A ressurreição anuncia o fundamento da esperança cristã e propõe o caminho para alcançar a reconciliação e a alegria: Cristo Jesus ressuscitou.
Dom Oriolo - Bispo da Igreja Particular de Leopoldina MG A Paz esteja convosco! Estamos vivendo o grandioso mistério da fé cristã, cuja essência reside na ressurreição de Jesus Cristo: “Cristo Ressuscitou” (Mc 16,6)! A ressurreição de Cristo, constitui a razão de ser da Igreja e o alicerce da nossa fé. É a maior festa cristã da Igreja. “E se Cristo não ressuscitou, a vossa fé é ilusória e ainda estais nos vossos pecados” (1 Cor 15,17). Na ressurreição de Cristo, transparece de modo muito claro a grandeza da pessoa humana, a sua imensa dignidade. Foi por sua humanidade, como instrumento ligado ao Verbo eterno, que Cristo, feito solidário conosco e obediente ao Pai até a morte na cruz, quem elevou ao máximo o ser humano. Jesus de Nazaré, o Crucificado, ressuscitou dos mortos ao terceiro dia, conforme as Escrituras. O anúncio feito pelo anjo, naquela aurora do primeiro dia depois do sábado, à Maria Madalena e às mulheres que foram ao sepulcro, o ouvimos hoje com renovada emoção: “Então o anjo falou às mulheres: ‘vós não precisais ter medo, pois sei que procurais Jesus, o crucificado. Ele não está aqui! Ressuscitou, como havia dito! Vinde ver o lugar onde ele estava. Ide depressa dizer a seus discípulos: Ele ressuscitou dos mortos e vai à vossa frente para a Galileia. Lá o vereis. É o que tenho a vos dizer’” (Mt 28,5-7). A ressurreição anuncia o fundamento da esperança cristã e propõe o caminho para alcançar a reconciliação e a alegria: Cristo Jesus ressuscitou, ergueu-se do abismo da morte e brilha, para os que nele acreditam, como sol nascente que vence as trevas e nos traz esperança. Ele nos abre o olhar para um futuro melhor. A ressurreição não é apenas uma crença intelectual, mas um encontro vivo com Cristo nos sacramentos, como nos ensinou o Concílio de Trento: todo sacramento é a celebração da Páscoa do Senhor Jesus. Em vista dos desafios da mobilidade, da globalização, da era digital e dos complexos processos decisórios contemporâneos, a atuação do Cristo ressuscitado, como paradigma na evangelização de nossa Igreja - dioceses, comunidades paroquiais e eclesiais missionárias - se concretiza quando essas estruturas e seus membros manifestam, de forma prática, os frutos da ressurreição. Assim, a esperança, a alegria, a justiça, a reconciliação, a paz e o serviço aos últimos se tornam claros por meio da vida das comunidades eclesiais e de cada pessoa. Essa coerência entre a fé professada e a vivida constitui um poderoso e autêntico testemunho da ressurreição, sendo esta a missão essencial da Igreja ao anunciar Cristo Vivo. Nos dias de hoje, essa coerência entre o crer e o viver, no entanto, é testada diariamente pelo ambiente digital que habitamos. Se a Ressurreição nos convoca à solidez de uma esperança real, o cenário atual nos empurra para a liquidez das interpretações subjetivas. Somos desafiados a professar que Cristo vive em um tempo onde a própria definição de verdade está sob ataque. Para compreendermos como proteger nossa fé desse relativismo, precisamos analisar com clareza o conceito de pós-verdade e como ele molda, silenciosamente, a nossa percepção sobre a Igreja e o mundo. Por outro lado, confrontamo-nos com um cenário em que as nossas crenças fundamentais são postas em dúvida, sobretudo pelas novas tecnologias digitais. Frequentemente, para nos protegermos da vasta quantidade de informações que nos chegam pelas mídias digitais, somos convocados a questionar e a verificar rigorosamente cada informação recebida. Devemos ter o cuidado de não nos tornarmos propagadores de ideologias, heresias, falsidades, ódio e discórdia, especialmente no que concerne à ressurreição de Cristo. O crescente volume de informações acessíveis no ambiente digital, por vezes, induz-nos a desacreditar em verdades reveladas pela Igreja, conduzindo-nos a um estado de pós-verdade. A expressão pós-verdade foi considerada a palavra do ano pela Universidade de Oxford, em 2016, acumulando quase uma década de protagonismo no debate público. Segundo o dicionário Oxford, “pós-verdade” refere-se a “circunstâncias nas quais os fatos objetivos têm menos influência em moldar a opinião pública do que os apelos à emoção ou crenças pessoais”. A pós-verdade, que é uma espécie de falência da racionalidade e da ética ocidentais, caracteriza-se pela relativização da realidade das coisas em benefício de convicções formadas num cenário, eminentemente, afetivo e ideológico, ainda que sem nexo com a razão. As coisas são de determinado modo porque eu quero que sejam assim, ou porque, sendo assim, elas favorecerão meu discurso: tudo mais não interessa. A pós-verdade favorece a produção de uma lógica muito arraigada de desinformação. Se o conteúdo simplesmente compactua com as minhas paixões, e eu não me preocupo em saber se é mentira ou não, e divulgo o mais rápido possível, estou sendo um instrumento poderoso na mão de manipuladores que visam à destruição ou, ao menos, à polarização e à desconfiança mútua, mesmo no interior da Igreja. Jesus nos ensinou como devemos reagir diante dessas situações: “Entre vós, não deve ser assim ( Mt 20,17). Sejamos como a primeira proclamadora da ressurreição: Maria Madalena. Rompendo com a herança dos saduceus, que negavam a existência de anjos e a imortalidade da alma, ela deixou o túmulo movida pelo temor e pelo espanto. Após o encontro com o anjo, correu para anunciar aos discípulos não uma opinião ou uma crença subjetiva, mas uma verdade absoluta e concreta: Cristo ressuscitou!