Drone russo atinge escola em Kiev em meio à escalada de ataques contra alvos civis na Ucrânia

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Drone russo atinge escola em Kiev em meio à escalada de ataques contra alvos civis na Ucrânia
Fonte: VATICANO

Drone atingiu nesta quinta-feira um prédio escolar da capital ucraniana. Hospitais, centros médicos, instituições científicas, igrejas, residências e outras estruturas civis também vêm sendo atingidos em diferentes regiões do país.

Vatican News Um drone russo atingiu nesta quinta-feira, 1º de outubro, uma escola em Kiev, provocando um incêndio no prédio.

No momento do ataque, as crianças estavam protegidas em um abrigo antiaéreo.

Os serviços de emergência foram mobilizados para controlar as chamas, enquanto as autoridades verificavam a eventual existência de vítimas.

O ataque ocorreu durante uma nova onda de incursões de drones contra a capital ucraniana e outras cidades.

O episódio ocorre poucos dias depois de uma das mais intensas sequências de ataques contra Kiev.

Em 28 de setembro, drones russos atingiram a Academia Nacional de Ciências da Ucrânia, no centro da capital, provocando mortes e dezenas de feridos.

Na mesma ofensiva, um centro médico também foi atingido.

Segundo a ONU, nas últimas semanas casas, escolas, instalações de saúde, estabelecimentos comerciais e outras infraestruturas civis foram danificados ou destruídos em Kiev, Dnipro, Kharkiv, Odesa, Sumy e Zaporizhzhia.

Também nesta quinta-feira, dois drones russos atingiram uma importante ponte que liga o leste e o oeste de Kiev, segundo o prefeito da capital ucraniana, Vitali Klitschko.

Os drones atingiram a estrutura de sustentação da Ponte Sul, escreveu Klitschko no Telegram.

O serviço de metrô e o transporte público de superfície que atravessa a ponte estão suspensos neste momento.

A dimensão dos ataques também aparece nos dados das Nações Unidas.

A Missão de Monitoramento dos Direitos Humanos da ONU informou em 24 de setembro que, somente entre 1º e 24 de setembro, pelo menos 200 civis haviam sido mortos e 1.234 feridos na Ucrânia.

Os ataques utilizaram mísseis balísticos e de cruzeiro, drones e bombas aéreas guiadas.

Em agosto, pelo menos 372 civis morreram e 2.349 ficaram feridos — o segundo maior número mensal de vítimas civis registrado em 2026 até então. [ In Evidence ] Escolas transformadas em espaços de medo   Entre as consequências mais dramáticas está o impacto sobre as crianças.

A UNICEF denunciou em setembro que o direito à educação das crianças ucranianas continua sob ataque.

Nos primeiros 15 dias do novo ano escolar, o país registrou mais de 1.000 alertas aéreos, o equivalente a mais de 100 por dia.

As sirenes interrompem continuamente as aulas, obrigando professores e alunos a abandonar as salas e permanecer nos abrigos até o fim da ameaça.

A situação é agravada pelo número crescente de vítimas infantis.

Segundo a UNICEF, julho de 2026 registrou o maior número mensal de crianças mortas ou feridas na Ucrânia desde abril de 2022: 17 crianças morreram e 166 ficaram feridas.

A agência da ONU afirmou que crianças vêm sendo atingidas em suas casas, playgrounds e comunidades, enquanto escolas e hospitais também são atingidos.

Desde a escalada da guerra em fevereiro de 2022, a ONU havia verificado, até agosto, 3.946 crianças mortas ou feridas, número que provavelmente é inferior ao real. [ Photo Embed: Uma igreja e prédios de apartamentos danificados por um ataque aéreo russo, em meio à ofensiva da Rússia contra a Ucrânia, na cidade de Kramatorsk — situada na linha de frente do conflito —, em 23 de setembro de 2026.

REUTERS/Anatolii Stepanov] Hospitais, igrejas e estruturas humanitárias   O ataque contra a escola de Kiev soma-se a uma série de episódios envolvendo instalações essenciais para a população.

Em setembro, ataques atingiram hospitais e centros médicos, enquanto na região de Donetsk uma ofensiva danificou, entre outras estruturas, um hospital e uma igreja, além de dezenas de residências e outros edifícios civis.

Também as estruturas humanitárias vêm sendo atingidas.

A Organização Mundial da Saúde informou que três armazéns utilizados pela OMS na Ucrânia foram destruídos em ataques aéreos em apenas três meses.

Um dos depósitos, atingido na região de Kiev em 3 de setembro, armazenava suprimentos médicos destinados às áreas de frente e às regiões de difícil acesso; outro, em Dnipro, foi completamente destruído, provocando a perda de metade dos medicamentos e equipamentos destinados a atender cerca de 225 mil pessoas.

O padrão preocupa particularmente porque muitos desses ataques ocorrem longe das linhas de frente.

De acordo com a ONU, em agosto os mísseis e drones de longo alcance foram responsáveis por 47% das vítimas civis, e a maioria dessas vítimas ocorreu em centros urbanos distantes do campo de batalha.

A organização advertiu que a vida cotidiana — ir à escola, trabalhar, fazer compras ou procurar atendimento médico — tornou-se progressivamente mais perigosa. [ In Evidence ] Uma guerra que alcança a vida cotidiana   O ataque desta quinta-feira contra uma escola de Kiev possui, portanto, um significado que ultrapassa os danos provocados em um único prédio.

Ele mostra como a guerra continua penetrando nos espaços mais elementares da vida civil: a escola onde estudam as crianças, o hospital onde são tratados os doentes, a igreja onde as pessoas rezam, a casa onde vivem as famílias e os centros humanitários destinados a socorrer os mais vulneráveis.

A comunidade internacional tem reiteradamente lembrado que, segundo o direito internacional humanitário, a população civil e as estruturas civis devem ser protegidas.

A UNICEF voltou a pedir o cumprimento pleno dessas normas, enquanto a ONU denuncia o aumento da intensidade dos ataques.

Em Kiev, entretanto, a realidade desta quinta-feira foi novamente a de crianças dentro de um abrigo enquanto um drone atingia sua escola.

A sala de aula transformada em lugar de guerra é talvez uma das imagens mais eloquentes do preço humano que a população ucraniana continua pagando.

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