A poucas horas da chegada do Papa Leão XIV à cidade dos Altos Pireneus e ao seu santuário mariano, o bispo de Tarbes e Lourdes fala sobre a importância de acolher o Santo Padre, dezoito anos depois de Bento XVI, e sobre os momentos centrais desta segunda etapa da viagem apostólica. Uma etapa que colocará em evidência a vulnerabilidade e a fragilidade.
Olivier Bonnel – Cidade do Vaticano Depois do fervor de Paris, Leão XIV viajará na noite deste sábado, 26 de setembro, para Lourdes, segunda etapa de sua viagem apostólica.
Assim que chegar à cidade mariana, irá à gruta das aparições de Massabielle, coração do santuário, para rezar diante da Virgem que apareceu a Bernadette Soubirous.
O Papa estará acompanhado pelo reitor do santuário, padre Michel Daubanes, e por Dom Jean-Marc Micas, bispo de Tarbes e Lourdes.
A poucas horas da chegada do bispo de Roma ao santuário, Dom Jean-Marc Micas fala sobre os compromissos previstos para esta etapa em Lourdes, que colocará em destaque a fragilidade e a dignidade daqueles que sofrem e que vêm, aos milhares, depositar suas orações aos pés de Maria.
O Papa vem a Lourdes, antes de tudo, como peregrino.
Em que medida essa dimensão de “peregrino” é importante?
É importante para nós porque se vem a Lourdes como peregrino; não se vem de outra maneira.
O santuário de Lourdes é um lugar onde respondemos ao chamado da Virgem transmitido por Bernadette: “Que se construa aqui uma capela e que se venha até aqui em procissão, em peregrinação”.
Portanto, vem-se aqui como peregrino; caso contrário, perde-se aquilo que é Lourdes, a mensagem que a Virgem Maria transmitiu a Bernadette na gruta de Massabielle.
Essa dimensão será diferente daquela de Paris, que também terá uma programação muito rica.
Assim que chegar, o Santo Padre irá recolher-se diante da gruta das aparições; participará também da procissão das velas, encontrará os doentes e os voluntários que os transportam em macas, e celebrará a Missa.
Gosto de dizer que existem as duas dimensões: quem vem a Lourdes é um peregrino, mas os sacerdotes e os bispos vêm acompanhar suas dioceses como pastores do povo de Deus que lhes foi confiado.
Pois bem, o bispo de Roma vem a Lourdes acompanhar sua diocese, que é, de certa maneira, a Igreja universal.
Leão XIV estará, ao mesmo tempo, como peregrino e como pastor da Igreja. [ Photo Embed: Santuário de Lourdes dá as boas-vindas a Leão XIV] A última visita de um Papa a Lourdes aconteceu em 2008, com Bento XVI.
Qual é o significado da chegada de Leão XIV ao santuário para Lourdes?
Independentemente do tempo transcorrido desde a visita anterior, a visita do pastor universal da Igreja é importante para o santuário de Lourdes, pois este santuário acolhe pessoas do mundo inteiro.
Essa é uma característica marcante do santuário: tanto o acolhimento dos doentes quanto sua dimensão internacional.
Por isso, é muito significativo que o pastor da Igreja universal também faça, por sua vez, a peregrinação a Lourdes.
Entre os compromissos previstos, o Papa encontrará os bispos da França, justamente no local onde vocês se reúnem duas vezes por ano para as assembleias plenárias.
O que espera desse encontro, para a Igreja da França e também pessoalmente?
Espero o mesmo que todos os bispos da França.
Estarei no plenário com a assembleia dos bispos, mas não serei mais o bispo de Tarbes e Lourdes, e sim um bispo entre seus irmãos reunidos em assembleia.
Essa será a dimensão desse momento.
Aliás, não tomarei a palavra, embora o faça em todos os outros momentos.
Será o presidente da Conferência dos Bispos que acolherá o Santo Padre neste local.
O que espero é a palavra do Papa aos bispos da França, aquilo que ele próprio considera útil, necessário e importante compartilhar e comunicar conosco.
De nossa parte, trata-se de ouvi-lo; haverá uma forma de diálogo e, de todo modo, será uma troca nos dois sentidos.
Espero, assim, um diálogo com o pastor da Igreja sobre os desafios que temos de enfrentar juntos na França, e a palavra do Papa que nos apoia nessa tarefa. [ Photo Embed: Santuário de Lourdes] Outro momento esperado desta etapa em Lourdes será o encontro do Santo Padre com vítimas de crimes sexuais na Igreja, uma reunião privada e muito aguardada por essas vítimas.
Para o senhor, isso recorda que Lourdes também é um lugar onde se encontra o sofrimento e que, de certa maneira, Lourdes permanece fiel à sua vocação?
Esse encontro, que foi desejado e previsto desde o início, poderia ter acontecido tanto em Paris quanto em Lourdes; faria sentido que ocorresse em qualquer um desses dois lugares.
Pessoalmente, estou muito feliz que Lourdes tenha sido escolhido por aqueles a quem coube organizar esse encontro.
Muitas pessoas vítimas de violência sexual vêm a Lourdes, junto à Imaculada Conceição, em busca de consolação.
Lourdes é o lugar de todas as fragilidades, de todas as feridas, e, portanto, faz muito sentido que esse encontro aconteça aqui.
É também um lugar de forte tomada de consciência, devido à realização das assembleias plenárias da Conferência dos Bispos da França neste local, após a apresentação do relatório da CIASE e dos compromissos assumidos pelos bispos, que vêm sendo implementados ao longo do tempo.
Isso ainda não terminou, longe disso.
Por isso, faz muito sentido que, neste lugar de tomada de consciência e também de consolação para as pessoas vítimas de violência, esse encontro aconteça. “Muitas pessoas vítimas de violência sexual vêm a Lourdes, junto à Imaculada Conceição, em busca de consolação.
Lourdes é o lugar de todas as fragilidades, de todas as feridas, e, portanto, faz muito sentido que esse encontro aconteça aqui.” [ Photo Embed: Últimos preparativos antes da chegada do Papa Leão XIV] Na sua opinião, o Santo Padre virá recordar o quanto a fragilidade é uma realidade que o mundo, às vezes, tem dificuldade de encarar?
Sem dúvida.
E, aliás, o momento previsto para a tarde de domingo, 27 de setembro, colocará o Papa precisamente em contato com muitas dessas fragilidades.
Porque em Lourdes há o santuário, há os doentes, mas também existe toda uma rede de pobreza e fragilidade que é acolhida e acompanhada, pois muitas pessoas chegam a Lourdes com suas fragilidades psicológicas, espirituais, físicas, naturalmente, e morais.
O Papa encontrará as pessoas envolvidas em tudo aquilo que acontece, na maior parte das vezes, de maneira silenciosa, sem chamar a atenção.
Como dizia São Vicente de Paulo: “O barulho não faz bem e o bem não faz barulho”.
Mas é isso que acontece diariamente, tanto na Cité Saint-Pierre, da Caritas francesa, quanto em outras associações da cidade.
O Santo Padre também dedicará tempo a um encontro com todas essas realidades.