Dia Internacional da Mulher: uma conversa com Mariangela Jaguraba no coração do Vaticano - Vatican News via Acervo Católico

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Dia Internacional da Mulher: uma conversa com Mariangela Jaguraba no coração do Vaticano - Vatican News via Acervo Católico
Fonte: VATICANO

Em celebração ao 8 de março, a jornalista brasileira Mariangela Jaguraba reflete sobre seus 20 anos na Santa Sé, a crescente liderança feminina na Cúria sob os pontificados de Francisco e Leão XIV, e o desafio de comunicar a esperança em um mundo sinodal.

Pe. Rodrigo Rios – Vatican News Neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher, voltamos nosso olhar para os corredores do Vaticano, onde a presença feminina tem deixado de ser uma exceção para se tornar uma força transformadora. Para celebrar esta data, conversamos com Mariangela Jaguraba, jornalista brasileira natural de Juiz de Fora (MG), que há 20 anos atua na Rádio Vaticano - Vatican News. Com uma trajetória sólida, Mariangela é uma das vozes que levam as mensagens do Papa ao mundo de língua portuguesa, unindo o profissionalismo da comunicação moderna à mística de servir à Igreja. Nesta entrevista, ela reflete sobre a abertura sem precedentes às mulheres na Cúria Romana, a importância da sinodalidade e os desafios de ser uma leiga ocupando espaços de alta responsabilidade. O Papa Francisco abriu portas inéditas para as mulheres na Cúria. No atual governo de Leão XIV, esse movimento tem tido continuidade. Qual é a sua leitura sobre este cenário? Com o Papa Francisco, a presença feminina em cargos de liderança no Vaticano, aumentou significativamente, alcançando níveis históricos. Cito algumas como a governadora do Estado da Cidade do Vaticano, irmã Raffaella Petrini, a diretora dos Museus Vaticanos, Barbara Jatta, a prefeita do Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, irmã Simona Brambilla, e outras em cargos de diretora, vice-diretoras e subsecretárias, sem contar as demais funcionárias que trabalham nos vários dicastérios vaticanos. As mulheres tiveram uma maior presença, mas também visibilidade durante o Pontificado do Papa Francisco e o Papa Leão segue nesta direção.  "A Igreja é mulher", disse o Papa Francisco em várias ocasiões e uma maior presença feminina no Vaticano, deve estar em consonância com a presença maciça de mulheres que são líderes nas paróquias e comunidades católicas espalhadas pelo mundo. Mulheres engajadas que exercem o ministério de catequistas, de ministras da comunhão, de líderes pastorais, etc. Este processo de abertura às mulheres no Vaticano, deve continuar para que cada vez mais a Sede da Igreja Católica espelhe esse rosto feminino da Igreja presente em várias realidades católicas no mundo.   Como mulher e jornalista leiga, qual é a sensação de ocupar um espaço de tanta responsabilidade em um momento em que o Vaticano discute cada vez mais a sinodalidade e a inclusão? Sinto que é uma grande responsabilidade ser jornalista católica hoje neste contexto marcado por guerras e violência de todo tipo no mundo. Entendo que o meu papel é continuar difundindo esperança, fazendo com que através do meu trabalho a mensagem cristã, por meio do Santo Padre, possa tocar, confortar e quem sabe até transformar o coração de alguém onde quer que esteja, através de uma comunicação que não crie divisão, rivalidades e conflitos, que já são muitos, mas união, inclusão, reconciliação, diálogo e comunhão, expressão de uma Igreja sinodal. Portanto, viver a sinodalidade na comunicação, partindo da minha experiência de fé e caminhada na Igreja. Em seus pronunciamentos (como o recente pedido de orações pelas vítimas das chuvas em Minas Gerais), o Papa Leão XIV demonstra atenção ao Brasil. Como a redação atua para levar a solidariedade e as preocupações do Pontífice ao conhecimento do povo brasileiro? A nossa equipe brasileira trabalha com dedicação, eu diria total, para veicular os pronunciamentos do Papa. Um trabalho feito com profissionalismo e seriedade, como uma ponte entre os pontífices e o nosso povo. Esse trabalho de ponte é realizado através da redação diária de discursos, mensagens, saudações, homilias, enfim, textos do Papa em português que são publicados no site do Vatican News, de programas ao vivo veiculados diariamente nas edições em português da Rádio Vaticano, de transmissões ao vivo dos eventos do Papa como Audiências Gerais, Angelus, celebrações eucarísticas, cobertura das viagens papais, usando como meios de transmissão além do rádio e a página web, também vídeos e as redes sociais.  Como é o desafio de ser uma profissional de ponta, com prazos e pressões de uma redação moderna, e ao mesmo tempo manter a mística de trabalhar "no coração da Igreja, transmitindo a voz do Papa"? Como você separa a funcionária da fiel no fechamento de uma edição? O desafio é grande, pois o trabalho é intenso e muitas vezes feito num espaço curto de tempo, respeitando os horários das edições ao vivo. Separar a funcionária da fiel no fechamento de uma edição para mim não sei se é possível. Faço meu trabalho com profissionalismo, mas ao mesmo tempo me identifico com aquilo que transmito cotidianamente nos microfones da Rádio Vaticano e com o que publico no Vatican News. Portanto, tento manter um equilíbrio e coerência em minha vida diária entre o que diz o Papa e a aplicação concreta de seus ensinamentos.  Você se vê como uma desbravadora para as jovens jornalistas brasileiras que sonham em trabalhar na Santa Sé? Que conselho você daria para uma mulher que deseja servir à Igreja através da comunicação, sem necessariamente pertencer a uma congregação religiosa? Olha, o que me sinto de dizer às jovens jornalistas brasileiras que desejam trabalhar na Santa Sé é que lutem para realizar este sonho. Tenham fé e sigam em frente. Não é algo impossível. Que procurem estudar, se inteirar da comunicação na Igreja Católica, qualificando-se para essa função. Eu nunca imaginei que trabalharia no Dicastério para a Comunicação no Vaticano. Não obstante tudo, estou aqui. Outra dica é consultar com frequência o site https://www.spe.va/it/lavora-in-vaticano.html, onde são publicadas as vagas disponíveis. De todas as mulheres que você viu passar ou trabalhar nestes corredores sagrados ao longo de 20 anos, qual história de bastidor mais simboliza a força feminina no Vaticano hoje? Não tenho um nome preciso ao qual me referir, mas talvez lembrar as poucas mulheres que trabalharam no Vaticano no passado, antes dessas mudanças históricas, que de alguma forma semearam o terreno silenciosamente com o seu trabalho, com compromisso, dedicação e fé, cujos frutos se veem hoje, no reconhecimento da capacidade das mulheres de exercer cargos de liderança no Vaticano, graças à ação do Espírito Santo que faz enxergar além, inspira e renova.

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