIV.

A escolha dessa parada na França tem um contexto. “Eu havia incluído Metz entre as numerosas cidades da França” que o Santo Padre “poderia visitar, como Ars, Lisieux, Lyon, indicando simplesmente ‘Metz’”; uma parada na Lorena lhe “permitiria evocar a guerra e a paz, a Europa e a reconciliação.

E durante outra conversa, aquela em que era preciso escolher, você me disse: ‘Metz, por causa da Europa!’”. “Em primeiro lugar — acrescentou Aveline — estamos aqui, não em um local que abriga instituições europeias, mas em uma região, a Lorena, onde, no solo de uma terra ensanguentada pelas guerras e pelo ódio, brotaram desejos ousados de reconciliação entre os povos.

Robert Schuman aqui, Alcide De Gasperi na Itália, Konrad Adenauer na Alemanha e tantos outros por toda a Europa — lembrou ela — permitiram que essas intuições dessem vida a instituições, para sair do ciclo infernal da vingança e lançar as bases de uma nova esperança”.

A partir daí, o cardeal mencionou como as raízes da Europa estão profundamente impregnadas de cristianismo. “Há séculos a Europa vem tomando forma, graças ao gênio dos povos que a compõem, na diversidade de suas línguas e culturas, e por meio de um constante diálogo entre fé e razão.

E quem poderia ignorar, na diversidade dos componentes espirituais da Europa, o imenso papel do povo judeu, cuja contribuição intelectual foi tão grande e cujo martírio tão terrível?”.

A sede de paz Em seguida, o presidente do episcopado expressou sua gratidão pela presença dos líderes das diversas confissões religiosas presentes na França, que “quiseram testemunhar seu compromisso comum, ecumênico e inter-religioso, a serviço da paz, por meio do diálogo e da fraternidade.

O Apelo de Metz, que acabamos de assinar — explicou Aveline —, faz eco àquele que jovens provenientes de 135 países lhe entregaram na UNESCO no início de sua viagem, testemunhando a sede de paz que anima tantos jovens no mundo, como os do Mediterrâneo — judeus, cristãos e muçulmanos —, aos quais, no ano passado, o senhor veio encorajar a bordo de um navio-escola pela paz, o Bel-Espoir, no porto de Ostia”.

Por fim, o cardeal reiterou que os franceses estão bem cientes do “preço da guerra!

Mas também sabemos que a reconciliação é sempre possível, contra tudo e todos: pois quem jamais poderia ter imaginado que, entre o povo alemão e o francês, ambos feridos um pelo outro, pudesse nascer uma amizade sólida, como a que se forjou entre Robert Schuman e Konrad Adenauer?

Foi preciso muita coragem e muita ousadia para avançar, após tantos sofrimentos, nesse caminho de reconciliação.

Mas a história nos ensina — como você escreve em sua encíclica — que ‘mesmo nas noites mais escuras, o Senhor suscita homens e mulheres capazes de não se resignarem e de perseverarem no bem’”.

Ajude a manter o site no ar

Uma pequena doação de R$ 1,00 garante que esse conteúdo continue disponível

PayPal

Deseja acompanhar a Liturgia diária?

Receba o conteúdo sempre atualizado e disponível offline.

Siga-nos

Acervo Católico

© 2024 - 2026 Acervo Católico. Todos os direitos reservados.