Dom Imbamba - Leão XIV deixa a Angola um precioso legado - Vatican News via Acervo Católico

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Dom Imbamba - Leão XIV deixa a Angola um precioso legado - Vatican News via Acervo Católico
Fonte: VATICANO

Leão XIV deixou Luanda na manhã de 21 de abril de 2026, com destino à Guiné-Equatorial. A estada de três dias em Angola, foi muito positiva e deixou muitos frutos e estímulos para a reflexão, dá a entender o presidente da CEAST, Dom José M. Imbamba, que teve também a graça de receber o Papa na sua Arquidiocese: Saurimo. Ele agradece ao Pontífice e diz que a Igreja em Angola está com Leão XIV no seu combate por um mundo mais justo para todos. Dom Imbamba fala também da feitiçaria e ainda do jove

Dulce Araújo – Luanda   Após a partida do Papa de Angola - o Presidente da CEAST,  Conferência Episcopal de Angola e São Tomé e Príncipe, Dom José Manuel Imbamba que é também Arcebispo de Saurimo, cidade do Leste de Angola visitada também pelo Para, naquilo que a primeira visita de um Pontífice a essa região leste do país  - em entrevista à Radio Vaticano, Vatican News, traçou um balanço positivo da visita, agradecendo ao Papa e salientando pontos importantes que ficam para a reflexão da Igreja e da sociedade angolanas.  Estamos satisfeitos com a visita que o Santo Padre realizou ao nosso país, pela mensagem rica de sabedoria, de esperança, de compromisso que ele nos deixou e sobretudo, por ter tocado a nossa terra e sentido o calor e a beleza da nossa fé. Ele pôde encontrar uma Igreja jovem, uma igreja alegre, uma igreja comprometida, uma Igreja que quer continuar a ser discí­pula fiel de Jesus Cristo. E é por isso que com o Santo Padre podemos também sentir o calor e o carinho que o povo angolano tem por ele. E isto impressionou-nos bastante. E, claro, mais do que viver o momento celebrativo, agora resta, de facto, vivermos a mensagem que ele nos deixou, mensagem de esperança, de justiça, paz, reconciliação. Aquela mensagem de respeito pela vida, sobretudo a vida dos mais fragilizados como são os anciãos. Aquela mensagem de não sentirmos medo de anunciar o Evangelho, aquela mensagem de sermos promotores da paz. Aquela mensagem de continuarmos a ser uma Igreja missionária, não obstante as dificuldades. Aquela mensagem a nós pastores, para continuarmos a ser guias iluminados pela fé, iluminados pela sabedoria divina, para conduzirmos o nosso rebanho nos caminhos da salvação, do bem, da paz e da concórdia.  Em suma, penso que nos deixou muitos frutos, muitas lições, muitas provocações, mas, sobretudo, deixou-nos esse rosto de uma Igreja universal que não esquece as periferias existenciais, não está longe de tocar aquilo que nós, enquanto rebanho seu, somos chamados a viver e a cultivar. Por isso, o balanço é positivo e a Igreja angolana sai mais fortificada, sai mais encorajada e animada a dar os seus passos de testemunho dentro dos desafios com que se debate e continuar a ser esta luz, este sal, este fermento, nesta sociedade angolana e santomense, nesta sociedade virada para o bem de toda a humanidade. Portanto, este o balanço que agora me impõe fazer, e, agradecidos, sobretudo pela sua solicitude paternal e pastoral e por tudo aquilo que ele próprio vivenciou, testemunhou e vibrou com a beleza da nossa fé e do nosso canto também. Pois, precisamente, pareceu-me que o Papa, em todos os discursos e momentos que aqui viveu, sublinhou a necessidade de uma Palavra, a Palavra de Deus, incarnada na sociedade angolana para o seu melhoramento e pela sua dignidade. E quando fez o discurso ao Corpo Diplomático, o senhor Presidente da República pareceu-nos muito em sintonia com as preocupações do Papa. Ele citou o documento de Leão XIV, Dilexi te que – disse - ajuda o governo na definição das políticas sociais a favor dos pobres. Sentiu que há sintonia entre a palavra da Igreja, do Santo Padre, e as atitudes do Governo? Esse é o desejo, este é o desejo. É sinal de que o nosso Presidente está a ouvir os nossos apelos e quer dar um salto de qualidade em relação a isto. E é meu augúrio que assim seja, que esta sintonia se transforme em ações e assim tirarmos o nosso país desta retração em que se encontra há anos e que está a fazer com que estejamos a regredir em muitos aspetos que não nos ajudam e não abonam para aquela realização social que todos nós esperamos. Por isso, vamos trabalhar, vamos continuar a incentivar, vamos continuar a dialogar, vamos continuar a educar, construindo pontes como Igreja, para que verdadeiramente a política pública de facto, possa gerar o desenvolvimento que pretendemos, possa nos ajudar a caminhar segundo o querer de Deus, na justa distribuição da riqueza e no fomento daquela justificação social que ainda faz muita falta no nosso contexto. O Papa falou também várias vezes na tradição angolana, chamando a atenção para o facto de a tradição não querer dizer magia, referindo-se aqui à questão da feitiçaria, que é muito difusa, sobretudo na zona da sua Arquidiocese, no Leste do país. É um problema que Bento XVI sublinhara em 2009. Sente que a Igreja tem feito o suficiente para extirpar este problema da sociedade, ou sentiram ainda no Papa Leão XIV um estímulo ulterior a trabalhar este tema mais aprofundadamente?  Este tema é transversal, como pode perceber. Transformar uma cultura não é de um dia para o outro. É um trabalho de muita paciência, de muita educação, de muita evangelização, de muito penetrar a consciência das pessoas. E por isso, o problema da feitiçaria é um problema que gira em todo o continente africano, praticamente, e é preciso que os métodos de evangelização talvez possam ir mais ousadamente ao encontro desta realidade que dramatiza, e de que maneira, a vida das famílias e estigmatiza as pessoas que são afetadas por estas acusações. O que eu sintoé que temos que trabalhar mais, temos que evangelizar mais para produzirmos conversões autênticas, porque o que se passa é aquilo que também o Santo Padre denunciou, a comercialização da fé. Portanto, há muitas denominações religiosas que fomentam exatamente aquilo que é contrário ao Evangelho. E então esta busca desenfreada pelo enriquecimento fácil, pelo dinheiro, pelo poder, também fragiliza a qualidade da fé e a qualidade da própria a conversão. Por isso, a bola está mesmo do nosso lado. Nós é que temos que encontrar, criativamente, outros métodos que possam atingir as famílias, as pessoas, para faze-las sair dessas trevas em que estão amarradas e assim se libertarem de uma vez por todas para os novos voos, os novos sonhos e as novas realizações, culturalmente falando. Porque a tradição, de facto, está a ofuscar o brilho que a nossa vida deve merecer. O senhor Arcebispo está a falar como Presidente da Conferência Episcopal de Angola e de São Tomé e Príncipe, mas teve também a grande alegria de ter o Papa na sua Arquidiocese, em Saurimo. Como é que se sentiu com a visita de um Papa, pela primeira vez, na sua terra, na sua Arquidiocese?  Já pode imaginar a maneira como fiquei comovido, sobretudo pelo acolhimento que ele mereceu em Saurimo. Confesso que eu não esperava aquela reação popular. Não esperava aquele entusiasmo e aquela surpresa agradável que a minha gente fez ao Santo Padre. Por isso, me senti tocado. Lacrimejei por ver, ouvir, aqueles gritos de exultação, aqueles gritos de alegria e de gratidão, aqueles gritos de acolhimento. Por isso, sou muito feliz. É toda uma região que se sentiu regenerada. É toda uma região que sentiu que, afinal, também tem algo a oferecer. A Igreja tem algo a oferecer, a sociedade tem algo a oferecer ao mundo. Portanto, a região do Leste é uma região vista com algum preconceito, com alguma incerteza, mesmo em muitos sentidos. Aliás, tão logo foi anunciada a ida do Santo Padre a Saurimo, as perguntas que me faziam sempre eram esta, porque Saurimo? Porque Saurimo? Como se Saurimo não merecesse. Como se Saurimo fosse uma novidade para a igreja. É exatamente aqui onde está o toque para dizer que a Igreja é a mesma Igreja para todos. E o Santo Padre é pastor para todos, até das periferias ou das minorias. Portanto, ele está aí e por isso sou muito grato pela sua solicitude, por ter aceitado ir a Saurimo e, sobretudo, pela mensagem que nos deixou desde a visita ao Lar dos Anciãos, à grande celebração eucarística que tivemos lá no bairro Candembe, um bairro que também sentiu o toque da bênção que o Santo Padre nos deixou e que se transformou exultou e, claro, vai continuar na memória tudo aquilo que ele fez por nós em Saurimo. O senhor Bispo falava nessa multidão que acolheu de braços abertos e com alegria o Santo Padre e, de entre eles, havia muitos, muitos jovens. Estamos num paí­s jovem, mas havia, sobretudo, muitos escuteiros. Eu me perguntei se todos os jovens angolanos estão enquadrados no escutismo. Como vê essa questão e que mensagem deixou o Papa aos jovens que são o futuro da África e do mundo? É mesmo isto, a mensagem que ele deixou aos jovens é de esperança, de não terem medo de ousar. Realmente a nossa Igreja, a nossa sociedade no seu todo, é maioritariamente jovem e o escutismo católico está a crescer. É uma marca e é o nosso desejo, porque a partir dessa escola escutista queremos de facto garantir um futuro seguro, um futuro de consciência de saúde social, de saúde religiosa, um futuro de saúde política, de saúde económica e jurídica, porque, como Igreja, de facto, queremos apostar muito na formação da juventude, queremos ter cidadão convictos, cristão convictos, cristão que não façam da diferença um problema, que não façam do convívio de opiniões diferentes um problema. Que não tenham medo do convívio, de inteligências e de vontades. Portanto, jovens abertos para os outros e respeitando-os e caminhando com eles e construindo juntos a sociedade que todos nós desejamos. Por isso, esses jovens que viram são jovens com os quais queremos lançar bases para a nova sociedade, para a nova cultura, para as novas realidades que nós pretendemos na nossa Igreja e na nossa sociedade. Por isso, a mensagem do Santo Padre para eles foi uma mensagem muito forte, vinculativa, uma mensagem de saberem ter o coração aberto para acolher Jesus Cristo sem receios e assim criarem as bases sólidas  de construção das suas personalidades e das suas vidas também. Senhor Arcebispo, há algo mais que lhe vai na alma neste momento e que lhe preme partilhar ainda com os ouvintes da Rádio Vaticano? O que me vai na alma agora, é mesmo agradecer, agradecer ao Santo Padre que desde o momento que acolheu o nosso convite, a resposta foi logo dada. Agradecer-lhe pela beleza e pela força da mensagem que nos deixou, e garantir-lhe que estamos com ele e vamos apoiá-lo nesta luta contra todos aqueles que pretendem destruir a humanidade, a sua convivência, o direito internacional e todas aquelas bases valorativas que animaram a sociedade até aqui, criando a estabilidade que muitos querem destruir. Sentir que nós continuaremos, pois, a rezar sempre por ele e que conte sempre com a nossa solidariedade filial. E agradeço profundamente que nestes dias, vós também, enquanto jornalistas, mostrastes Angola ao mundo, mostrastes Luanda, mostrastes a Muxima, mostrastes Saurimo. Então, tudo isto, pois, galvaniza-nos, encoraja-nos e nos dá a energia positiva para continuarmos a crescer no bem, no progresso humano, social, cultural, espiritual e continuarmos a manifestar a alegria do nosso viver enquanto discípulos de Jesus Cristo, a viver o nosso “ide” e a nossa missão, sem receios, sem medos e sem receios. Então, que Deus vos abençoe nesta vossa missão e que continuemos a caminhar juntos nós também. Muito obrigado. E nós também agradecemos toda a atenção que nos foi dada e o apoio para que pudéssemos realizar o nosso trabalho que, esperamos ter feito da melhor forma. O Papa disse à Igreja angolana que conta convosco e que podeis contar com ele, e do nosso lado dizemos que podeis contar connosco e nós convosco. Muito obrigada e até à próxima, se Deus quiser.  

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