Entre rios secos e aquíferos esgotados, o alerta da Organização Meteorológica Mundial destaca uma escassez hídrica generalizada e a necessidade de reforçar o monitoramento global
[ Audio Embed Ouça e compartilhe] Vincenzo Lilli - Vatican News O ano de 2025 foi um dos mais dramáticos para os caudais dos rios e lagos em nível global.
Isso é confirmado pelo último “State of global water resources”, o relatório anual elaborado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), que fornece um panorama detalhado da quantidade e da qualidade dos recursos hídricos espalhados pelo mundo inteiro.
O aumento de 1,43 °C na temperatura média global em relação aos níveis pré-industriais preparou o terreno para esse enésimo recorde negativo.
Rios e lagos perdem mais água do que recebem Entre os diversos fatores monitorados pela OMM, são os rios que apresentam o quadro mais preocupante.
Com base nos dados coletados pelas 3.611 estações de observação da vazão dos cursos d’água distribuídos por todos os continentes, 36% das bacias hidrográficas mundiais sofreram condições mais áridas do que o normal.
Um fenômeno que afetou particularmente a América do Norte, a Europa Oriental, a Ásia Central e as bacias dos rios La Plata e São Francisco, na América do Sul.
Por outro lado, o sul e o sudeste da Ásia, nas bacias dos rios Indo, Ganges e Mekong, e algumas regiões da África, como os rios Senegal, Níger e Orange, registraram vazões acima da média.
Nem mesmo os lagos estão em boa situação.
Enquanto, por um lado, vários grandes espelhos d’água africanos, entre eles os lagos Chade, Vitória, Tanganica e Malawi, apresentaram níveis de água claramente acima da média, no Canadá, assim como no lago Beyşehir, na Turquia, e no lago Urmia, no Irã, os níveis permaneceram abaixo do normal.
Além disso, a duração da cobertura de gelo nos lagos da Eurásia e da América do Norte foi, em grande parte, inferior aos valores históricos. [ In Evidence ] As geleiras continuam derretendo rapidamente Já no que diz respeito aos reservatórios artificiais, os afluxos de água foram insuficientes no Oriente Médio, na Europa Oriental, na Ásia Central e em diversas regiões das Américas.
Em algumas áreas do Sul da Ásia, apesar dos afluxos abundantes, os níveis dos reservatórios permaneceram normais ou abaixo do normal devido às operações de gestão hídrica e às captações.
As águas subterrâneas apresentam um quadro igualmente crítico. 65% das estações de monitoramento registraram níveis fora do normal, dos quais 34% detectaram valores muito baixos em relação à média.
A escassez de água no subsolo é observável na Europa Central e Oriental, no México, no Chile, no Brasil, na Índia e no sul da Austrália, e é frequentemente causada pela exploração excessiva dos aquíferos.
Ademais, o derretimento das geleiras continua a se acelerar.
Em 2025, as geleiras do mundo inteiro perderam 408 gigatoneladas de massa, o que corresponde a um aumento do nível do mar de cerca de 1,1 milímetro.
Este é o quarto ano consecutivo em que todas as regiões glaciais do planeta sofrem perdas semelhantes.
Pouco monitoramento onde é mais necessário Também o estoque hídrico terrestre - ou seja, a água contida no solo, na neve, no gelo, nas águas superficiais e subterrâneas - apresenta uma queda persistente desde o período de 2014 a 2016, o que confirma que o solo retém cada vez menos água doce em comparação com o passado.
Nos últimos cinco anos, quase metade dos eventos hídricos extremos e mais de 80% das vítimas no mundo inteiro concentraram-se na Ásia e na África.
No entanto, as estações de monitoramento localizadas nesses dois continentes representam apenas 7% das incluídas no relatório, o que destaca a necessidade de fortalecer o compartilhamento de dados e as redes de observação em nível mundial.