O bispo da Diocese de Bafatá (Guiné-Bissau), Dom Vítor Quematcha, e o Imame da Mesquita Central de Mansoa, Mamadu Djau Djaló, apelam aos responsáveis políticos guineenses para assumirem as suas responsabilidades na promoção da reconciliação nacional, do respeito pelas liberdades fundamentais e da convivência pacífica.
Por Casimior Jorge Cajucam – RSM, Bissau Durante a habitual reflexão semanal no programa radiofónico Palavra de Vida, da Rádio Sol Mansi, Dom Vítor Quematcha destacou a importância da responsabilidade, da serenidade e da união na defesa do bem comum, num contexto marcado por dificuldades institucionais e preocupações com o respeito pelas liberdades fundamentais.
Dirigindo-se aos responsáveis políticos, o bispo defendeu que o exercício do poder deve ser entendido como um serviço à população, e não como uma propriedade pessoal.
Segundo Dom Vítor Quematcha, a autoridade implica responsabilidade perante os cidadãos e deve estar orientada para a defesa do interesse coletivo.
Compreender a autoridade como serviço “O Evangelho convida os responsáveis políticos, civis, militares e administrativos a compreenderem a autoridade como um serviço”, frisou o bispo Dom Vítor Quematcha.
O responsável da Diocese de Bafatá apelou igualmente aos líderes religiosos para contribuírem para a reconciliação e o desenvolvimento das comunidades.
Sublinhou que a convivência entre diferentes confissões religiosas não exige renunciar à própria identidade, mas pressupõe maturidade, humildade e respeito pelas diferenças.
Respeito pela diversidade e rejeição da violência, princípios fundamentais Na mesma reflexão, Dom Vítor Quematcha dirigiu uma mensagem aos jovens, incentivando-os a participar de forma responsável na vida social e a desenvolver uma consciência crítica.
Destacou ainda o respeito pela diversidade e a rejeição da violência como princípios fundamentais para a construção de uma sociedade mais justa. “A construção de uma sociedade melhor exige participação responsável, consciência crítica, respeito pelas diferenças e rejeição da violência.
A Igreja deve ser uma voz de consciência, reconciliação e esperança”, concluiu Dom Vítor Quematcha.
Ao concluir, o prelado reafirmou o papel da Igreja como voz de consciência, reconciliação e esperança, defendendo a liberdade de anunciar a verdade e a importância de permanecer próxima das pessoas que enfrentam situações de sofrimento.
Políticos promovam o diálogo e a verdadeira reconciliação na Guiné-Bissau Por sua vez, o Imame da Mesquita Central de Mansoa, no norte do país, Cheikh Mamadu Djau Djaló, desafiou os responsáveis políticos a promoverem o diálogo e a verdadeira reconciliação na Guiné-Bissau, considerando que a concretização desses objetivos depende da vontade dos atores políticos.
O apelo foi feito no sábado, durante a cerimónia de lançamento do livro Voz de Paz, na qual o líder religioso participou na qualidade de padrinho do evento.
Na ocasião, Cheikh Mamadu Djau Djaló sublinhou que a superação das divisões no país exige compromisso político, entendimento e medidas concretas que favoreçam a união entre os guineenses. [ Photo Embed: Cheikh Mamadu Djau Djaló, Imame da Mesquita Central de Mansoa] “Lanço este desafio às autoridades políticas e militares, bem como aos líderes religiosos e a todos os filhos da Guiné-Bissau.
É necessário promovermos o diálogo em busca de soluções, porque chegou o momento de conversarmos com seriedade, sinceridade e o coração limpo”, apelou o imame de Mansoa.
As posições dos dois líderes religiosos convergem na defesa de uma maior responsabilidade dos dirigentes políticos e no reconhecimento da reconciliação como condição essencial para a estabilidade e a construção de uma sociedade mais justa e pacífica na Guiné-Bissau. [ Audio Embed Oiça qui a reportagem e partilhe]