Na saudação do presidente da Conferência Episcopal Francesa, na abertura do encontro privado com o Pontífice, em Lourdes, foi expressa a gratidão por sua presença, que imprime um selo fundamental ao renascimento da fé no país. Reafirmou-se o compromisso de continuar na luta contra os abusos, colocando-se no lugar das vítimas, e a solidariedade com as necessidades das Igrejas em dificuldade, em Jerusalém e no Mediterrâneo.
Antonella Palermo – Vatican News Desafios, empenho e esperanças que mobilizam a Igreja na França.
O cardeal Jean-Marc Aveline, presidente da Conferência Episcopal Francesa, expõe-nas detalhadamente ao dar as boas-vindas ao Sucessor de Pedro em um local, o hemiciclo “Santa Bernadete” do Santuário de Nossa Senhora de Lourdes, onde o encontro entre os bispos do país é habitual para as assembleias plenárias que ocorrem duas vezes por ano.
Aqui, os pastores da França se reúnem periodicamente para “mergulhar no Evangelho, para, colegialmente, colocar-se à escuta do Espírito Santo”.
Hoje, eles fazem isso na presença do chefe da Igreja universal, compartilhando alegrias e preocupações, profundamente conscientes de quão forte é, no mundo, o apelo simbólico de Lourdes, onde “aprendemos a servir juntos, no respeito a cada um, essa ‘magnífica humanidade’ que é um dom de Deus”, lembra dom Aveline.
Os desafios que ocupam a Igreja da França O presidente da Conferência Episcopal enumerou ao Papa as áreas em que a contribuição da Igreja é colocada em prática: desde a urgência da solidariedade para com os mais pobres — “Bernadette estava doente, mas era pobre”, lembra ele — até a transmissão da fé em uma sociedade secularizada; desde as relações entre religião e política em um contexto de laicidade sempre ameaçado pela ideologização, sobretudo às vésperas de um importante ano eleitoral, até o cuidado com as relações ecumênicas e inter-religiosas.
E há ainda as questões éticas, o respeito pela vida e pela dignidade de cada pessoa humana.
Dom Aveline, que é arcebispo de Marselha e conhece bem as dinâmicas relacionadas ao acolhimento de migrantes, apresentou neste domingo, diante do Pontífice, esse desafio, entre outros igualmente cruciais, como o educacional, que diz respeito, em particular, às formas de abordar o ensino católico.
Além disso, ele falou sobre o apoio às famílias, as vocações sacerdotais e a vida religiosa, sem deixar de lado “as dificuldades muito concretas” de algumas dioceses, “que enfrentam uma grave redução de seus recursos, tanto humanos quanto financeiros”. [ Read Also ] De forma oportuna, lembrou-se também ao Bispo de Roma o vínculo especial da Igreja da França com a Igreja-mãe de Jerusalém, bem como o compromisso específico na Europa e no Mediterrâneo, “dois grandes espaços — esclarece ele — aos quais a França está ligada pela geografia e pela história”.
Outro aspecto sobre o qual o cardeal Aveline fez questão de enfatizar diz respeito às celebrações litúrgicas, que devem ser sempre vividas com dignidade e decoro.
A luta contra os abusos O presidente expressa sua gratidão a dom Georges Pontier, impossibilitado de estar presente por motivos de saúde, e a dom Éric de Moulins-Beaufort pela determinação com que se aborda atualmente a questão dos abusos sexuais em contextos eclesiais: a abordagem é feita do ponto de vista das vítimas “que sofrem as consequências por toda a vida”.
Essa mudança de perspectiva, o ouvir comovente de sua angústia e de sua dor, deram início em nossa Igreja a um longo e árduo trabalho de conversão e prevenção, que deveremos levar adiante nos próximos anos, com a colaboração das vítimas e de todo o povo de Deus”, foram as palavras de Aveline.
O compromisso assumido é o de “trabalhar também, em nome do Evangelho, pela articulação entre justiça e misericórdia e pelo acompanhamento atento daqueles que cometeram tais atos”.
Nessa perspectiva, ganha especial destaque o momento de reflexão do Papa diante da imagem da “criança que chora”, prelúdio do que seria o encontro privado, previsto para a tarde, com diversas vítimas.
As esperanças são mais fortes do que as preocupações “Nossas esperanças ainda são mais fortes do que as preocupações que nos atormentam!”, concluiu o líder dos bispos antes de dar a palavra ao Papa para que ele lhes transmita sua mensagem.
Os números mostram que, ano após ano, um grande número de jovens adultos pede para receber os sacramentos da iniciação cristã, e isso é motivo de inevitável alegria. “Por um lado, sua fé nascente precisa ser formada e consolidada na rica tradição da Igreja e, por outro, devemos ouvir o que o Espírito quer dizer às nossas comunidades por meio de sua presença estimulante e de suas perguntas, por vezes incômodas”.
As 800 mil pessoas presentes na missa na Place de la Concorde, no sábado, 26 de setembro, e a grande participação nos outros eventos com o Papa Leão nestes dias especiais são o sinal incontestável desse despertar eclesial, pelo qual a gratidão de dom Aveline é total.